sexta-feira, 18 de setembro de 2026

ARTIGO: JIRAYRIDER ASSISTIU...JIRAYRIDER RECOMENDA - EPISÓDIO 02 - GAVV

  

 

JIRAYRIDER ASSISTIU... JIRAYRIDER RECOMENDA

 

NOS ENGANARAM DIREITINHO: O ROTEIRO NADA DOCE DE GAVV

Kamen Rider Gavv — quando uma série sobre doces resolveu amargar a nossa alma

 

Olá, leitores do Nipo Heroes!

SAUDAÇÕES JIRAYRIDERANAS!

ATACK RIDE... GOTCHANKOOOO!!!

Sim, meus amigos, o Jirayrider voltou!

Após o primeiro artigo falando sobre a série Kamen Rider Ryuki, aqui estamos nós para mais uma viagem pelo universo dos Kamen Riders.

E desta vez vamos falar de uma série que conseguiu uma proeza que eu sinceramente não esperava:

uma série que me enganou.

Mas me enganou bonito!

Daquelas que fazem você olhar para trás e pensar:

“Malditos roteiristas!”

Estou falando de...

KAMEN RIDER GAVV!

E já vou avisando:

Se você acha que uma série sobre doces necessariamente precisa ser doce, alegre e colorida...

Meu amigo...

Nós fomos enganados direitinho.

PRIMEIRO, PRECISO CONFESSAR UMA COISA...

Antes de falar de Gavv, preciso voltar um pouquinho no tempo.

Eu estava decepcionado com o final de Kamen Rider Gotchard.

E olha que Gotchard tinha tudo para ser uma série excelente!

Alquimia.

Cartas.

Criaturas.

Mistério.

Uma proposta que poderia render uma história fantástica.

Mas, para mim, o roteiro acabou se perdendo em determinados momentos. A narrativa ficou confusa e algumas ideias que pareciam promissoras não receberam o desenvolvimento que eu esperava.

Uma verdadeira “colcha de retalhos”, numa linguagem popular.

O filme pós-série, The Future Daybreak, ou “O Futuro do Amanhã”, amenizou um pouco a frustração, ligando algumas pontas soltas, principalmente no que diz respeito à personalidade de Hotarou Ichinose, o Kamen Rider Gotchard.

Mas não foi suficiente para tirar a má impressão de um final frustrante.

Isso, porém, é assunto para outro artigo.

E aí veio a notícia:

A série seguinte seria...

Kamen Rider Gavv.

E qual era o tema?

DOCES!

Doces! Balas! Chocolates! Gomas!

Meu Deus do céu — pensei, incrédulo.

Gente... depois de uma série sobre alquimia que tinha me deixado decepcionado, agora vinha um Rider baseado em guloseimas?

É sério isso?

Eu olhei para aquilo e pensei:

“Ah, não vou assistir.”

Inclusive, falei isso no grupo de fictors da Mindstormpro.

Não escondi minha opinião.

Eu realmente não estava interessado.

Aí me lembrei de Kamen Rider Gaim, cujo tema era frutas e que teve uma das melhores histórias da segunda fase da Era Heisei.

Se uma série sobre frutas foi surpreendente, uma sobre doces também poderia surpreender.

Não posso ser preconceituoso a esse ponto.

“Quer saber? Vou dar uma chance”, pensei comigo mesmo.

O máximo que poderia acontecer era eu não gostar e descartar.

Até que eu assisti ao primeiro episódio.

E aí aconteceu uma coisa que eu não esperava:

EU ESTAVA COMPLETAMENTE ERRADO!

Porque o primeiro episódio de Gavv me deu um choque.

Aquilo não era a série leve e açucarada que eu imaginava.

Havia dor.

Havia solidão.

Havia uma atmosfera sombria e pesada.

Havia um protagonista carregando um passado que claramente não seria resolvido com uma simples transformação e uma batalha contra monstros.

E eu terminei o episódio pensando:

“Opa...”

Depois veio outro.

E outro.

E outro!

Quando percebi, estava esperando ansiosamente pelo próximo.

E isso aconteceu praticamente até o final.

Malditos roteiristas! Eles nos enganaram direitinho! 

 
Doce? Só na embalagem 


UM KAMEN RIDER QUE COMEÇA DOCE... MAS DEIXA UM GOSTO AMARGO

A grande surpresa de Gavv está justamente aí.

A série utiliza uma estética que poderia facilmente resultar em algo infantil ou excessivamente colorido.

Mas o roteiro decide seguir por outro caminho.

Um caminho nada doce.

E aqui preciso fazer uma observação que considero particularmente importante.

Em alguns momentos, Gavv parece resgatar uma tradição que esteve muito presente nos Kamen Riders clássicos da Era Showa e que acabou ficando um pouco menos central em algumas produções mais recentes.

Não significa que Gavv seja uma série Showa.

Muito pelo contrário.

É uma produção moderna, com linguagem Reiwa, ritmo contemporâneo, humor próprio e uma estética completamente atual.

Mas, na construção de seu protagonista e de alguns de seus conflitos, existe uma essência muito familiar aos primeiros Riders.

A ideia do herói marcado por uma tragédia que não escolheu.

A transformação ligada ao sofrimento.

A cirurgia.

A relação complicada entre humanidade e monstros.

A existência de criaturas que, apesar de monstruosas, possuem histórias e sentimentos.

E até determinadas referências visuais.

Tudo isso está presente.

Gavv recupera elementos da tradição clássica sem deixar de ser uma série Reiwa.

E isso é justamente o que torna Shoma tão interessante.

Temos uma história densa, sombria, dramática, comovente e surpreendente.

E o mais interessante é que a série não abandona sua identidade.

Os doces continuam ali.

As transformações continuam tendo aquela estética divertida.

Os elementos visuais continuam chamando atenção.

Mas, por trás de tudo isso, existe uma história muito mais pesada.

E é aí que Gavv começa a conquistar o espectador.

SHOMA: UM PROTAGONISTA CARREGANDO MUITO MAIS DO QUE UM GAVV

Quero deixar bem claro a vocês, prezados leitores do Nipo Heroes, que não pretendo trazer spoilers sobre o desfecho da história ou sobre o destino final dos personagens.

O que vou abordar aqui são elementos da premissa, da apresentação dos personagens e dos conflitos estabelecidos desde o início da narrativa.

Afinal, conhecer a origem de um personagem não significa necessariamente descobrir como a história termina.

Nesse contexto, iniciamos falando do protagonista da história:

o jovem Shoma.

Porque a história dele é o coração emocional da série.

