quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Nipo Rangers - Episódio 22 - "- A última missão!"

No episódio anterior:

O meteoro atinge alcance de ataque, Guntraz coloca os braços à frente do corpo, um uivo diferente de qualquer outro e terrivelmente assustador é ouvido e então o impacto entre as duas forças colossais acontece… Um silêncio assustador toma conta do lugar para então o som do choque do ataque e da defesa romper em um círculo devastador enquanto a energia luminosa parecia aumentar como se ampliasse seu ataque desferido até que finalmente uma nova explosão, um novo som tomava conta de tudo e Guntraz é arremessado para fora da zona de impacto com brutalidade, rodopiando no ar três vezes para então se chocar ao solo de forma horrenda, rolando de forma terrível, se chocando contra carros, prédios, árvores, num avanço devastador e terrivelmente doloroso, até ser literalmente enterrado dentro de um carro forte que ali estava estacionado, fazendo o mesmo entrar junto com ele parede à dentro da construção que estava ao seu fundo e então o silêncio naquele ponto do combate…

Enquanto isso, no local do impacto devastador entre as duas forças, a luz energética começava à ceder e finalmente seria possível ver o que havia acontecido, mas diferente de qualquer expectativa, diferente de qualquer coisa imaginável e da esperança de ver os dois androides em pé, ostentando seu poder, só havia uma silhueta, só havia uma forma naquele local e ainda quase que totalmente encoberta pela poluição do ar que formava uma espessa nuvem... A silhueta rosnava, ela se movia ameaçadoramente, ela parecia estar com as costas arqueadas e exibia em seu vulto uma musculatura poderosa demonstrando que um novo ser ali estava diante de todos, ao mesmo tempo que seu uivo aterrorizante podia ser ouvido em toda sua majestade anunciando que o "milagre", havia acontecido!

A batalha final se inicia agora!

Sonido e RedTurbo, ofegantes ao chão conseguiam erguer suas faces o suficiente para permitir olhar o local da colisão de energias apesar do esgotamento físico sem comparação, apesar de terem destinado todo seu espírito de combate para proteger Lanthys e Argos, mas apesar disso, suas mentes ainda estavam lúcidas e eles conseguiam perceber, conseguiam sentir que algo grandioso havia acontecido, que algo jamais sonhado havia ganhado lugar no palco de batalhas… A poeira ainda era intensa mas começava à ceder pouco à pouco e se podia ver claramente que algo poderoso, algo ameaçador, algo que realmente diferia de tudo que já haviam presenciado, ali esperava para revelar sua presença ao mundo… Na mente dos dois, como se sugerido de alguma forma, palavras e frases começavam a surgir e inundar seus pensamentos, repletos de lembranças de diversas momentos das batalhas ditos por diversas das pessoas e seres que conheceram durante suas jornadas, algo que parecia querer explicar o que havia de fato se tornado realidade diante deles…

“- Muito mais que guerreiros… Um elo misterioso que existe entre o homem-máquina e Argos… Vocês ainda irão descobrir um dia, o quanto esta ligação é fantástica, poderosa e capaz de verdadeiros feitos inigualáveis… Lanthys e Argos estão mais unidos do que imaginam… Momento de evolução… A última esperança… Se alguém tem como parar Guntraz, somos Argos e eu… Evolução!”

No instante seguinte novamente como um choque que trazia de volta à realidade, um rosnado ameaçador podia ser ouvido logo antes do estrondar de concreto que demonstrava o Imperador Guntraz saindo de dentro do local onde foi enterrado violentamente devido ao impacto sofrido na colisão do choque de energias… O monarca observa ao longe, completamente revoltado compreende o que aconteceu mas não acredita em tamanha tecnologia e reestruturação de matéria espontânea… “- Não… Não, não, não, isso não é possível, eles não podem ser tão evoluídos assim, MALDITO CHANG!”

Cambaleando e bastante danificado, Guntraz dá um passo de cada vez, agarra-se em paredes e novamente o rosnado seguido de um uivo se manifesta como se ameaçasse o vilão, o fazendo deter seus movimentos e observar apenas... Do meio da densa poeira um movimento poderoso de braços e o que restava da nuvem de pó se desfaz com o deslocamento de ar produzido! A criatura avança de forma brutal, de forma imparável e erguendo seu braço direito para o lado como se reunisse energia ela salta e atinge com força total a lateral mecânica do imperador, mesmo que o vilão tenha erguido suas defesas no exato momento, o poder do golpe foi tamanho que o arremeteu contra outra parte do prédio em meio à destruição generalizada que o centro de Porto Alegre havia se tornado!

Guntraz tenta se recompor, ele e todos olham para o local onde a criatura o atacou e, com o brilho das labaredas que haviam pela cidade, finalmente a criatura ficava visível, todo e qualquer ser que observasse o guerreiro enfurecido naquele momento admiraria a magnitude de sua presença… Sua voz era metálica ainda se podia sentir pelo rosnar e pelo uivo, mas sua forma física era totalmente diferente do que já haviam presenciado… “Cão-máquina” e “homem-máquina” agora unidos pela maravilha inexplicável de suas tecnologias avançadas, tornados em um ser apenas...

Suas forças multiplicadas assim como suas resistências ampliadas, e o visual entre azul e vermelho de uma criatura canídeo humanoide não deixava mais dúvidas da lenda há muito contada em qualquer cultura mundial, mas agora, transformada em realidade… 

“- AGORA VOCÊ ENFRENTA, WOLFLANTHALDER!”

(Arte, concepção, efeitos e construção do personagem WolfLanthalder: Dione Lima)

“- Quando duas forças convergem… A verdadeira identidade do guardião surgirá…” Sonido, tentando normalizar sua respiração bastante debilitada pela dor era quem proferia as palavras sem mesmo entender o porquê, ao passo que RedTurbo, tentando se erguer com gigante esforço, mas conseguindo ficar apenas agachado devido aos ferimentos e desgastes, recostava-se para trás em um bloco de concreto, ofegante, limpando o sangue da boca e indagando: “- E tu tirou isso da onde agora? Tava lendo algum épico heroico antes de vir pra cá?”

Ajoelhada, observando a cena que se desenhava na frente deles, maravilhada ao mesmo tempo que temerosa pela situação dos dois que se uniram para o surgimento do guerreiro descomunal, a moça escorria fartas lágrimas pelo rosto, emoção, medo, preocupação, esperança... Ela vislumbrava tudo e sentia aquelas palavras emanarem em seu coração como se uma pessoa ou algum ser as estivessem sussurrando, aquecendo seu íntimo e seu positivismo… “- Eu… Eu não sei… Elas… Surgiram em minha mente… E tenho certeza… Elas explicam o que estamos vendo agora...”

O imperador então furioso, ergue-se, danificado, ferido, humilhado e disposto à tudo para suprir sua necessidade de superioridade diante dos demais, seus olhos irradiavam a raiva que o alimentava, sôfrego e quase sem capacidade de combate ele dá um passo de cada vez e aponta o dedo para WolfLanthalder que o encarava logo adiante, buscando sentencia-lo: “- Você vai pag…”

A frase foi interrompida violentamente pelo estrondo do impacto do punho direito da poderosa besta metálica que atingia a cabeça do vilão em seu lado máquina por completo! Em frações de segundo o lobisomem cibernético havia vencido a distância com um único impulso e o atingido de tal forma e, enquanto seu corpo deslocou-se para a esquerda devido à este golpe, a fera o atingiu uma vez mais, dessa vez com um upper com o braço esquerdo, o atingindo no lado humano, o arremetendo para cima e para trás com força descomunal, o fazendo rodopiar no ar e chocar-se contra outra parede de forma brutal…

WolfLanthalder se movimenta, assume posição de batalha uma vez mais e aguarda o inimigo se reerguer para continuar o combate… "- Não estou conseguindo controlar a fúria Guntraz, venha, dê-me a chance de exaurir esta necessidade de combate, VENHA GUNTRAZ!" 

