sábado, 21 de fevereiro de 2026

Lion-Maru: O rugido da vingança! (Ato 2)



Dias se passaram desde o encontro entre Shimaru e a espada misteriosa, e Mantor demorou a perceber o que vinha acontecendo nos locais que ele considerava sob controle, porque estava acostumado a medir o mundo por mapas e números, não por silêncios. A primeira vila foi Mizuhara, a mais próxima do caminho que Shimaru tomou ao deixar sua antiga moradia.

Cercada por soldados rastejantes - homens mutantes, armados e obedientes, treinados e mortais na arte da espada, espionagem e assassinatos -, aguardando apenas a chegada de um monstro humano para consolidar a dominação! A vila resistia com portas trancadas e tochas apagadas, já Shimaru chegou antes do amanhecer.

Não houve batalha prolongada. Ele avançou pelas sombras, mas não buscando esconderijo, ele queria que vissem quem trazia a morte a eles, derrubando um a um, sem anunciar-se, sem pressa, apenas a presença e a espada. Quando o sol começou a surgir, os corpos estavam empilhados diante do portão principal, Shimaru os incendiou ali mesmo, não como aviso, mas como ponto final. A vila não celebrou, apenas abriu as portas e chorou em silêncio, pois os rastejantes, sabiam os moradores, eram apenas o princípio!

O jovem samurai apenas limpou a lâmina da katana que um dia fora de seu irmão, e a embainhou novamente, ao mesmo tempo que tocou na kodachi misteriosa que repousava do outro lado de seu cinturão, inerte desde a comunicação inicial acontecida… E então Shimaru montou, o corcel revigorado, ainda com cicatrizes, mas firme e recomposto, e a dupla vingativa seguir marcha!

Então veio Kanezawa, onde um posto avançado da Mantor extorquia grãos e levava crianças como “tributo de fé”. Shimaru entrou nessa vila durante o dia, o sol estava em seu esplendor total, mas o jovem guerreiro atravessou o pátio interno derrubando os rastejantes sentinelas, para logo em seguida, em um duelo quase que inerte, matou o comandante enquanto ele tentava em vão, reagir, deixando o símbolo da Mantor partido ao meio sobre a mesa. Nenhum mensageiro saiu dali.

O jovem Dan sentia em seu corpo, ele estava diferente, o leão o revigorava, lhe transformou em algo diferente do homem que era, lhe emprestava poder para se sobrepor aos demais, esperando uma brecha par sair… Shimaru então guardou novamente sua katana, sua montaria se aproximou, sem qualquer palavra ou retorno pelos agradecimentos, ele seguiu para seu próximo embate, com sua meta afiada na mente!

Em Arahama, uma estrada inteira ficou vazia porque os batedores enviados nunca retornaram, encontrados dias depois, desarmados, alinhados lado a lado, cada um decapitado com precisão e sua cabeça ao lado do corpo, como se a própria estrada os tivesse recusado. Quando os líderes da Mantor começaram a juntar os relatos, já havia vilas livres demais para serem coincidência, e silêncio demais para ser acaso.

Foi sob a lua quebrada, nos campos entre Tsukigase e as ruínas de um antigo santuário, que a contenção deixou de ser apenas intenção e passou a ser retaliação. O vento carregava cinzas antigas, restos de oferendas queimadas e símbolos profanados pela Mantor. As pedras do santuário ainda guardavam ecos de orações esquecidas, agora pisoteadas por marcas profundas deixadas por algo que já não podia ser chamado de homem.

O monstro humano aguardava no centro do campo, ereto, arrogante, envolto em carne deformada por rituais e placas metálicas cravadas diretamente no corpo. Nenhum rastejante o guarnecia, e ele sorria com dentes irregulares, certo de que nada naquele território poderia detê-lo.

Shimaru caminhou até o limite da clareira sem acelerar o passo, quando seus olhos encontraram os da criatura, algo mudou. Não houve hesitação. Não houve medo. Seus olhos brilharam, primeiro em dourado profundo, depois em tons arroxeados, como se duas vontades antigas tivessem finalmente entrado em acordo.

A kodachi saltou de sua cintura. Não caiu. Não foi puxada. Ela se libertou.