Shoma não é simplesmente um sujeito que ganhou poderes e decidiu sair por aí combatendo monstros.

Existe um drama pessoal muito forte envolvendo sua origem, sua família, sua identidade e a maneira como ele enxerga o mundo.

E é exatamente na origem que a série acerta em cheio.

Para início de conversa, Shoma é um ser híbrido:

meio humano, meio Granute.

Os Granutes são uma civilização que vive em outra dimensão.

Shoma é filho de Michiru Inoue, uma mulher humana que se relacionou com Bouche Stomach e, por causa disso, acabou presa no mundo Granute. 

 
Michiru Inoue,  a mãe humana de Shoma 

 
Bouche Stomach, o pai granute de Shoma 


Depois da morte misteriosa de Bouche, os próprios filhos dele mataram Michiru e expulsaram Shoma, rejeitando-o por aquilo que ele representava:

a prova viva de que o pai deles tinha amado uma humana.

Ou seja, Shoma cresce sem pertencer completamente a nenhum dos dois mundos.

Rejeitado pelos Granutes por ser meio humano.

E, ao mesmo tempo, carregando dentro de si uma origem que ele mal compreende.

É justamente aqui que percebo um dos elementos mais interessantes de Gavv.

Shoma recupera uma característica muito forte dos protagonistas clássicos da Era Showa.

Ele não escolheu sua condição.

Não escolheu ser diferente.

Não escolheu carregar dentro de si algo que o tornaria alvo daqueles que deveriam aceitá-lo.

A tragédia foi colocada sobre ele.

E, mesmo assim...

ele decide lutar.

É uma ideia muito presente nos primeiros Kamen Riders e que acabou ficando um pouco menos central em algumas produções mais recentes.

Gavv recupera essa tradição, mas a apresenta dentro de uma linguagem moderna.

Por isso, para mim:

Shoma é um protagonista Reiwa com uma alma profundamente Showa.

Por um portal de acesso, ele acaba caindo na Terra.

A primeira pessoa que o acolhe é um garoto chamado Hajime, que o encontra caído à beira da praia, numa cena cuja referência remete ao que aconteceu com Shoichi Tsugami, o Kamen Rider Agito.

Ao despertar, Shoma percebe que está no mundo de sua mãe e se encanta com a Terra, jurando defendê-la com todo o seu amor.

O garoto Hajime, ao perceber que Shoma estava com fome, oferece-lhe uma goma de mascar.

Ao provar a guloseima, Shoma se lembra da mãe dizendo que adorava os doces da Terra e que queria um dia prová-los novamente com ele.

Essa lembrança imediatamente causa uma reação inesperada no dispositivo que foi inserido em seu abdômen através de uma cirurgia contra a sua vontade e que lembrava uma grande boca.

Uma caixinha contendo a referida goma é criada, ganha vida própria e começa a falar com Shoma, que entende perfeitamente o que a caixinha lhe diz. 

 
Gochizo,  uma fonte de vida primária  e de tempo limitado de vida, fonte do poder de Gavv, prodizido pela mente de Shoma, quando come um doce, associado a uma lembrança nostálgica ou forte emoção. 
O GavvDriver materializa o Gochizo de acordo com as emoções de Shoma.
Cada Gochizo tem as caracteristucas de um doce específico. 


Gavv Driver , inspirado em Build, constitui-se nuna grande boca inserida por uma cirurgia no abdômen de Shoma, capaz de produzir Gochizos e transformar Shoma em Gavv. 


Hajime fica perplexo e tenta fugir.

Mas, nesse instante, um Granute aparece e o ataca.

Decidido a defender a criança que foi tão generosa com ele — e orientado pela caixinha, que implora que ele a utilize —, Shoma gira várias vezes a manivela da grande boca inserida em seu abdômen.

A energia da caixinha é potencializada.

E, para sua surpresa, ele se transforma em um guerreiro colorido, baseado na guloseima, mas que possui, ao mesmo tempo, um aspecto bastante bestial.

Surgia assim...

KAMEN RIDER GAVV!

O que mais me surpreendeu no capítulo de estreia foi que Shoma ainda deu uma chance para o ser Granute se redimir, perguntando:

“Como vai ser? Você deixará de atacar os humanos ou eu serei obrigado a te matar?”

Forte, não é mesmo?

Shoma salva o garoto. 

Nesse instante , a mãe de Hajime aparece e vê o filho sendo salvo por Gavv, mas se apavora com sia aparência, gritando para se afastar de seu filho, chamando-o de aberração.

O garoto reprrende a mãe, dizendo que foi salvo por ele, mas Gavv, cabisbaixo , parte e tenta compreender como é a vida na Terra.

Só que a fome era o grande problema para Shoma.

Devido à fraqueza, ele acaba desmaiando em um banco de uma praça e é encontrado por Sachika Amane, CEO da empresa Happipare, que, sem pestanejar, o acolhe e lhe oferece um emprego.

É assim que a série começa.

Os primeiros capítulos focam na adaptação de Shoma à realidade da vida humana e no seu medo de revelar sua verdadeira natureza, temendo ser ainda mais rejeitado do que já fora por seus irmãos da família Stomach.

Ele, do mesmo modo que agiu com Hajime, tenta se afastar de Sachika.

Mas a ação dos Granutes no mundo humano faz com que os caminhos dos dois se cruzem constantemente, até que Shoma finalmente aceita ser funcionário de Sachika em troca de comida e abrigo.

Os capítulos iniciais passam e, quanto mais descobrimos sobre ele, mais difícil fica assistir.

Porque a série vai revelando aos poucos que aquele rapaz aparentemente simples está carregando uma quantidade enorme de sofrimento.

E isso funciona muito bem.

O roteiro não joga todas as respostas na nossa cara imediatamente.

Ele vai construindo.

Vai apresentando pistas.

Vai criando perguntas.

E, quando algumas respostas finalmente chegam...

Meu amigo...

Você percebe que aquele negócio de doces era apenas a embalagem.

O conteúdo era bem mais amargo. 


O protagonista Shoma Stomach, o Rider com tema de doces com uma história bem bem amarga 

TIO DENTE: O DESERTOR QUE DEU VIDA AO GAVV

É impossível falar da origem de Shoma sem falar do Tio Dente.

Dente é um desertor da família Stomach, um velho Granute fisicamente baseado em uma baleia — uma referência clara ao icônico Monstro Baleia de Black — que decidiu virar as costas para os próprios parentes e acabou se tornando responsável pela operação que instalou o Gavv Driver no abdômen de Shoma.