O imperador literalmente escorre pela parede até ficar de joelhos ao chão… Sangue e fluidos cibernéticos são cuspidos pelo monarca, ele amaldiçoa Dr. Chang e seus androides do fundo de sua alma… Um novo olhar furioso é dirigido ao inimigo azul e vermelho, este por sua vez, bate uma mão à outra e convoca Guntraz para o combate de novo mas, ao invés de aceitar o duelo como fez no acontecimento em território Africano, temendo ser derrotado no estado em que se encontrava, a covardia falou mais alto e o monarca usou do truque mais sujo que poderia lançar mão naquele momento…

Guntraz ergue seu braço direito em direção aos céus e busca restaurar-se novamente como fez antes, absorvendo as energias de seu cruzador, o que iria deixá-lo completamente renovado e energizado para enfrentar seu inimigo! Sonido e RedTurbo reagem em palavras amaldiçoando a saída desonesta de Guntraz mas nada podiam fazer para impedir... WolfLanthalder mantém sua posição agressiva, como um verdadeiro boxeador ele ficava saltitando, trocando de pés e de lado de ataque, ansioso por derrubar de vez seu algoz com todo o poder que transbordava em seu corpo, ao passo que Guntraz, saboreando sua provável vitória, preparava-se para banhar-se em novo poder e destruir a tudo e a todos!

No entanto, misteriosamente a reenergização não acontece, a energia não flui como esperado e o imperador olha para os céus em busca de algo que explicasse o porquê da ação não estar acontecendo como ele esperava... Foi quando a visão borrada nas alturas se tornou então, a constatação dura e cruel que selaria o destino do imperador megalomaníaco…

Todos podiam claramente ver no longínquo céu algo em chamas, envolto por uma esfera avermelhada que descia em velocidade absurda… Tanto aliados como inimigo, quanto a população e forças de polícia e resgate estavam atônitos com a cena, era como se um meteoro metálico estivesse em rota de colisão com o local, mais precisamente sobre o famoso rio Guaíba mas, assim que o objeto se aproximou o suficiente para que pudesse se definir mais detalhes à olho nu, se notava também que sua velocidade diminuía, como se estivesse sendo controlada de alguma forma e apesar de em chamas, se notava claramente tratar-se de uma gigantesca nave espacial de magnitude nunca vista por olhos civis…

Completamente destruída, completamente em chamas, de forma leve e controlada a estrutura alienígena aterrissava dentro do rio Guaíba ainda transformada em uma esfera incandescente de metal superaquecido até que a energia avermelhada que a recobria deixou de envolve-la para se tornar uma bolha energética de mesma cor, porém de tamanho humano, voando em direção ao campo de batalhas onde pousou diante de Sonido e RedTurbo! De frente para os gladiadores daquele embate, tomando finalmente sua forma final, a esfera energética assume forma humanoide, empunhando uma espada já conhecida por alguns, posicionando-se magistralmente em meio à todos…

“-BlastRed?” Era Sonido a primeira a pronunciar a palavra que revelava o mistério da esfera vermelha que chegava dos céus, assim como era o próprio BlastRed quem completava a explicação, mesmo estando dezenas de metros da batalha crucial: “- GUNTRAZ!! Fui muito ingênuo ao achar que seguir a justiça somente ao meu ponto de vista era o correto... Esse é um dos meus maiores erros como ser vivo e defensor do bem e da paz… Pensei em voltar e te destruir para me redimir, mas coisas aconteceram e me sinto satisfeito ao estar presente dentro de sua nave no momento em que você se reenergizou com ela! Isso me deu a brilhante ideia de destruir seus soldados inúteis e depois derrubar sua nave, inutilizando seu trunfo covarde para vencer Lanthalder… Agora, terá de usar o que tem e provar o quão poderoso és, como vem alegando até agora ser vil… Vá em frente Guntraz, seu adversário o aguarda… Mostre seu grande poder... Imperador!”

“- Ahaha! Finalmente enfiou juízo nessa cabeça oca hein seu ridículo?” Era RedTurbo que rindo e à seu modo, saudava o ex-integrante da equipe ao mesmo tempo que intimamente comemorava a chegada do mesmo e a atitude que tomou…

“- Confesso que nunca fiquei tão feliz em ver um meteoro descendo à Terra…” Era Sonido quem recepcionava o aliado, que percebendo a situação grave dos dois, rapidamente ajudou aos mesmos à ir para local mais seguro, deixando-os protegidos enquanto o embate se realizaria! BlastRed volta-se uma vez mais para o campo de batalha antes de dar atenção aos dois feridos, ficando em prontidão para servir de escudo aos dois caso fosse necessário e então conclama para o aliado: “- LANTHALDER! SE FOR PELOS INOCENTES… SE TIVER QUE HAVER GUERRA, QUE HAJA GUERRA!”

Guntraz bate os dois punhos ao chão como um gorila demarcando território, esbraveja em raiva e sentencia promessas de morte e destruição à todos: “- Maldito, MALDITO BLASTRED! MALDITOS ANDROIDES, MALDITOS GUERREIROS PERSISTENTES! Você destruiu meu trunfo guerreiro alienígena, tirou minha vantagem sobre este monte de ferro velho, mas tenha certeza, TENHAM CERTEZA TODOS VOCÊS, EU SOU O IMPERADOR GUNTRAZ E IREI DESTRUIR À TUDO E TODOS APENAS PORQUE QUERO!”

Usando de toda carga que seus tanques energéticos ainda continham, Guntraz se sobrecarrega e parte pra cima de WolfLanthalder que uma vez que estava em posição de combate e com sua disposição ao máximo, responde ao ataque do inimigo da mesma forma, avançando de forma brutal igualmente!

Guntraz começa à disparar rajadas de energia pelo cenário, mas WolfLanthalder era anos luz mais ágil e veloz, desviando de todas as descargas e explosões com maestria em movimentos acrobáticos fantásticos! Chegando ao alcance de combate, o androide salta então por sobre Guntraz desferindo um poderoso golpe com as garras de seu punho direito que rasgou as costas do imperador, não apenas ferindo o inimigo, mas também destruindo seu acesso aos tanques reservas de energia além de arrancar-lhe a capa da qual se orgulhava tanto... WofLanthalder aterrissa atrás de Guntraz, arremessa a capa presa em suas garras para longe, vira-se tomando novamente sua posição ofensiva, aguardando o próximo movimento de seu oponente…

Dando alguns passos para frente, Guntraz percebe o estrago em sua estrutura, sua fúria somente aumentava e ele vira-se buscando então um confronto físico com o poderoso guerreiro uma vez que o ataque à distância não funcionava, mas esse era apenas mais um erro dos tantos que ele cometeu até então e logo que desferiu o primeiro golpe de punho esquerdo energizado, um direto visando a cabeça de WolfLanthalder, o mesmo inclinou-se para a esquerda usando o braço direito para deslocar o golpe, contra-atacando quase que instantaneamente com seu punho esquerdo cerrado, acertando em cheio o rosto agora exposto do imperador que sentiu o poderoso impacto reverberar em sua caixa craniana como uma onda de choque! Ao deslocar-se para a direita com o impacto recebido, o braço direito de WolfLanthalder que antes havia dispersado seu golpe, gira fazendo um perfeito círculo vertical, o atingindo de baixo para cima com as garras expostas, arrancando praticando toda a lateral mecânica do vilão arrogante…

Guntraz então começa à dar passos para trás, aterrorizado com a brutalidade do ferimento recebido, mas antes que percebesse, WolfLanthalder estava no ar em novo ataque, seu braço direito agora fazia o movimento inverso, um círculo de cima para baixo e o braço mecânico do imperador voa rodopiando pelos ares, arremetendo fluídos por todos os lados, culminando com o avassalador guerreiro cibernético agarrando-se em seu tronco, com garras de mãos e pés, abocanhando parte de seu ombro mecânico, arrancando mais pedaços do inimigo que voaram pelos céus assim como o próprio WolfLanthalder que se arremeteu usando o corpo do inimigo como impulso, girando no ar e caindo em pé, alguns metros distante dele…

Guntraz cambaleante quase sem energias, tenta usar mais um golpe energético para atingir seu algoz, mas a Gatling Gun de WolfLanthalder aciona-se em seu braço direito, poderosos projéteis de plasma atingem o corpo do imperador em velocidade absurda empurrando-o para trás com força descomunal, conseguindo à muito esforço manter-se ainda de pé diante do ataque repentino e então, tudo que conseguiu observar era que seu inimigo estava praticamente diante dele de novo, desferindo diversos jabs e diretos, chutes, joelhadas e cotoveladas, o empurrando mais e mais para trás, sendo Guntraz incapaz de deter a centena de golpes que recebeu, até que finalmente, com um golpe giratório vertical de seu corpo inteiro, com a garra do braço esquerdo WolfLanthalder atinge a altura da cintura de Guntraz, arrancando a perna mecânica do mesmo, unicamente não tombando o vilão ao chão com o ataque, porque recostou-se agarrando-se em uma das árvores do local enquanto balbuciava: "- Tudo que coletei de Cerebrax... Todas as mudanças que fiz para deter o ataque de cada um de vocês, tudo em vão, agora que vocês evoluíram para um nível que eu não calculei... Seus... Malditos..."