Flutuou à frente de Shimaru, girando lentamente, vibrando como se respondesse a um chamado antigo demais para ser lembrado. Ele ergueu a mão e a agarrou em pleno ar, no instante em que a desembainhou pela primeira vez, a lâmina curta se alongou, transformando-se diante de seus olhos.

A kodachi tornou-se uma katana imponente, uma lâmina marcada por runas profundas que pulsavam com luz própria, símbolos que não pertenciam a língua alguma ainda falada. O ar estremeceu, Shimaru respirou fundo e, pela primeira vez, deu voz ao pacto que selara com o próprio espírito.

— Shishihenge… E o relâmpago caiu como um decreto dos céus.

A explosão de luz envolveu seu corpo, rasgando o ar, dobrando o espaço ao redor. Dentro do clarão, Shimaru mudou, não em agonia, mas em afirmação. A forma humana cedeu lugar a algo maior, mais denso, mais antigo, um leão humanoide emergiu do relâmpago, musculatura poderosa, juba dourada em movimento constante, olhos ardendo com inteligência e domínio. Uma armadura de samurai se formou sobre seu corpo, placas vivas, ancestrais, moldadas para a guerra e para o limite e quando seus pés tocaram o solo novamente, a terra cedeu sob o peso daquela existência.

A criatura da Mantor recuou pela primeira vez, e a voz que ecoou não era mais apenas de homem.

— Lion-Maru… KENZAN!

O monstro humano pareceu então sair do transe, percebeu que sua vida realmente corria perigo, e como reação instintiva, rugiu, avançando com arrogância tardia, certo de que força bruta ainda seria suficiente. Não foi.

Lionmaru moveu-se uma única vez, um único passo, um único golpe, e a katana ancestral descreveu um arco perfeito no ar, silencioso e absoluto. O corpo da criatura se partiu ao meio antes mesmo de compreender o que havia enfrentado, suas duas metades caíram separadas, sem glória, sem resistência, sem tempo para arrependimento. O campo voltou ao silêncio.

Sob a lua quebrada, pela primeira vez, o mundo entendeu que aquilo que caminhava não era um salvador, e sim um limite final para os intentos de Mantor.

Quando a espada desceu pela última vez, a transformação reverberou em seu corpo e retornou a origem, ossos cederam, músculos se rearranjaram, a respiração se tornou profunda e pesada e começou a normalizar, como se o mundo exigisse mais ar para continuar existindo. O corpo suportou. Não houve gritos ou agonia.

A partir dali, cada confronto ensinaria algo novo, em Hoshikawa, Shimaru escoltou idosos por trilhas esquecidas enquanto o fogo consumia apenas os armazéns da Mantor, onde eram mantidos em trabalho escravo.

Em Iwakura, ele arrombou as portas de um templo profanado, onde o incenso escondia o cheiro do medo e crianças eram oferecidas como moeda para preservar as vidas covardes dos sacerdotes. Arrancou-as das sombras, uma a uma, enquanto os monges imploravam por uma misericórdia que jamais concederam aos inocentes. Não os matou, os deixou desarmados para enfrentarem a consequência de suas escolhas na próxima horda de rastejantes que viessem ao local colher oferendas!

Cada escolha fortalecia algo invisível, cada vida poupada reforçava o limite. Shimaru compreendeu, não por palavras, mas por tensão constante, que aquela força não fora criada para salvar, fora criada para dominar, e que, se ele cedesse ao ódio puro, apenas substituiria um tirano por outro.

O jovem então dedicou-se vigiar a si mesmo com mais rigor do que qualquer inimigo. Cada vila protegida não era vitória, era fortalecimento interior, cada criança retirada da guerra não era redenção, era força para contenção interna. E assim, passo a passo, coração firme contra a noite das trevas em seu âmago, Shimaru mantinha seu mundo em pé, não por estar vendendo o que ele considerava o mal, mas sim porque não estava deixando que algo pior tomasse seu lugar.

Continua...




























Um comentário:

  1. Esse é o Lion-Maru que eu queria ter visto .

    Visceral , intenso ...
    Mas, auto-vigilante consigo mesmo.

    Shimaru está correto.

    Se ele não se policiar, se tornará um tirano pior que os Mantor.


    Eu curti essa ideia que o leão ancestral é uma força destruidora e de poder.

    Essa dualidade e como Shimaru lidar com ela, faz dessa releitura muito bacana.


    Estou curtindo muito!

    Parabéns, veio!

    Matou a pau!

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