E esse detalhe muda tudo.

Porque o poder de Shoma não nasce de um acidente qualquer, nem de uma escolha totalmente sua.

Nasce de alguém que decidiu se afastar da própria família para proteger um garoto rejeitado por ela.

Isso dá um peso enorme à relação entre os dois.

Dente não é apenas um mentor.

É, de certa forma, a única figura que tratou Shoma como alguém que merecia cuidado depois que ele perdeu tudo.

E existe ainda um detalhe fascinante ligado a essa operação:

dentro de Shoma existe também o potencial para AkaGavv, o Gavv vermelho.

Essa forma está diretamente ligada às emoções de Shoma ao experimentar doces.

Quanto mais intensa a emoção provocada por aquele sabor, mais forte a reação do corpo dele, produzindo Gochizo, a substância que alimenta essa transformação.

É um detalhe que amarra literalmente a comida ao estado emocional do protagonista.

E, para uma série sobre doces, é um dos achados mais inteligentes do roteiro. 

 
Tio Dente


OS DOCES SOMBRIOS

E aqui chegamos a um dos elementos mais perturbadores de Gavv.

Porque nem todo doce naquele universo é inofensivo.

Existe uma espécie de entorpecente viciante, cobiçado pelos próprios Granutes, feito a partir de prensas humanas.

Leia essa frase de novo.

Uma série que parecia ser sobre balas e chocolates coloridos escondia, dentro da própria premissa, uma metáfora para:

exploração, vício e desumanização.

E é justamente esse tipo de escolha que sustenta o argumento deste artigo.

O doce era só a embalagem.

Porque, quando um universo inteiro constrói sua economia e seus prazeres em cima do sofrimento alheio, fica muito difícil enxergar aquilo como algo simplesmente fofo ou infantil.

É sombrio.

É desconfortável.

É degradante.

E funciona como uma crítica social direta sobre o poder destruidor dos vícios e da exploração.

Colocada, obviamente, dentro de uma sociedade fictícia.

É ou não é estilo Showa raiz?  

 
Prensas humanas- a matéria-prima dos doces sombrios...Pesado!


 
Doces sombrios - feitos á base de...humanos. 
Eu não provaria...


HIDEKAZU CHINEN: QUE PROTAGONISTA!

E aqui preciso fazer uma pausa para elogiar um nome que merece muito destaque:

Hidekazu Chinen, intérprete de Shoma.

Que talento!

Estamos falando de um jovem ator que, aos 16 para 17 anos quando do início das filmagens, conseguiu carregar uma série inteira nas costas.

E não estou dizendo isso simplesmente porque ele é o protagonista.

Estou dizendo porque Chinen conseguiu transmitir várias versões de Shoma, todas convincentes:

o rapaz ingênuo;

o rapaz assustado;

o rapaz alegre;

o rapaz confuso;

o rapaz traumatizado;

o rapaz que precisa amadurecer;

e, principalmente, o ser humano que tenta continuar acreditando nas pessoas mesmo quando a vida lhe dá motivos para fazer exatamente o contrário.

Até quando deu vida aos Dark Shomas, uma versão maligna dele mesmo criada por Kenzo Suga, um dos vilões da série, transformando-se no Blitter Gavv, Chinen deu um show de interpretação.

E aqui faço uma comparação que talvez pareça ousada.

Quando penso em protagonistas que conseguiram dar uma dimensão humana muito forte aos seus Riders, lembro imediatamente de grandes intérpretes como:

Joe Odagiri, o cativante Yusuke Godai de Kuuga;

Takeru Satoh, como o desastrado e divertido Ryotaro Nogami de Den-O;

Masahiro Inoue, como o viajante do tempo arrogante Tsukasa Kadoya de Decade;

e Atsuhiro Inukai, o genial cientista Sento Kiryu de Build.

E agora eu coloco Hidekazu Chinen nessa conversa.

Não estou dizendo que eles interpretam personagens iguais.

Muito pelo contrário!

Cada um possui sua própria linguagem.

Mas existe algo que aproxima esses atores:

a capacidade de fazer o personagem parecer uma pessoa antes de parecer um herói.

E isso é fundamental.

Chinen não interpreta apenas Shoma.

Ele nos faz acompanhar Shoma.

Sentir suas dúvidas.

Sentir suas dores.

Comemorar suas pequenas vitórias.

E sofrer quando ele sofre.

Para um protagonista de Kamen Rider, isso é uma baita conquista.

E é exatamente o que coloca Chinen ao lado desses nomes que citei: não pela semelhança dos personagens, mas pela mesma capacidade rara de fazer a armadura parecer secundária diante da pessoa que existe dentro dela. 




As várias facetas de Hidenazu Chinen, o jovem talentoso ator que entregou tudo em Gavv. 


HANTO: A DOR QUE VIROU VALEN

E então temos o colérico e impulsivo repórter freelancer investigativo Hanto Karakida.

Referência a Shinji Kido, o Ryuki?

Certamente.

Outro personagem que poderia facilmente ser apenas o tradicional “segundo Rider”.

Mas não.

Hanto possui sua própria trajetória, sua própria dor, seus próprios objetivos e, principalmente, uma maneira diferente de reagir aos acontecimentos.

Investigando os misteriosos desaparecimentos de humanos, Hanto acaba se deparando com Gavv em ação e descobre a atuação dos Granutes.

E isso lhe desperta um gatilho doloroso e traumático.

Enquanto Shoma carrega determinados conflitos ligados à sua origem e à sua família, Hanto possui uma relação muito particular com a tragédia que movimenta sua vida:

a dolorosa lembrança do desaparecimento de sua mãe diante dos seus olhos, quando ele ainda era criança, causada por uma criatura que ele tinha certeza de que não era humana, mas cuja lembrança não conseguia recuperar completamente.

Somada à morte do homem que cuidou dele como um filho e lhe ensinou tudo sobre a profissão de jornalismo, foi a gota d’água para Hanto querer fazer justiça com as próprias mãos.

E isso cria uma dinâmica muito interessante.

Não estamos simplesmente diante de dois heróis que lutam lado a lado.

Estamos diante de dois seres humanos tentando lidar com dores diferentes.

E então surge...

KAMEN RIDER VALEN!

Valen, cuja armadura é baseada em uma barra de chocolate, é muito mais do que simplesmente “o segundo Rider”.

Ele é a materialização da trajetória de Hanto.