WolfLanthalder pousa diante alguns metros do inimigo abrindo seus braços, elevando logo em seguida o braço esquerdo para cima, o transformando por completo em um poderoso canhão que energizando-se em concentração poderosa, iluminou-se por completo até atingir poder máximo, disparando sob a voz metálica assustadora do lobo robótico, fritando por completo todo e qualquer sistema tecnológico do imperador: “- PROTON… CANNON!”

O disparo aniquilou totalmente a funcionalidade máquina do arrogante monarca que atingido pelo golpe teve a árvore de suporte atrás dele destruída no processo resultando o corpo do mesmo ter voado com o impacto, rodopiando por dezenas de metros pelo ar, vindo à se chocar contra o prédio ao final da rua, violentamente… WolfLanthalder então avança correndo contra ele e chegando há centímetros do vilão derrotado, ergue o mesmo pelo pescoço, pelo menos o que restou do imperador e profere:

“- Ainda faltam duas coisas à fazer Guntraz…”

WolfLanthalder arremessa o corpo de Guntraz para o meio do palco de batalhas deixando-o mais próximo dos aliados e então se lança para os céus, atingindo altura considerável o suficiente para avistar o cruzador em meio ao rio Guaíba ainda à queimar… O rosnar furioso foi ouvido de novo e em seu peito a parte central se abriu, onde do meio do mesmo surgia um poderoso orbe oculto no interior de sua caixa torácica, que começava à crepitar em energias assustadoras, para então o uivo novamente se fazer presente e a voz metálica assustadora bradar em seguida com força total: “- GRAVITON… CANNON!”

O potente raio atinge em cheio o cruzador que ao começar a ser bombardeado começa à aumentar as chamas como se fosse explodir e então, como se em um colapso detivesse tudo que saía dele, começa à recuar em seu tamanho e calor, culminando que o gigantesco aparelho de viagem interestelar, como se fosse esmagado por mãos gigantes, implodisse pedaço por pedaço como se sugado por um buraco negro de uma estrela em explosão até que desaparece por completo não causando qualquer dano à cidade ou pessoas, exterminando o último refúgio do odioso imperador!

WolfLanthalder desce ao chão novamente de forma absurdamente pesada, abre uma cratera onde pousa e segue, com os caninos expostos demonstrando a agressividade ainda gigante, caminhando lentamente ao que sobrou de Guntraz... O observando por alguns segundos como se decidisse sua próxima ação, envolto e fúria e revolta, o ex-monarca, agora com talvez 40% de seu corpo apenas, esbravejava:

“- MINHA NAVE… VOCÊ DESTRUIU MINHA NAVE, DESTRUIU MEUS SONHOS DE CONQUISTAS, SEU MONTE DE LIXO CIBERNÉTICO DE QUINTA CATEGORIA! EU IREI ME VINGAR, EU IREI RETORNAR MAIS PODEROSO QUE NUNCA, JAMAIS ESTARÁ LIVRE DE MIM SEU MALDITO, JAMAIS TERÁ SOSSEGO OU ESSE MALDITO PLANETA QUE REJEITOU MINHA LIDERANÇA, EU TE JURO MALDITO!”

WolfLanthalder então agarra Guntraz novamente pelo pescoço e nesse momento todos os expectadores o observam… Ele aproxima o vilão de seu rosto, sua de fúria era palpável e o imperador o desafiava com o olhar como se buscasse a morte… BlastRed e os demais observavam a tudo, aguardavam em silêncio pela atitude do aliado e eis que o lobisomem cibernético olha para eles e salta para os céus com Guntraz em suas garras, caindo pesadamente à frente dos três e enterrando a face de Guntraz no chão diante de BlastRed, RedTurbo e Sonido…. A poderosa criatura então pisa sobre a cabeça do inimigo até afundá-la na terra revolvida sem no entanto usar força suficiente para matá-lo, para depois o retirar do local, atirando-o diante dos demais, sem qualquer condição de revide…

“-Sinta Guntraz... Isto é o verdadeiro poder, se sacrificar pelos outros além do que você é capaz, apenas porque é o certo a se fazer... Esses três à sua frente, são anos luz maiores e mais poderosos que você e sua megalomania… Seu sonho acabou e ao invés de morrer e se livrar de seus crimes, você vai pagar por tudo que fez... Vivo!”

Sonido sorri feliz e emocionada com a atitude tomada por WolfLanthalder, mesmo diante da provocação e intimidação de Guntraz... BlastRed acena positivamente desativando seu capacete, como se reconhecesse que todas as palavras que Lanthys havia lhe dito no dia em que partiu da Terra, se confirmassem agora como verdade mais do que absoluta! RedTurbo no entanto, diferente de todos os outros, não emocionou-se, não comemorou, não ficou feliz, pelo contrário, ele desferiu uma cusparada na cabeça de Guntraz e queria à todo custo se aproximar para dar pelo menos um chute no mesmo, não conseguindo seu intento unicamente por estar contido pelos paramédicos dado seu estado se saúde precário… BlastRed se aproxima de WolfLanthalder que ainda arfava devido à natureza selvagem a que atingiu e completa: “- Não somente os crimes daqui, esse repugnante monarca falido causou muitas mortes pelo cosmos e vários planetas esperam para julgá-lo… Deixá-lo vivo para responder por tudo, é a maior punição que podemos dar à ele… Parabéns…Amigo!”

BlastRed estende a mão ao poderoso combatente que mesmo ainda em sua forma bestial, responde ao aperto de mãos e finalmente, a batalha terrível havia acabado…

Três longos e pacíficos meses transcorreram após a intensa e devastadora batalha… Eram aproximadamente quinze horas e, no mesmo local onde Guntraz e a equipe de heróis se confrontaram, hoje encontravam-se civis e heróis compondo uma cerimônia solene em homenagem às vidas perdidas na batalha e aos heróis que garantiram a vitória… O prefeito entre outras autoridades da cidade e do estado falaram e fizeram campanha política até a exaustão, para somente depois de muita falação, convidar Lanthys para subir ao palco onde seria homenageado diante de todos pelos feitos da equipe que salvou a cidade e quem sabe o mundo, fazendo frente a ameaça do temido dominador de mundos, Guntraz…

O guerreiro sabia que tal situação de homenagem aconteceria, não queria participar e se mostrava bastante contrariado, mas sob incentivo e súplicas de várias pessoas que queriam vê-lo diante da multidão, Lanthys resolve aceitar o convite e subindo ao palco recebe de imediato certificados, medalhas, honrarias e até mesmo, a chave simbólica da cidade, como se costuma fazer em comemorações desse tipo… Humildemente o androide recebe tudo que lhe foi entregue e então a oportunidade ao microfone lhe é oferecida mas, diferente do que seus colegas acreditavam que seria a reação de Lanthys, ele misteriosamente aceita a oportunidade e diante de todos toma uma atitude inusitada… “- Comandante Pedroso… Eu pediria que o senhor subisse até aqui, se não lhe for pedir demais…”

Todos começam a olhar ao redor buscando pelo convidado de Lanthys, alguns segundos transcorrem e ninguém o avistava, mas eis que do meio da população, em trajes civis, o ex-comandante da força policial da capital do Rio Grande do Sul agora aposentado, se mostra contrariado, queria se manter oculto mas seu “disfarce” havia sido revelado… Ao longe, Marinny olha para o mesmo, acenando positivamente a jovem o incentiva a tomar a decisão de atender ao pedido de Lanthys! O sexagenário então se dirige ao palanque muito à contragosto onde o androide em um sorriso sincero o recebia com um aperto de mão reconfortante, demonstrando se sentir satisfeito, estampando um sorriso ao rosto, outra de suas conquistas no quesito “buscar se tornar mais próximo de um humano possível..." Voltando-se ao microfone e ao público ali existente, não sem antes entregar tudo que recebeu ao ex comandante, o homem-máquina inicia seu manifesto:

“- Quero que saibam… Tudo que recebi aqui, recebo como uma encomenda, sou apenas o portador momentâneo que destina ao merecedor de tal honraria… Os verdadeiros heróis, iniciam na pessoa deste ex-comandante que desde o início de todas as batalhas, esteve à frente de salvar, proteger, equipar, organizar e atacar… Se algo tivesse saído totalmente errado, ele com certeza receberia por seus pares e superiores a culpa de tudo… Ainda assim ele posicionou-se fortemente e manteve o que achou certo... Felizmente, de certa forma, tudo foi resolvido de maneira mais próxima de justa… Sob a vigilância e permissão dele, comandante Pedroso, nós lutamos e vencemos… Então, é mais do que justo que hoje sejam lembrados os verdadeiros heróis, aquele que sem poderes especiais, sem capacidades além do ser humano normal, arriscaram suas vidas e carreiras pelo bem comum… Aqueles que optaram por agir quando a maioria se ocultava… Aqueles que optaram por servir enquanto alguns querem ganhar nome sobre atos de outros… Que os verdadeiros heróis, sejam eles força policial, bombeiros, socorristas e até mesmo civis que de alguma maneira ajudaram, sejam reverenciados por direito, e que as pessoas que perderam suas vidas aqui ou em qualquer outra batalha… Possam nos perdoar por termos falhado com elas…”

O androide então se retira do local sob uma chuva de aplausos, atitude essa que trazia certo incômodo ao guerreiro considerando que ele não se considerava merecedor de nenhum elogio, havia feito o que nasceu para fazer e isso não era motivo para exaltarem suas atitudes, mas ao descer as escadas da estrutura, Leandro, Marinny e Bruno o aguardavam junto de Argos e a repórter foi a primeira a saltar-lhe ao pescoço admirando sua ação e suas palavras: “- Parecia que eu tava vendo Cristopher Reeve na interpretação de Superman… Mandou bem no discurso…”

Lanthys não compreendia a referência, menos ainda achava, novamente, que o que disse merecia alguma exaltação, apenas falou o que considerava a verdade e era exatamente essa crença inabalável no certo, que encantava seus aliados! Quebrando o clima como sempre, Leandro convida à todos para irem à um das diversas cafeterias que haviam por ali, ele queria ter com eles uma espécie de despedida, se reuniriam para conversar um pouco e colocar por menores em dia, um momento diferente, sem batalhas ou chance do alarme soar e os colocar em missão outra vez, ainda mais que teriam um compromisso muito importante às dezoito horas no instituto de pesquisas federal daquela cidade, então o momento para relaxar era agora…

Leandro escolhe uma das cafeterias, segundo ele a melhor e mais refinada do local, mas antes de poderem começar a tomar o café, assim que adentraram ao estabelecimento, o impetuoso jovem discutiu com o dono da cafeteria que alegava que Argos não poderia entrar afinal animais não eram permitidos no local; uma vez resolvida aquela parte, precisou logo em seguida discutir com a multidão que queria tirar fotos com Lanthys e Argos e não os deixavam em paz para sua reunião! Atritos resolvidos e atingido o intento de que pudessem ficar à sós em sua mesa (pagando uma gorjeta extra ao garçom e ao dono da cafeteria) ele finalmente relaxou e foi o primeiro a iniciar a conversa… 
“- Então… Talvez essa seja a última vez que nos reuniremos por um bom tempo… Eu queria dizer que foi uma das melhores experiências que tive… Apesar de tudo que rolou, das tretas contigo Bruno, das piadas com o comedor de ossos que não come nada… Eu confesso que vou sentir falta do dia a dia de missões…”

Marinny então, sentada ao lado de Lanthys, eram quem continuava: “- É, a gente precisa seguir vida, não que eu considere que devamos perder o contato, mas, sem Guntraz meio que ficamos sem nossa principal atividade dos últimos meses… E depois tudo aconteceu tão depressa, tão automático… Quando vi estava lutando com vocês e tudo foi aumentando de intensidade e de proporções até chegarmos aqui, da forma intensa que foi… Eu preciso me reencontrar com minha profissão e meus sonhos, mas sem dúvidas eu concordo com o Leandro, tudo que vivemos foi incrível e muito bom… Mesmo nos piores momentos…”

Bruno tomava um gole do café e então entrava no assunto: “- Eu sei que faço parte de pelo menos um pedaço do montante ruim… Fui ingênuo e fraco, assim enganado por Guntraz no início e controlado por MindControl no final… Mas ao voltar para meu planeta, eu percebi que pra poder manter a paz, eu teria de fazer exatamente o mesmo que contestei aqui e sei lá, se o controle do monstro me abandonou por completo ou simplesmente recuperei a noção das coisas mas eu vi tudo de forma diferente, por um outro ângulo eu diria… E então resolvi corrigir tudo… Ou pelo menos tentar…”

Argos então curioso era quem agora comentava: “- Mas como chegou ao patamar de voltar para exercer a missão que nos explicou?” Bruno sorvia mais um gole de café e explicava à todos a parte que ainda não havia contado:

“- Pois bem, como um dos seres que havia tido contato com Guntraz, por ter integrado suas fileiras e até saído para cumprir missão em seu nome, a Força de Segurança Universal me convocou à depor sobre meus atos e fui sentenciado a cumprir trabalhos comunitários pelo fato, algo que acho justo visto ter realmente em algum momento recebido ordens do imperador… No entanto, me ofereceram um acordo, se eu agisse como agente de campo deles, me infiltrando na nave e a destruindo de dentro pra fora removendo a base operativa do mesmo e diminuindo assim seu poderio, digamos que com essa atitude, eu poderia trocar esse trabalho pelo serviço comunitário… Sugeri a eles então algo diferente, que eu fizesse os dois atos, pois considero que tenho deveres pendente com a justiça e com os inocentes destruídos por Guntraz… A Força Universal concordou e assim, minha missão resumidamente era, derrubar o cruzador de Guntraz e impedir de se deteriorar durante a queda, evitando qualquer estrago à superfície da Terra ou seus habitantes! Meu escudo energético foi perfeito para tal descida, freando a queda do cruzador e depois apenas precisei ir até vocês e ver o show de evolução final da dupla robótica ali! Como parte final, deveria ficar na Terra para manter Guntraz aprisionado com a tecnologia que trouxe da própria Força de Segurança, até que seu julgamento estivesse preparado e então ele fosse levado para a corte suprema Universal, fato que ocorrerá hoje e é também, quando deixarei a Terra, pelo menos por enquanto…”

RedTurbo pedindo mais um café antes de se pronunciar, dá uma ajeitada no cavanhaque e então sorridente completa: “- E graças à essa influência da força policial do espaço a gente vai poder ver o Guntraz ser enxotado daqui, de camarote, ahahahaha! Cara, isso vai ser muito bom, confesso que tô ansioso pra ver ele de perto de novo, hehehehhe!”

Bruno era quem novamente se pronunciava e alertava uma vez mais: “- Sim, consegui essa permissão com muito esforço, uma vez que vocês foram os responsáveis pela captura dele, mas não se esqueça, a gente só pode observar e não intervir… Minha missão era apenas manter a segurança enquanto Guntraz era reparado de forma a não sofrer nenhum dano ao seu suporte vital e assim estar vivo para o tribunal! Após isso, eu deveria supervisionar seu isolamento e aguardar seu traslado que seria preparado… Tudo a partir do momento em que as Forças Universais chegarem, é competência e jurisdição deles, não podemos nos envolver…”

O debochado guerreiro tinha um sorriso no rosto e fazia um gesto com a mão para que Bruno não se preocupasse à toa completando… “- Fica sossegado rapá, só quero ver a cara de lata do Guntraz ao ser chutado da Terra, ahahahaha! Aliás, metade da cara né?”

Várias risadas foram proferidas e então foi que Marinny quis saber algo que ainda não havia questionado: “- Lanthys, tu e o Argos, como foi na hora da união, deixaram de ser vocês e se tornaram outro ou eram os dois interagindo simultaneamente? Como conseguiram no meio de toda o calor da batalha ainda evitar tirar a vida de Guntraz?”