Ao conhecer o trabalho de pesquisa do misterioso cientista Kenzo Suga sobre os malditos Granutes, confirmando as suspeitas de Hanto de que eles foram responsáveis pelo rapto de sua mãe, ele se voluntaria para sofrer a cirurgia e implantar em seu abdômen um órgão Granute que lhe dava condições de usar um Gochizo que Suga discretamente roubou de Shoma, em uma cena muito forte.

Era como se eu estivesse revendo a cena de operação do Issamu Minami e de seu irmão de criação, Nobuhiko Akizuki, em Black.

O impacto foi o mesmo, pelo menos para mim.

Olha a Era Showa de volta, novamente!

Sua armadura carrega visualmente aquela mistura de doces, tecnologia e agressividade que combina tão bem com a proposta de Gavv.

E, narrativamente, Valen representa o quanto Hanto foi transformado pelos acontecimentos.

Hanto não recebe simplesmente um poder.

Ele assume uma responsabilidade.

E isso dá peso às suas batalhas.

Yusuke Hino, o ator que dá vida a Hanto, conseguiu transmitir muito bem essa intensidade.

Seu olhar colérico e angustiado nos faz ter empatia pelo personagem de cara.

Não tem jeito:

a gente sofre junto.

É importante frisar que Hanto é diferente de Shoma.

E isso é ótimo!

Porque, se os dois fossem iguais, teríamos um protagonista duplicado.

Hanto questiona.

Hanto se revolta.

Hanto sofre.

É passional ao extremo.

Toma decisões difíceis — muitas vezes, precipitadas.

E é justamente por isso que ele funciona tão bem ao lado de Shoma. 

 
Hanto Karakida

 

 
Kamen Rider Valen, o Rider inspirado em chocolate 





RAKIA: O GRANUTE QUE MUDOU A EQUAÇÃO

E então chegamos a Rakia Amarga, personagem que aparece quase na metade da série.

Aqui a série dá outro passo importante.

Porque Rakia não é simplesmente mais um personagem entrando na história.

Ele traz consigo uma perspectiva que Shoma e Hanto não poderiam oferecer:

a perspectiva de um Granute.

Um Granute que também teve uma perda dolorosa ao ver seu irmão caçula, Komel, morrer em seus braços, brutalmente assassinado por se recusar a continuar trabalhando na captura de humanos para as prensas que eram matérias-primas para a produção dos doces sombrios, tão apreciados pela sociedade Granute.

E então temos...

KAMEN RIDER VRAM!

O Kamen Rider baseado num pudim!

Pode parecer engraçado:

Kamen Rider pudim!

Mas sua história, tal como ocorreu com Shoma e Hanto, nada tem de engraçada.

O fato é que Rakia acrescenta uma dimensão completamente diferente ao grupo.

Se Shoma é aquele que tenta compreender o outro e Hanto é movido por uma dor humana muito intensa, Rakia nos permite olhar para aquele conflito pelo outro lado.

E isso é muito importante.

Porque Gavv poderia facilmente ter construído uma divisão simplista:

humanos bons, Granutes maus.

Mas não fez isso.

Rakia quebra essa lógica.

Ele demonstra que o mundo Granute possui indivíduos diferentes, com histórias, interesses e valores diferentes.

E isso amplia a discussão da série.

Kohei Shoji, que já havia brilhado em Mashin Sentai Kiramager, de 2020, conseguiu dar ao personagem uma personalidade própria, fazendo Rakia se encaixar no grupo sem simplesmente copiar a dinâmica dos outros dois Riders.

Ao adotar um estilo durão, rabugento e implicante, principalmente com Hanto e Sachika, Shoji deu a Rakia uma camada cômica que equilibrou com maestria sua história traumática, enriquecendo ainda mais o personagem. 

 
Rakia Amarga - forma humana 


Rakia Amarga em sua forma Granute

 
Kamen Rider Vram, o Kamen Rider pudim



SHOMA, HANTO E RAKIA: UM TRIO QUE FUNCIONA!

E aqui está uma das coisas que considero mais interessantes em Gavv.

Shoma, Hanto e Rakia formam um núcleo extremamente forte.

E a palavra que eu usaria é:

SINERGIA.

Porque os três não são iguais.

E justamente por isso funcionam.

Shoma traz o coração.

Hanto traz a indignação.

Rakia traz uma perspectiva diferente sobre os Granutes.

Shoma procura compreender.

Hanto quer justiça.

Rakia carrega a experiência de quem conhece aquele outro mundo por dentro, apesar de também querer justiça por seu irmão.

É quase como se cada um completasse uma parte que falta aos outros.

E isso cria uma dinâmica muito boa.

Eles podem discordar.

Podem se irritar um com o outro.

Podem tomar decisões diferentes.

Mas existe uma complementaridade.

E, quando os três funcionam juntos...

a coisa fica boa!

É um dos melhores núcleos de Riders da Era Reiwa. 


SACHIKA AMANE: A IRMÃ MAIS VELHA DE TODO MUNDO

E agora precisamos falar dela.

Porque quanto mais penso em Sachika Amane, mais percebo que ela ocupa um lugar muito especial dentro da história.

Sachika não é simplesmente “a garota que ajuda os Riders”.

Ela funciona quase como uma irmã mais velha protetora daquele núcleo.

A proprietária da empresa Happipare, que tem a missão de fazer qualquer pessoa que solicite seus serviços feliz, numa história tão sombria quanto Gavv, é a luz da esperança que emerge radiante e faz com que acreditemos que a humanidade tem jeito.

Empatia.

Amor ao próximo.

Solidariedade.

Humanidade.

Tolerância com o diferente.

Sachika é a síntese de todos esses sentimentos nobres.

E isso aparece até na maneira como ela chama cada um.

Com Shoma, ela tem um carinho especial.

Ela o chama de:

UMASHO!

E, convenhamos...

Parece doce!

É praticamente um apelido feito sob medida para um personagem de Gavv.

Rsrsrs.

Mas existe algo muito bonito nessa relação.

Sachika percebe as fragilidades e a imaturidade de Shoma — uma criança no corpo de um jovem.

Ela o acolhe.

Ela o protege.

Ela dá bronca quando precisa.

E, ao mesmo tempo, trata aquele rapaz como alguém que merece carinho.

É quase uma relação de irmã mais velha e irmão caçula.

E COM HANTO?

Aí muda a história!

Porque Hanto não recebe o mesmo tratamento.

Para ele, Sachika é praticamente a irmã mais velha durona.

Aquela pessoa que olha para o sujeito e pensa:

“Você precisa parar de fazer besteira.”

Rsrsrs.

E ela o chama carinhosamente de:

HANTY!

E aqui temos outra brincadeira com doces.

Hanto deveria ser mais doce...

como um chantilly!

Kkkkk.

Essa dinâmica é ótima porque mostra que Sachika não trata todo mundo da mesma maneira.

Com Shoma, ela é mais protetora.

Com Hanto, ela pode ser mais firme.

Ela sabe quando acolher.

E sabe quando dar aquela bronca necessária.

E RAKIA?

Bom...

Aqui temos uma camada diferente.

Existe um sentimento platônico, muito sutil, da parte de Sachika em relação a Rakia.

Nada exagerado.

Nada que transforme a série em novela.

É justamente aquele pequeno detalhe que você percebe nas entrelinhas.

E ela chama Rakia de:

LAKIAN!

Um apelido que combina com a proposta dos doces e que, de certa forma, combina com o próprio Rakia:

um pudim achocolatado!

E isso é muito interessante porque mostra outra faceta de Sachika.

Ela consegue olhar para três personagens completamente diferentes e estabelecer uma relação particular com cada um.

Umasho.

Hanty.

Lakian.

Três apelidos.

Três relações.

Três formas diferentes de carinho.

E isso reforça uma coisa que considero fundamental:

SACHIKA É O ELO HUMANO DO GRUPO.

UMA RIDER SEM ARMADURA

E é justamente por isso que faço uma afirmação ainda mais forte:

Sachika Amane está no panteão das grandes personagens femininas da franquia Kamen Rider.

E não estou falando apenas de Gavv.

Quando penso em personagens femininas que ajudaram a dar alma às séries, lembro de:

Yuriko Misaki, a Tackle de Stronger;

Kyoko Aizuki, de Black;

Reiko Shiratori, de RX;

Sakurako Sawatari, de Kuuga;

Yui Kanzaki, de Ryuki;

Airi Nogami e Hana, de Den-O;

Natsumi Hikari, de Decade;

Akiko Narumi, de W;

Poppy Pipopapo, de Ex-Aid;

Misora Isurugi e Sawa Takigawa, de Build;

Izu, de Zero-One;

Mei Sudo, de Saber;

e Sakura Igarashi, de Revice.

Agora acrescentem:

Sachika Amane.

Porque ela possui uma característica que parece simples, mas é extremamente poderosa:

ela se importa.

Ela acolhe.

Ela escuta.

Ela ajuda.

Ela oferece carinho quando o mundo ao redor parece ter esquecido o significado dessa palavra.

E isso é muito mais importante do que parece.

Porque empatia é um sentimento nobre.

E, ao contrário de determinadas tendências passageiras...

EMPATIA NUNCA SAI DE MODA.

Sachika representa justamente isso.

Ela não precisa de Driver.

Não precisa de transformação.

Não precisa de uma forma final.

Porque aquilo que ela oferece aos outros personagens é uma coisa que nenhuma armadura consegue fabricar:

humanidade.

Por isso, para mim:

SACHIKA É UMA KAMEN RIDER SEM ARMADURA. 

 
Sachika Amane: a empatia em pessoa- uma personagem memorável 


A FAMÍLIA STOMACH: CINCO VILÕES, CINCO PERSONALIDADES

Agora precisamos falar de um dos grandes acertos da série: a família Stomach. 


A terrível familia Stomach - Nievl, Glotta, Lango, Shita e Jeep - os irmãos barra pesada de Shoma 



Os problemáticos irmãos que renegam Shoma e comercializam os doces sombrios.

E aqui eu preciso aprofundar um pouco.

Porque não acho justo tratar Lango, Glotta, Nielv, Shita e Jeep simplesmente como “a família dos vilões”.

Eles possuem personalidades diferentes.

E isso é fundamental.

LANGO STOMACH — O PODER

Comecemos por Lango, o mais velho.

Lango representa a autoridade.

Possui aquela presença de quem está acostumado a ocupar uma posição de poder e não precisa necessariamente sair correndo para demonstrar que é perigoso.

A própria maneira como se comporta já transmite autoridade.

Isso ajuda a estabelecer a família Stomach como uma estrutura de poder.

Lango não é apenas um adversário de Shoma.

Ele representa todo um sistema de ganância e poder que se estabelece à custa dos vícios e da miséria moral de grande parte da sociedade Granute.

E isso torna o conflito maior. 


 
Lango Stomach, o líder da familia Stomach


GLOTTA STOMACH — A FORÇA DA FAMÍLIA

Depois temos Glotta, a perigosíssima e traiçoeira.

Aqui novamente o roteiro evita criar uma personagem feminina simplesmente colocada ali para completar o grupo.

Glotta possui personalidade, presença e uma maneira própria de agir.

Ela é quem mais parece disposta a fazer o que for preciso para manter a família unida.

E é justamente essa lealdade quase cega que a torna imprevisível.

Nunca se sabe se ela vai proteger alguém ou destruí-lo por causa dessa mesma lealdade.

Ela ajuda a mostrar que os Stomach não funcionam como uma organização militar formada por soldados que obedecem ordens.

Eles são uma família.

E família...

Bom...

Todo mundo sabe que pode ser complicada!

Rsrsrs. 

 
A perigosa Glotta Stomach 


NIELV STOMACH — QUANDO A CIÊNCIA ASSUSTA

E então temos Nielv.

Para mim, um dos personagens mais interessantes justamente porque representa uma face diferente da ameaça.

Enquanto alguns vilões trabalham pela força, pela autoridade ou pelos interesses da família...

Nielv representa o lado científico.

A frieza analítica.

A ação discreta nos bastidores.

A ardilosidade cínica e conspiratória, típica de uma cobra — justamente na forma Granute em que ele se manifesta —, sempre pronta para dar o bote na hora certa.

Isso cria uma ligação interessante com a própria discussão sobre tecnologia, experimentação e criação dos Riders.

É aqui que a presença de Kenzo Suga, de quem falaremos um pouco mais à frente, poderia ter sido ainda mais aproveitada.

O roteiro tinha material para criar uma conexão ainda mais forte entre ciência, criação de armas e os conflitos que deram origem a Valen.

Nielv, com seu pé nesse mesmo terreno científico, poderia ter sido a ponte natural para isso. 

 
O maquiavélico cientista Nievl Stomach


SHITA STOMACH — A FAMÍLIA NÃO É UM BLOCO ÚNICO

Shita também merece ser lembrada.

Ela ajuda justamente a mostrar que a família Stomach possui diferentes personalidades.

E isso pode parecer um detalhe.

Mas não é.

Enquanto Lango impõe e Glotta executa, Shita é quem observa — a que parece sempre calculando o próximo passo antes de agir.