Lanthys que escutava a todos, considera as palavras de Marinny e reflete sobre a situação… Após alguns segundos ele explica: “- Era como se eu fosse a parte que se mantinha no controle, mas, sentia que os poderes e os conceitos de Argos estavam ali à me proteger e dar forças como uma armadura repleta de energia… Minha mente era um misto de meus pensamentos, os de Argos e a selvageria da criatura que nos tornamos, mas… Tudo que vivemos e construímos estava ali também então quando começamos a atacar, nosso sistema baseado na precisão de Argos fazia análise perfeita de o que podia ser destroçado para desestabilizar o vilão sem tirar-lhe a vida enquanto minha força se guiava por essa precisão… Quanto à matá-lo… Bem, as palavras de BlastRed nunca saíram de minha mente e o conceito de justiça que eu tinha era o de julgamento, nunca de execução, não iria permitir que isso mudasse agora… Quis acho, apenas unir o certo ao correto e por isso mantê-lo vivo, me pareceu a opção mais justa…”

Leandro então com uma risada sarcástica bate na mesa e esbraveja: “- O ditado correto é, unir o útil ao agradável, seu monte de parafuso com mania de filosofia, pelo menos cita as comparações direito, seu pulha!” Todos dão risada e era Bruno quem zoava na sequência: “- Mas olha só, não posso nem sair pra ir ao meu planeta de origem que alguém termina o EJA nas horas vagas!” A confusão novamente se instaurava com Leandro querendo bater em Bruno que apenas se esquivava e continuava a rir, culminando com todos rindo e se divertindo muito! Muitas outras histórias e por menores foram detalhados e assim a tarde transcorreu, feliz e completa como uma despedida deveria ser…

Instituto de Pesquisas Federal do Rio Grande do Sul - 18hs:
O local era um verdadeiro complexo tecnológico muito diferente do que os gaúchos ou brasileiros estavam acostumados a presenciar… Somente os alunos mais brilhantes e dedicados conseguiam estágio neste local onde tecnologias e experiências diversas eram testadas e financiadas por várias entidades, tanto nacionais quanto internacionais! O esforço para manter o imperador maligno vivo, era um esforço conjunto de vários países, por pressão da Força Policial Universal que alegou que caso Guntraz morresse por falta de empenho dos terráqueos, o planeta seria responsabilizado criminalmente diante da justiça cósmica, ou seja, uma coalizão que a maioria não apoiava, preferiam ver o vilão morto e enterrado, mas aceitavam devido à sanções que sofreriam…

O grande saguão central que dava acesso ao terraço estava lotado com diversas autoridades e muitos, muitos seguranças de todos os tipos se faziam ali presentes… Diante de um pequeno púlpito, surgia o cientista renomado, Alexei Gerânio Number, que se posicionando ao púlpito, faz suas explanações finais:

“- Senhores e senhoras… Para que não reste dúvida sobre tudo que foi feito durante esse período e, reiterando que tudo que aqui for explicado acompanha processo impresso com todos os mesmos detalhes, que segue em vias especiais com a Polícia Universal e ficará à disposição de qualquer um que quiser consultar, Kurt Black, autointitulado Imperador Guntraz, ao partir para o espaço e encontrar-se com entidades alienígenas, associou-se à elas e desenvolveu diversas operações em seu corpo, trocando órgãos naturais por componentes robóticos que gerariam energia e funções para a parte vital da qual ele não podia se desfazer ou fariam perder sua vida… Assim, quando da luta deste criminoso com o guerreiro Lanthys, suas partes robóticas que davam sustentação ao orgânico foram destruídos, uma vez que eram responsáveis por gerar diversas de suas super capacidades… O que fizemos foi substituir as poderosas modificações altamente tecnológicas por simples maquinários terrestres que fazem o mesmo sem gerar mega capacidades, ou seja, sua parte orgânica foi tratada para manter sua vida intacta, enquanto as máquinas que como poderão ver estão ligadas à ele por fios e tubulações, impedem qualquer ameaça no vulgo imperador, mantendo o mesmo em plena saúde e funcionamento, com sistemas de reserva que permitirão vida e digamos, o mínimo de conforto para sua existência, conforme o combinado com a Força Policial Universal! Ressalto em dizer, que como terráqueo, me sinto ofendido ao ter de manter em segurança a vida de tal assassino enquanto poderíamos estar usando tais conhecimentos, recursos e tempos em prol das pessoas que tiveram suas vidas modificadas para sempre devido à suas investidas… Ainda assim, como solicitado pela justiça, fizemos tudo que estava ao nosso alcance para honrar nossa parte no acordo… O vilão agora irá passar pelo corredor principal como sua última instância em nosso planeta e será levado pelas Forças Policiais Cósmicas que aqui se encontram nesse momento! Desejamos que a justiça prevaleça sempre!”

Os presentes então aplaudiram a fala do cientista, a equipe estava na linha de frente esperando que Guntraz passasse e de fato, em questão de minutos, no final do longo corredor, uma comitiva surgia abrindo a porta trazendo o maligno ser com seu corpo amarrado à uma espécie de mesa que vinha em posição quase vertical sobre rodas… Imperador Guntraz ali estava uma vez mais, com sua parte orgânica intacta tal qual explicou o cientista, enquanto sua parte mecânica, havia sido substituída por uma espécie de manequim em algo similar à acrílico, porém muito mais avançando, apenas para dar sustentação ao corpo e resto de órgãos… O olhar do inimigo buscava avidamente por seus oponentes, e desde que a porta se abriu, Guntraz e a equipe mantiveram olho no olho, assim como a repulsa e a revolta entre ambos era palpável apesar do tempo transcorrido…

Argos e Lanthys lembram-se de todas as vezes em que perderam inocentes para o vilão, lembram-se do mesmo ter criado a revolta de Murder que retornou ao mundo dos vivos com a temida armadura Necroton e massacrou milhares onde só sobrepujaram tudo, com a ajuda do caçador de demônios Falco… Lembram também de Guntraz ter tentado alterar as linhas do tempo e assim apagar a linhagem de heróis BlueRed de outra realidade… Marinny lembra-se das vezes que quase morreu e das vezes que viu seus amigos serem quase destruídos assim como todos que morreram por suas ações ou foram transformados em monstros… Bruno lembra-se de como foi enganado e acabou por quase lutar ao seu lado… Todos tinham momentos de raiva para lembrar ao observar o vilão que se aproximava deles para subir no transporte que o aguardava… Já Guntraz, à cada momento que se aproximava, aumentava mais seu sorriso sarcástico em apenas meia boca visto a parte artificial não estar sob seu controle e, ao passar pela equipe de heróis que o encaravam, sem poder virar a cabeça, Guntraz apenas deixa escapar um sussurro: “- Bando de perdedores patéticos e fracos, sequer tiverem coragem para me matar... Verdadeiros rufiões!”

Ao ouvir a provocação, tudo parecia ter ficado em câmera lenta… Os quatro guerreiros viram-se para Leandro ainda a tempo de o ver estalar os olhos e fazer uma expressão de completa ira… Eles percebem o perigo, tentam se mover e deter o aliado, mas os punhos do guerreiro veloz se fecham, suas pernas se retesam e ele salta em direção à Guntraz com seu punho cerrado e o braço em posição de ataque quando finalmente o tempo e movimentação pareciam voltar ao normal, justo a partir do momento em que o primeiro soco atinge o rosto de Guntraz: “- SUA METADE DE FILHO DA PUTA, FILHO DE UMA METADE DE CHOCADEIRA, EU VOU ARRANCAR ESSA TUA OUTRA METADE DE CARA PEDAÇO POR PEDAÇO E TU NUNCA MAIS VAI DIRIGIR A VOZ PRA NINGUÉM SEU ARREMEDO DE VILÃO QUE QUINQUAGÉSIMA CATEGORIA!” E a confusão estava novamente instaurada…

Metade dos espectadores no local torciam para que Leandro destruísse o vilão no ato, a outra metade desejava a ordem novamente, ou pelo menos assim demonstravam, enquanto as forças policiais da Terra e do espaço tentavam conter o herói que batia em meia dúzia de agentes, se livrava dos ataques não letais das tropas em meio à confusão e voltava a bater em Guntraz de novo!

Após pelo menos quinze minutos de confusão e um Guntraz completamente irreconhecível se comparado com as primeiras imagens, o vilão adentrava finalmente o cargueiro espacial que levaria o imperador e Bruno embora, enquanto Leandro ainda trocava socos e chutes com a Brigada Militar tentando se livrar daqueles que tentavam detê-lo… O ex-comandante Pedroso intervém e o clima era complicado, afinal o planeta poderia ser sancionado pelas atitudes de seu próprio herói... Várias horas foram necessárias entre depoimentos, lições de moral, leitura de crimes cometidos no ato, mas também foram mencionados os feitos de cada um e principalmente do próprio Leandro que não reconhecia culpa no ato e ainda dizia que havia feito era pouco! Após uma conversa então entre Lanthys, o ex-comandante Pedroso e as lideranças locais, acordos e assinaturas de responsabilidade entre outras formalidades foram tecidas e negociadas até que todos pudessem sair do Instituto sem ninguém ser preso... 