É esse contraste, mais do que qualquer confronto direto, que dá à família uma textura de gente de verdade, não de peças intercambiáveis de um mesmo time.

Quando uma família de vilões possui integrantes que pensam e agem de maneira diferente, ela se torna mais interessante.

Você não está enfrentando “os Stomach”.

Você está enfrentando:

Lango.

Glotta.

Nielv.

Shita.

Jeep.

Cada um com uma identidade muito bem definida. 


 
Shita Stomach, a caçula e irmã gêmea de Jeep


JEEP STOMACH — PRESENÇA E PERSONALIDADE

E finalmente temos Jeep, o irmão gêmeo de Shita.

Um personagem que ajuda a completar esse núcleo e que possui uma presença própria dentro da família.

Os laços afetivos com sua irmã gêmea e a tragédia oriunda dos acontecimentos da série — voluntariamente omitidos por este autor — dão a Jeep uma nuance que o diferencia dos demais.

Posso garantir:

Em certos momentos, por mais vilão que seja, ainda assim sentimos empatia por ele.

Por incrível que pareça.

Isso não significa que precisamos concordar com ele ou gostar dele.

A questão é outra:

ele é memorável.

E isso é importante.

Um bom vilão não precisa necessariamente ser amado.

Precisa deixar marca.

E os Stomach deixaram. 

 
O Problemático Jeep Stomach, irmão gêmeo de Shita 


 
Familia Stomach Forma Granute 

 


O MUNDO GRANUTE

Não podemos falar da família Stomach sem nos reportarmos à sociedade Granute e a toda a sua dinâmica de funcionamento.

Outro aspecto que me surpreendeu.

A série não utiliza simplesmente os Granutes como monstros aleatórios que aparecem semanalmente para apanhar do Rider.

Existe uma sociedade.

Existe uma cultura.

Existem famílias.

Existem padrões comportamentais.

Existem vícios.

Existem relações de poder.

Existem interesses.

Existem conflitos.

E, principalmente...

existem indivíduos.

Rakia/Vram é fundamental para que percebamos isso.

O mundo Granute não é simplesmente “o mundo dos vilões”.

É um mundo com suas próprias regras.

Na verdade, o mundo Granute funciona como uma crítica social implícita que os roteiristas inseriram brilhantemente na série — a mesma crítica social que funcionou tão bem em Build, Zero-One e Geats e que torna a franquia Kamen Rider não tão infantil como se possa supor, com toda a sua filosofia.

Um espelho de nossa própria sociedade.

Tocar nessas feridas é justamente uma das coisas que Kamen Rider faz de melhor. 

 
O mundo Granute


BOCCA E LIZEL ZALDACK — QUANDO MAIS NÃO SIGNIFICA MELHOR

E justamente por isso minha crítica à entrada de Bocca Zaldack, o presidente corrupto e ambicioso da Sociedade Granute, que descobre na comercialização dos doces sombrios uma perspectiva de se manter no poder, e sua filha, a mimada, fútil e manipuladora Lizel Zaldack, fica ainda mais forte.

Não acho que sejam personagens necessariamente ruins.

O problema é outro.

Eles chegam quando o núcleo dos Stomach já tinha identidade própria.

E, para mim, acrescentaram pouco.

Mais do que isso:

acabaram diminuindo um pouco o impacto da família que já conhecíamos.

Quando você tem personagens com personalidades, conflitos e relações próprias, adicionar novos integrantes perto do fim precisa ter uma justificativa narrativa muito forte.

Eu preferia que o roteiro tivesse aprofundado ainda mais os Stomach que já conhecíamos.

Porque eles tinham material suficiente.

Se analisarmos bem, os dois pouco — ou quase nada — acrescentaram à trama. 

 
Bocca Zaldack, o presidente Granute

 
Lizel Zaldack , a herdeira mimada 


KENZO SUGA — O VILÃO QUE PODERIA TER SIDO O GRANDE MONSTRO

E aqui chegamos a uma das minhas maiores críticas:

Kenzo Suga.

Meu amigo...

O que fizeram com esse homem?

Que desperdício de material!

Aqui, os roteiristas deram uma grande bola fora.

Kenzo Suga tinha potencial para ser o grande vilão da história.

Um cientista ambicioso e, ao mesmo tempo, ambíguo e perigoso.

Uma figura responsável por acontecimentos fundamentais.

Alguém ligado diretamente à criação da armadura de Kamen Rider Valen.

Ou seja...

Estamos falando de um personagem diretamente conectado a um dos principais Riders da série.

Isso é enorme!

Sem contar que foi ele quem criou cópias genéticas malignas perfeitas de Shoma, os famigerados Blitter Gavvs, que deram muito trabalho para o trio de Riders — algo que Nielv, por exemplo, com toda a sua sabedoria, não foi capaz de fazer.

Portanto, temos um humano cuja capacidade científica se mostrou, naquele momento, superior à do próprio cientista Granute.

E havia uma oportunidade fantástica aí.

Suga poderia ter sido o ponto de encontro entre:

ciência;

criação de armas;

manipulação;

e as consequências humanas de tudo aquilo.

Poderíamos ter visto mais profundamente suas motivações, sua ética distorcida e sua relação com Hanto.

Isso daria ao personagem um peso ainda maior.

Ele não seria simplesmente “o cientista maluco”.

Seria alguém cuja inteligência ajudou a produzir uma ferramenta que acabou mudando a vida de um dos heróis.

E aí está minha maior frustração.

O potencial estava ali.

Tudo indicava que ele poderia ocupar um espaço gigantesco na história, talvez até se tornar um dos vilões mais marcantes da franquia.

Algo que, convenhamos, não vem acontecendo desde Evolto em Build.

Mas o desenvolvimento que recebeu, para mim, foi decepcionante.

Se eu pudesse...dava uma coça nos roteiristas.

Rsrsrs.

Suga poderia ter sido muito mais.

Eu queria mais desenvolvimento.

Mais consequências.

Mais impacto.

Mais presença.

Kenzo Suga poderia ter ocupado um espaço muito maior na reta final.

E, particularmente, achei que o roteiro desperdiçou uma excelente oportunidade.

Minha certeza só aumenta quando percebo o quão dispensáveis foram Bocca e Lizel.

Coisa de roteiristas... vá entender. 

 
Kenzo Suga, um personagem intrigante que foi mal aproveitado na série...
Uma pena! 

 
Blitter Gavv 

 
Kamem Rider Bake - criações de Suga 




O VISUAL DAS ARMADURAS

Nossa viagem prossegue.