Diante do Instituto, a madrugada já havia ganhado as ruas e o grupo se deteve ficando a olhar para Leandro, cheio de hematomas e com cara de poucos amigos... Eles se observam mais um pouco até que ele faz um gesto desconexo como dizendo "que que foi?" e então todos caem na risada diante das cenas bizarras que vivenciaram nas últimas horas graças ao incomparável RedTurbo! Após muitas considerações, explicações, entendimentos e demais situações similares, os amigos se olham, sorriem de forma singela, se sentem felizes por tudo que vivenciaram até ali e esperam do fundo de seus sentimentos, que possam encontrar-se de novo... 

Foi então que, envoltos naquele sentimento melancólico mas tranquilo, Lanthys, Argos, Leandro e Marinny seguiram juntos até o cruzamento das avenidas próximas do Instituto… Aquele foi sem dúvida o último momento em que a equipe esteve reunida por muito tempo… Eles se olham, Marinny abraça Lanthys, Argos e Leandro, enquanto o “cavalo” aperta a mão de Lanthys, abraça Marinny e dá um tapa de leve na cabeça de Argos… Eles se olham uma vez mais e Leandro segue para a esquerda, Marinny para a direita enquanto Argos e Lanthys seguem em frente e assim a vida de cada um seguia seu rumo e enquanto se afastavam, cada um deles tinha suas mentes ocupadas com o que mais marcou essa parceria, momentos e situações que não esqueceriam jamais... Distantes alguns metros, cada um deles afastava-se mais à cada novo passo, nenhum dos três trajetos poderia ouvir o que o outro pensava ou dizia, mas cada um deles, levava os demais em seus sentimentos e lembranças...

Lanthys seguia determinado, Argos o acompanhava mas se mantinha em silêncio, sabia que a aproximação do irmão máquina à capacidade de sentir dos humanos dava à ele mais coisas para entender... E de fato o era, na mente do androide, pensamentos vagueavam e sem dizer uma única palavra ele pensava, determinado: "- Meu banco de dados está repleto de lembranças... Jamais esquecerei cada momento que ao lado de todos eles vivi... Minha missão foi cumprida, meu aprendizado se aprofunda e creio que doutor Chang esteja satisfeito com nosso esforço... Vou continuar ao lado de Argos, protegendo esta terra e estes seres contra tudo e qualquer coisa que atente contra eles... Eu desejo o melhor para todos eles, em especial, desejo o melhor para estes grandes amigos... Sejam felizes cada um à seu modo... E saibam, estarei sempre protegendo vocês mesmo que não me vejam ou a Argos... Enquanto eu existir, manterei este mundo seguro para todos vocês... Até breve meus amigos, Leandro e Marinny..." E os dois desaparecem avenida acima...

Já Leandro, apressava o passo ao máximo que podia, as lágrimas começavam à escorrer e ninguém poderia ver essa cena, ele jamais permitiria que o vissem chorar de novo... Numa tentativa de trancar as mesmas ele começa à pensar em seus planos futuros e assim se afasta o máximo que podia sem dar à entender que o estava fazendo propositalmente: "- Vou ganhar muita grana sendo segurança, vou proteger todo aquele que puder pagar bem, e vou aproveitar essa ideia pra meter o cacete em cara mala e chato que vier encher o saco... E vou ter uma equipe tão grande, tão grande que vou proteger todos vocês... Cacete, que porra que tô falando, eu vou é ganhar dinheiro, e vou então depois de ter muito dinheiro, realizar meu sonho e abrir um conglomerado de casas de perdição, hehehehehe, já tenho até o nome pra isso, vai ser o nome mais sugestivo do mundo e ainda vai levar minha marca registrada, a cor que mais amo nesse mundo, ahahahahahhaha! Se cuidem seus pulhas, cês são foda, os melhores amigos que eu podia ter! Vamos nos ver de novo em breve, na batalha pela paz ou em outra confusão, ahahahaha!" O gigante vermelho dobra a esquina e desaparece da vista de todos...

Oculta debaixo de uma das árvores, no lado direito para o qual seguiu, Marinny sorria e admirava os três amigos à desaparecer na noite... Em seu íntimo ela pensava e desejava: "- Meus grandes amigos... Foi realmente uma grande aventura estar com vocês... Tenho a honra de ter compartilhado momentos tão grandiosos e incríveis... Meu mundo era cinza devido à meus poderes e eu teria continuado assim se não os tivesse conhecido e aprendido à fazer o uso correto desses dons... Leandro, seja feliz e nunca deixe de ser quem tu é, esse é teu jeito e teu estilo, és boa pessoa e sei que sempre terás o bem e a justiça como meta apesar dos meios controversos... Argos, cuide de meu querido amigo Lanthys e sempre tenha as melhores ideias para que ele possa sobrepujar tudo... Quanto a ti Lanthys... Como toda a adulta recém saída da adolescência, a gente acaba confundindo as coisas e emaranhando sentimentos... Me encantei, me apaixonei e creio que cheguei à te amar... Mas hoje, mais madura apesar da pouca idade para tal, eu percebo que minha admiração deve se manter apenas nisso, pois tu não existe para uma única pessoa, és um anjo vingador de metal que junto à teu irmão são guardiões de todos... Não tenho o direito de querer que fiques ao meu redor como uma propriedade... Siga em paz meu amigo e proteja a todos que de ti precisam... Sempre que precisar, eu estarei aqui e viverei meus dias da maneira mais feliz que puder, pois sei que é isso que tu esperaria de mim! Até mais meus queridos amigos!" Uma buzina soa de leve, o veículo estaciona do outro lado da rua e Marinny atravessa a mesma correndo entrando no carro... Dentro dele um velho conhecido de todos a aguardava para levá-la para casa e era recebido com carinho pela poderosa guerreira mutante: "- Vamos pra casa vô, tudo está resolvido!"

Um ano então transcorreu entre essa despedida singela e o dia atual... Em uma loja de livros da capital, uma sessão de autógrafos estava quase sendo concluída enquanto um senhor de aproximadamente sessenta anos de idade estava sentado quase na entrada da sala terminando seu café e admirando sua neta, a escritora Ana Paula Pedroso à atender os últimos da fila, que haviam comprado seu mais novo livro…

Formada em jornalismo, a jovem de 25 anos trabalhava em um jornal de uma cidade do interior mas, alçava carreira de escritora profissional como sonho de vida! De tudo que ela já havia publicado como micro contos entre outros, esse foi o primeiro trabalho pelo qual uma editora se interessou e resolveu apostar, deixando a mesma incrivelmente feliz com o resultado, seu sonho parecia começar a tornar-se realidade… O último comprador recebe seu autógrafo, ela ergue-se feliz, agradece à todos da editora direcionando-se à saída para encontrar seu avô que também se erguia para seguirem para casa… Enquanto caminhavam, um diálogo mais que especial acontecia, começando com a própria escritora à comemorar: “- Estou muito feliz vô… Finalmente meu livro deu certo e quem diria que seria justamente esse, o livro que achei que ninguém levaria à sério…”

Seu Otávio, homem forte espiritualmente, ainda mantinha um corpo em condições e apresentava a rigidez de quem viveu uma vida inteira de caserna, era ele quem sorrindo, comemorava juntamente e incentivava: “- Ora… Mas esse é o mais real de todos, tu colocou como ficção, mas a gente sabe a verdade e praticamente uma boa parte da população também não é?”

A jovem arrumava os cabelos os prendendo em forma de “rabo de cavalo” e continuava a argumentar: “- Sim, mas eu não queria deixar tudo tão claro e tão direto… Isso expõe à mim e também iria expor o senhor né vô? Então eu precisei mudar algumas coisas pra dar um pouco de privacidade para quem pude…”

Seu Otávio fazia sinal de quem compreendia tudo, mas ainda assim argumentava: “- Entendi… De qualquer forma é muito fácil buscar e encontrar o comandante da Brigada durante todo o conflito e chegar à fonte, não acha? Ah filha, tu me desculpa, na minha época tudo era mais preto no branco, meu avô perdeu terras porque fez um contrato baseado no fio de bigode, como diziam os antigos, na época, era a maior prova de palavra de um homem… Eu tenho dificuldade de entender essas coisas… E esse monte de nome, tu não vai ter crise de identidade não?”

Paula começou a rir bastante, apanhou duas garrafas de água mineral de sua bolsa entregando uma ao avô e seguiu explanando: “- Ah que é isso vô, são três nomes só e um deles é o verdadeiro, nada demais à se gerir, sem falar que eu nem cito o ano em que tudo aconteceu, de repente lá no futuro quando alguém ler, nem vai conseguir buscar a época certa de todo o ocorrido…”

O bom homem abria a garrafa, bebia um gole e tentava compreender: "- Ok, mas quanto aos nomes, vamos ver se entendi… No livro, tu é Marinny, uma personagem que depois virou Sonido, mas ainda assim é Marinny a escritora...”

Paula faz um “positivo” para seu Otávio e completa logo após beber um pouco da água: “- E ainda mantive meu nome em segredo, usando somente nosso sobrenome durante as referências do livro para o comandante da Brigada de forma que ninguém vai ligar o seu Otávio Pedroso ao ex-comandante Pedroso… E apesar de serem a mesma pessoa, apesar de realmente o senhor ter sido o Comandante da Brigada e avô da Marinny na história também, duvido que alguém tenha percebido isso afinal deixei poucas e escassas pistas deste parentesco… Não creio que alguém vai associar esse bondoso seu Otávio e sua neta Paula ao comandante aposentado da Brigada Militar e Marinny não acha? Só se alguém realmente quiser vasculhar isso e se for o caso, não vai ser a gente escondendo nomes que vai impedir de chegarem até nós… Apenas não quis nos deixar como figurinhas carimbadas que todo e qualquer leitor fechasse a soma, entendeu?”

Seu Otávio então coça o pescoço como quem ainda tinha seus receios com isso, mas sem opções, deixa essas ponderações para depois, pois tinha mais perguntas em sua mente: “- Sei não… Mas enfim, o que importa é que tu estás feliz e as aventuras chegaram ao fim com pelo menos todos vocês vivos… Aliás, o que aconteceu de verdade com todos eles? Tu não conta no livro, só se despediram no cruzamento…”

Paula fecha a garrafa de água e convida seu avô para sentarem-se num dos bancos da Praça da Redenção e explica: “- Achei que esse era outro dos pontos onde eu poderia tentar manter alguma privacidade à todos eles, por isso não expus isso no livro, mas bem, o que se sabe é que, o Bruno voltou à seu planeta e talvez nunca mais volte à Terra… Lanthys e o Argos continuam seu monitoramento do Brasil e do mundo, como imortais que são, vão seguir suas diretrizes fazendo o que nasceram para fazer… Eu, pretendo avançar cada vez mais como escritora e repórter e espero que tudo dê certo… Quem parece, como sempre, que teve o destino mais controverso foi o Leandro… Ele fundou uma empresa de segurança em Gramado… Presta serviço para hotéis, artistas, autoridades, festas, o que precisar de segurança, é com ele mesmo, e ao que tudo indica, está fazendo grande sucesso… Mas, dizem por aí nos bastidores, que ele fundou também uma rede de bares com "diversão masculina", se é que o senhor me entende, e que estariam fazendo muito sucesso... Tudo isso não é confirmado, não é oficial, mas apesar de tudo, sabemos que é bem provável que seja verdade visto estarmos falando do Leandro…”

Seu Otávio presta atenção em um anúncio em outdoor eletrônico onde um comercial chamou a atenção, mostrava diversas casas de prostituição, belas mulheres na capa e a mais famosa se chamava coincidentemente "Vermelho 69"... O sexagenário, inteligente e observador como sempre foi, traduziu em sua mente o nome da casa como "Red Pervertido" e ficou se perguntando, se seria aquela a tal casa das quais Ana Paula havia falado... Uma coisa era certa, o nome tinha tudo à ver com a mente doentia de Leandro, pensava ele... Logo em seguida riu muito de seu pensamento e junto da neta completava a situação: “- Uma vez Leandro sempre Leandro, não se pode mudar… E nossa, como foi difícil não deixar que a Polícia Cósmica prendesse ele também depois do que fez ao Guntraz em sua partida… Que cara encrenqueiro, mas contrário à tudo que alguém do seu tipo indicaria, tem um coração enorme… Mas filha, ainda me resta uma curiosidade… Nunca foi mencionado em toda a saga um nome pra equipe e do nada, tu me surge com esse título… Porque?”

Paula fica pensativa e ela mesmo tenta entender o porquê sempre viu este nome como algo que se referisse a equipe... Em uma tentativa de achar a lógica, enquanto confabulava consigo mesmo, ela ia argumentando: “- Bem… Eu sempre curti muito cultura japonesa, o senhor sabe… E quando juntos sempre me pareceu que representávamos em atitudes, aqueles heróis perfeitos que a sociedade japonesa mostra… Ok, eu sei que isso não é a realidade deles, aliás, líder em suicídios é um dos recordes do Japão entre tantos outros problemas, mas… Os heróis que eles apresentam, tem um jeito diferenciado que me encanta e eu via muito isso neles, principalmente em Lanthys e Argos… Assim eu quis dar uma dica dessa personalidade que vejo neles, usando o Nipo... Quanto ao Rangers… Bom, eles realmente parecem aqueles guerreiros americanos cheio de armamentos e tecnologias e tal… Quando mencionei ao Lanthys e ao Argos esse nome eles disseram que era adequado e que soava bem, então, segui essa linha de raciocínio e mantive o título do livro como “Super Guerreiros Nipo Rangers”!”

O então ex-comandante da Brigada Militar de Porto Alegre coça a barba e olhando para o céu azul e límpido acena positivamente com a cabeça como se entendesse os conceitos que a neta usou… Mas achando que ainda faltando dizer algo sobre essa equipe ele mesmo dispara: “- Entendi… Não esquecendo que a mais fã de cultura japonesa estava no meio, lutando como todos eles e escondendo sua real identidade para poder se manter anônima à tudo… É sem dúvida é um bom nome, meus parabéns! Uma coisa é fato, foi algo bem doido tudo isso, aliens, robôs, cães falantes, mas desde que começastes a manifestar estes poderes com som, ainda bebezinho, eu sabia que a caminhada seria cheia de surpresas… E sabe do que mais? Eu não me arrependo de nada!”

Ana Paula então se abraça ao avô, os dois ficam ali, curtindo o céu satisfeitos com tudo, ao que o avô novamente questiona, uma vez que não teve a resposta no primeiro momento: “- E então, a batalha acabou mesmo?”

Paula se solta do abraço do avô, colocando as duas mãos sobre o banco e pensativa, mais reflexiva do que objetiva, responde: “- Do jeito que o mundo está sempre em perigo? Eu duvido vô! Acho que estamos tendo apenas… Um breve recesso... E não vejo a hora de pular no pescoço do Lanthys de novo!”

Os dois então se olham sorriem e pegando seus materiais seguem caminhada para sua residência enquanto isso, longe dali, mais especificamente na base CTG Cap´s, Argos e Lanthys chegavam de mais uma patrulha, deixando o LandCharger no hangar e seguindo para a sala central da base quando avistam um homem diante deles, os aguardando ao centro do saguão… Lanthys e Argos de pronto se preparam para o combate e indagam: “- Quem é você?”

O ser irradiando energia apenas gesticula pedindo calma e explica: “- As realidades precisam de vossos trabalhos guerreiros, escutem as minhas palavras, as nossas palavras…" Mais dois seres idênticos surgem e se posicionam ao lado deste conclamando em uma só voz: "- Nós somos... Os Observadores!”

FIM - Ou recomeço?

Galeria de imagens:

A equipe Nipo Rangers diante do Memorial ao Expedicionário, Porto Alegre/RS:


Os Observadores:

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Airwolf - Ecos do passado! (Parte 3)


Pouco mais de 50 quilômetros de Little SandTree - Aproximadamente 21hs
Algo em torno de duas horas fora o tempo necessário para o poderoso veículo cruzar as distâncias entre o Covil do Lobo e as proximidades da pequena cidade de Little SandTree onde eles iriam pôr em prática o plano  combinado! Ambos tinham certeza se tratar de uma armadilha, apenas restava descobrir se era para capturar a tripulação, o Airwolf ou ambos; tentando se precaver para qualquer uma das opções, os três desenvolveram uma estratégia para surpreender seu inimigo e todos os detalhes haviam sido preparados durante o tempo de voo! Quando se aproximavam da autoestrada que dava acesso ao local, Hawke questiona seu amigo sobre mais um dos pontos daquela investida: “- E o sistema de supressão está funcionando já Dom?”

Acionando alguns comandos em seu painel, Dominic Santini confirma os dados recebidos e olha para Caitlin, na expectativa de que tudo estivesse pronto na parte da jovem também, o que com o retorno positivo foi respondido: “- Positivo e operante, a compilação da nova atualização que inserimos reagiu perfeitamente! Aquele filho da mãe terá uma grande surpresa!”