Agora vamos falar de uma coisa que, para mim, merece muitos elogios:

as armaduras.

Eu confesso que, quando ouvi que o conceito seria baseado em doces, fiquei com medo.

Muito medo!

Porque existe uma linha muito tênue entre:

“Que criativo!”

e:

“Meu Deus... o que fizeram com o Rider?”

Rsrsrs.

Faiz, Kabuto, W, Wizard e Zero-One são exemplos de visuais maravilhosos e icônicos que até hoje são lembrados.

Embora o visual não defina a qualidade de uma série — Ex-Aid é o exemplo clássico —, coisas muito bizarras acabam afastando alguns espectadores, e histórias incríveis são deixadas de lado.

Mas Gavv acertou em cheio na maior parte das vezes.

Os designs são muito bons.

As armaduras conseguem incorporar os elementos dos doces sem parecer simplesmente uma fantasia de confeitaria.

Existe identidade.

Existe agressividade.

Existe tecnologia.

Existe presença.

Existe um tom bestial, que mistura a natureza híbrida de Shoma, metade humano e metade Granute, com o tema doce.

Claro que existem exceções.

Para mim, a forma Fuwamallow, baseada em um marshmallow, não funciona tão bem quanto outras.

A geringonça desengonçada da forma Gurucan, baseada em um pirulito, é outra que me gera incômodo.

Muito incômodo.

Além de desproporcional e pesada, é visualmente bizarra.

Só mesmo CGI para representá-la!

Duvido que um Suit Actor consiga vesti-la.

Como se movimentar minimamente com aquilo?

Mas, no conjunto...

Gavv possui uma das linhas visuais mais interessantes da Era Reiwa, sobretudo nas formas do final da série.

Essas são maravilhosas:

agressivas;

bestiais;

impactantes.

E isso é uma surpresa considerando o tema.

Dois ou três erros, no máximo, é pouco.

Tem séries que erraram muito mais nesse quesito.

Fica o meu registro.

No meu balanço visual, Gavv leva 8,5.

O GAVV DRIVER: UMA REFERÊNCIA A BUILD QUE FUNCIONA

Outra coisa que gostei bastante foi o Gavv Driver.

A referência a Kamen Rider Build é perceptível e, para mim, funciona muito bem.

E aqui não estou falando apenas de estética.

A própria ideia do equipamento combina com o conceito da série.

É uma tecnologia que parece fazer parte daquele universo.

E, quando uma série consegue fazer o brinquedo parecer parte da narrativa, já temos um ponto positivo.

Gavv não parece estar simplesmente dizendo:

“Olha aqui o novo brinquedo!”

O Driver possui função dentro da história.

E isso ajuda bastante na imersão.  

 
Forma básica de Gavv- PoppinGummy, baseadacem balas de gomas e chiclete


 
Algumas formas bacanas de Gavv.... 

 

Outras , ao contrário, são bizarras. 
Forma Gurukan (pirulito) - que p....é essa?

 
Forma Fuwamallow- horrível!





A ABERTURA QUE GRUDA COMO CHICLETE 


ABERTURA GAVV

E vamos falar da abertura!

Porque...

MEU AMIGO!

Que música grudenta!

Você ouve uma vez.

Depois outra.

Depois outra.

E, quando percebe, está cantando mentalmente no banho.

Rsrsrs.

Gruda como chiclete!

Mas existe algo ainda mais interessante.

A própria abertura consegue representar muito bem o que é Gavv.

Ela começa com aquela energia leve.

Sorridente.

Colorida.

Quase divertida.

E, conforme avança, a atmosfera muda.

A música e as imagens começam a revelar que existe algo muito mais sombrio por trás daquela aparência alegre.

É quase uma apresentação visual da própria série.

Começa doce. Termina amarga.

Exatamente como Gavv.

“Got Boost?”, interpretada por FANTASTICS from EXILE TRIBE, para mim, é icônica.

Entrega tudo o que a série representa.

O ELENCO: TODO MUNDO ENTREGOU O JOGO

Agora preciso elogiar os atores.

Do protagonista aos coadjuvantes.

Todo mundo comprou a proposta.

Hidekazu Chinen, como Shoma, é o grande destaque para mim.

Mas Yusuke Hino, como Hanto, também merece elogios.

Kohei Shoji, como Rakia, conseguiu dar ao personagem uma identidade muito própria.

E Nozomi Miyabe, como Sachika, compreendeu perfeitamente a função emocional da personagem.

Mas não para por aí.

Os intérpretes dos antagonistas também conseguiram fazer com que os vilões fossem mais do que figuras unidimensionais.

E isso é difícil.

Porque interpretar um personagem antagonista exige mais do que simplesmente fazer cara de mal.

É preciso transmitir personalidade.

É preciso mostrar que existe uma pessoa por trás daquela função narrativa.

E Gavv conseguiu isso.

Em determinados momentos, chegamos ao ponto de sentir empatia por personagens que, teoricamente, deveriam ser apenas nossos inimigos.

Isso demonstra o quanto o elenco conseguiu humanizar aquelas figuras. 

 
Um elenco inesquecível 


GAVV É MELHOR QUE GEATS?

Agora chegamos àquela pergunta inevitável.

E aqui eu vou assumir a responsabilidade pela minha opinião:

SIM.

Para mim...

KAMEN RIDER GAVV É A MELHOR SÉRIE DA ERA REIWA ATÉ AGORA.

E olha que eu gosto muito de Geats.

Muito!

Geats possui uma estrutura excelente.

É uma série inteligente.

Tem personagens marcantes.

Tem uma proposta muito bem construída.

Mas Gavv conseguiu algo que, para mim, pesa mais:

me envolveu emocionalmente.

Eu queria saber o que aconteceria.

Queria entender os mistérios.

Queria descobrir o passado dos personagens.

Queria saber como aquela história terminaria.

E, principalmente...

Gavv conseguiu me surpreender.

Depois da decepção que tive com Gotchard, eu não esperava isso.

E talvez seja justamente por isso que o impacto tenha sido ainda maior.

UM ELENCO ENXUTO FAZ DIFERENÇA

Outro ponto que considero importante:

Gavv possui um elenco relativamente enxuto e muito carismático.

Isso ajuda bastante.

Em algumas séries recentes da franquia, temos tantos personagens, Riders, formas, organizações e subtramas que, às vezes, alguns acabam ficando pelo caminho.

Gavv conseguiu concentrar melhor sua atenção.

Os personagens principais têm espaço para respirar.

Para sofrer.

Para crescer.

Para criar relações.

E isso torna a história mais pessoal.

Você não sente que está simplesmente acompanhando uma sucessão de transformações.

Você está acompanhando pessoas.

NOS ENGANARAM DIREITINHO!

E é aqui que voltamos ao título deste artigo.

Nos enganaram direitinho!

Quando anunciaram uma série de Kamen Rider baseada em doces, eu pensei:

“Vai ser uma série leve.”

Depois do primeiro episódio:

“Hmm... interessante.”

Alguns episódios depois:

“Isso está ficando sombrio.”

Mais tarde:

“CARACA!”

E perto do final:

“MALDITOS ROTEIRISTAS!”

Rsrsrs.

Porque eles fizeram justamente aquilo que uma boa história deve fazer:

criar uma expectativa e depois quebrá-la.

Gavv parecia ser sobre doces.

Mas era sobre dor.

Parecia ser sobre monstros.

Mas era sobre pessoas.

Parecia ser uma história colorida.

Mas escondia uma narrativa sombria.

Parecia simples.

Mas não era.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando terminei Kamen Rider Gavv, fiquei com aquela sensação rara que poucas séries conseguem provocar.

A sensação de que eu realmente tinha acompanhado uma história.

Não apenas uma temporada de televisão.

Uma história.

Com personagens que cresceram.

Que sofreram.

Que erraram.

Que nos fizeram rir.

E que nos fizeram pensar.

Gavv conseguiu misturar ação, drama, ficção científica, fantasia, humor e emoção sem perder sua identidade.

E, principalmente, conseguiu fazer isso com uma premissa que parecia, inicialmente, improvável.

Doces.

Quem diria?

Um Kamen Rider com tema de doces conseguiu entregar uma das histórias mais amargas, humanas e emocionantes da Era Reiwa.

Existem problemas?

Claro que sim.

Eu gostaria de um tratamento melhor para Kenzo Suga.

A entrada de Bocca e Lizel Zaldack poderia ter sido melhor trabalhada.

Algumas escolhas do desfecho poderiam ter recebido mais atenção.

Mas isso não apaga o conjunto.

Porque, quando coloco tudo na balança...

GAVV VENCEU.

Venceu a minha resistência.

Venceu a desconfiança.

Venceu a expectativa negativa depois de Gotchard.

E acabou conquistando um espaço que eu sinceramente não imaginava.

UM TRIO, UMA AMIZADE E UM MUNDO DIVIDIDO

E talvez uma das coisas que eu mais vou guardar de Gavv seja justamente o núcleo formado por Shoma, Hanto e Rakia.

Gavv.

Valen.

Vram.

Três Riders.

Três histórias.

Três dores.

Três maneiras diferentes de enxergar aquele mundo.

E, ainda assim, uma capacidade impressionante de trabalhar juntos.

Shoma traz esperança.

Hanto traz determinação.

Rakia traz compreensão de um mundo que os outros dois não conheciam da mesma forma.

E, ao redor deles, existe Sachika.

A pessoa que lembra que, antes de serem Riders...

eles são seres humanos.

Ou, no caso de Rakia...

um Granute que também aprendeu o valor da humanidade.

E talvez seja justamente essa combinação que torne esse núcleo tão especial.

GAVV MARCOU O JIRAYRIDER

E aqui preciso falar como Jirayrider_Decade.

Existem séries que você assiste.

Existem séries que você gosta.

Existem séries que você recomenda.

E existem aquelas que...

ficam com você.

Gavv ficou.

Dificilmente vou esquecer a surpresa que tive ao descobrir que aquela série sobre doces escondia uma história tão densa.

Dificilmente vou esquecer:

Shoma.

Hanto.

Rakia.

Sachika.

Valen.

Vram.

A família Stomach.

O mundo Granute.

As transformações.

A abertura que grudou na cabeça.

As reviravoltas.

As cenas emocionantes.

E aquela sensação de terminar um episódio pensando:

“Eu preciso ver o próximo.”

Uma série que começou parecendo uma brincadeira açucarada e mostrou que, às vezes, os melhores sabores são justamente aqueles que deixam um pouco de amargor na boca.

Porque uma boa história não precisa ser perfeita.

Ela precisa ser capaz de nos fazer sentir alguma coisa.

E Gavv fez isso comigo.

RIDER CARD — KAMEN RIDER GAVV

E como toda boa viagem Jirayriderana precisa de um Rider Card...

KAMEN RIDER GAVV

Rider: Shoma Stomach

Forma principal: Kamen Rider Gavv

Tema: Doces / guloseimas

Especialidade: Transformar aquilo que parecia infantil em uma história surpreendentemente sombria!

RIDER CARD: GAVV!

POPPINGUMMY.... JUICE!

Rsrsrs!

Pronto!

Agora sim...

Cartão registrado!

JIRAYRIDER RECOMENDA!

Se você ainda não assistiu Kamen Rider Gavv, não deixe o tema dos doces enganar você.

Não espere apenas uma aventura colorida.

Não espere uma história simples.

Não espere que tudo seja açúcar.

Entre nessa viagem disposto a conhecer uma história sobre:

família, perda, identidade, empatia, vingança, humanidade e esperança.

E talvez você descubra, como eu descobri:

QUE O DOCE ERA APENAS A EMBALAGEM.

O VERDADEIRO CONTEÚDO... ERA MUITO MAIS AMARGO.

Então é isso, pessoal!

Essa foi mais uma edição de:

“JIRAYRIDER ASSISTIU, JIRAYRIDER RECOMENDA”.

Gavv me enganou.

Gavv me surpreendeu.

Gavv me marcou.

Eu sou apenas um escritor de artigos de passagem.

Passo por uma série.

Observo seus personagens.

Viajo pelo seu mundo.

Registro aquilo que ela me fez sentir.

E sigo para a próxima viagem.

Mas algumas séries...

algumas simplesmente não deixam você ir embora do mesmo jeito que entrou.

Gavv é uma delas.

Por isso, depois de tudo...

Jirayrider assistiu!

Jirayrider analisou!

Jirayrider foi enganado pelos doces!

Rsrsrs.

E, apesar das ressalvas...

JIRAYRIDER RECOMENDA!

Fiquem com Deus e até a próxima!

Bye!

E como sempre...

EU SOU APENAS UM VIAJANTE PASSANDO POR ESTE MUNDO... UM VIAJANTE QUE PASSOU POR GAVV.

JIRAYRIDER_DECADE

HENSHIN!

KAMEN RIDE... DECADE!  


 
PoppinGummy....JUICE!





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