O experiente piloto acena positivamente com a cabeça sem olhar para trás e prepara-se para achar um local adequado para o pouso, a noite já havia caído havia tempo e as luzes da aeronave se fossem ligadas chamariam demais a atenção! Eis que ao passar por sobre a rodovia, que já estava dentro dos limites da cidade, eles avistam uma pick-up atravessada no meio da estrada em aproximadamente 500 metros à frente…

Os motores em modo furtivo não denotavam a presença do Airwolf para os ocupantes da caminhonete enquanto que os sensores da aeronave começavam a funcionar buscando que tipo de armadilha os aguardava naquele veículo suspeito, mas a resposta dos escaneamentos fora por demais repugnante e era Dominic quem irrompia em fúria com os dados: “- Hawke… Não é uma armadilha, são três homens e uma mulher e pela posição em que estão na carroceira da pick-up e a forma como estão à segurando, não preciso te dar mais detalhes para entender o que está acontecendo…”

Hawke, em um costumeiro cacoete quando irritava-se com algo, cerra os olhos e movimenta o manche do helicóptero pela autoestrada completamente vazia não fosse pelo veículo à frente, se aproximando dos desavisados criminosos com tamanho silêncio que só o perceberam quando os holofotes dianteiros do Airwolf foram acionados, colocando todos, inclusive a vítima em espanto…

A moça em pânico, usa da oportunidade e instintivamente busca suas roupas para se cobrir e fugir, mas um deles à segura enquanto o que estava por cima dela, agora se encontrava em pé, erguendo as calças tentando se vestir rapidamente e então, puxa a espingarda que mantinha a moça cativa sempre olhando para as luzes que os afrontavam… O homem então aponta a arma e fica a observar a luminosidade sem fim tentando compreender o que acontecia pois, nenhum deles conseguia distinguir o que, naquela escuridão estava à frente deles…

Com voz completamente imponente, através do sistema de áudio da aeronave, o piloto do Airwolf atende as expectativas de Dominic e Caitlin, proferindo: “- Escute lixo humano... Deixe a moça seguir caminho e eu pouparei suas vidas miseráveis… Um movimento em falso e então será seu último…” A aeronave começava a emitir um ruído desconcertante, resultado de seus exaustores que deixou os três homens confusos e os dois que seguravam a moça, começaram a se afastar da pick-up com temor pois não conseguiam decifrar o que era aquilo que os ameaçava ao passo que o que segurava a espingarda aponta a mesma carregando o cartuchos se preparando para atirar, aos berros: “- NÃO TENHO MEDO DE NENHUM ALIENÍGENA, SAI FORA DAQUI SEU FILHO DA PUTA QUE A VADIAZINHA É MINHA!”

Hawke coloca o dedo no gatilho e meneia a cabeça lentamente, como se dissesse “- Não faça isso” ao passo que não é atendido e observa, com certa ironia até, o estuprador à atirar contra a fuselagem do Airwolf, acreditando estar realmente fazendo alguma frente ao veículo… “- Você teve sua chance…” Sentencia o piloto e erguendo o nariz da aeronave, travando sua capacidade de elevar-se, aumenta a rotação das hélices principais criando um verdadeiro vendaval que começou à sacudir a pick-up, derrubando o homem armado de cima dela com violência, para logo em seguida a caminhonete virar por completo também como se atacado por um poderoso tufão!

Assim que a pick-up rolou estrada à fora, Dominic informava: “- A mulher está em fuga às 3hs, os dois imbecis que a seguravam seguiram direção oposta, estão correndo em pânico às 9hs enquanto que o valentão tá com as pernas quebradas no meio da autoestrada…” O piloto então se aproxima do homem ferido o suficiente para manter distância necessária e dispara uma rajada de suas machine guns, todas atingindo 50 cm distante nos dois lados do meliante, ação mais do que suficiente para dar à Hawke e os demais a satisfação de ver o arrogante criminoso se urinar por completo e chorar como uma criança antes de desmaiar em meio à rodovia… A aeronave manobra então e desaparece na escuridão da noite para cumprir seu plano que aliás, já estava em andamento!

Redondezas da cidade de Little SandTree:
A noite passa rápido, e no dia seguinte, o sol raiava de forma suficiente para que se avistasse longe, enquanto Dominic e Caitlin observavam Hawke seguindo em direção à pequena cidade, na tentativa de descobrir o que quer que essa cidade pudesse revelar sobre o inimigo oculto, esse era o foco naquele momento e em poucos minutos de caminhada, Stringfellow já estava na cidade, dirigindo-se ao que parecia ser a lanchonete do local!

A cidade com pouco mais de cinco mil habitantes, parecia uma cidade do velho oeste, com poucos na rua naquele momento mas com tudo muito bem definido... Barbearia, armazém, oficina, borracharia entre outros… A entrada da lanchonete era tipicamente americana apesar do visual western de Little SandTree e mais aconchegante ainda era seu interior… Hawke entra, olha para dentro, algumas pessoas tomavam café da manhã e o piloto segue rumo ao balcão para falar com o homem de espesso bigode que olhava feio para o recém-chegado…

“- Bom dia… Então, sabe de algo diferente nessa cidade?” Hawke interpela o dono da lanchonete que olhando feio para ele continuava e após alguns segundos encarando o veterano, continuou à passar pano no balcão, ignorando-o completamente... O piloto do Airwolf por sua vez, buscou olhar ao redor para tentar perceber alguém à o observar, como ele acreditava que estariam, até que, como se tivesse voltado atrás em uma decisão firme, o homem do bigode volta-se para Hawke ganhando sua atenção novamente: “- Olha cara, nada de novo acontece nesse fim de mundo, a única coisa nova aqui é você e, se o Bogan te pegar aqui você vai arrumar confusão… Ele detesta forasteiros e na maioria das vezes não é nada convencional na forma de solucionar as coisas!”

Hawke dá um sorriso e exclama satisfeito: “- Então com certeza deve ser com este tal Bogan que devo falar… Onde ele está?” A porta da lanchonete se abre, o veterano vira-se e à sua frente, com um palito de dentes na boca, óculos escuros, uniforme de patrulheiro e chapéu branco de ranger, um homem de expressão nada amistosa o encarava e a placa em seu peito não deixava dúvidas de que havia encontrado dois pontos chave de sua visita, o tal Bogan e o Xerife da cidade, ambos na mesma pessoa… Hawke se recosta no balcão com os dois braços ao passo que o Xerife aceita a provocação e vai direto à ele: “- Documentos… Estranho…”

O veterano com expressão séria, responde sem pestanejar ou gaguejar: “- Fui assaltado… Perdi documentos e carro… Estou em busca de registrar o ocorrido e minha próxima parada era a delegacia para efetivar a queixa…”

Bogan, o Xerife, observa Hawke de cima a baixo e fica por alguns segundos o encarando até que dá um assovio e três oficiais do condado adentram a lanchonete e, sob o comando do Xerife, tentam prender o recém-chegado. O primeiro leva a mão buscando pegar o pulso direito de Hawke, mas encontra apenas o vazio e a reação inesperada, pois com as costas da mesma mão, o piloto bateu com força no nariz do oficial, o fazendo ir para trás. Assim que esse fato aconteceu, os outros dois oficiais avançaram, mas sem experiência nítida para dominar um prisioneiro, tiveram seus narizes quebrados igualmente na confusão terminando a cena estirados ao chão… Assim que os três estavam fora de ação, o piloto então olhou para eles e logo para Bogan, completando a cena: “- Não gosto de homens me tocando… Agora podemos ir à delegacia registrar queixa?”

Mesmo contrariado, Bogan aceita a oportunidade e em questão de minutos estavam todos na delegacia... Local pequeno, apenas escrivaninhas e material de escritório naquela sala, que era a maior, após isso havia o banheiro, a cozinha e a parte separada que continha as celas onde eram colocados os prisioneiros... Hawke sentava-se diante de uma das escrivaninhas e o Xerife então, logo após colocar seu chapéu em um cabide afixado na parede, apanha um café e senta-se diante do piloto que o observava, o tempo todo aos olhos, tentando decifrar qual era seu papel nisso tudo… Bogan segue analisando Hawke por alguns segundos, numa espécie de quem fala primeiro, e finalmente dispara: “- Então, espera mesmo sair vivo daqui senhor Stringfellow Hawke?”

O veterano sorri, satisfeito em saber que com certeza estava no caminho certo de descobrir alguma pista sobre seu inimigo, respondendo à altura: “- A pergunta é se eu deixarei você ficar vivo após eu encontrar o que vim buscar…” Os dois se encaram por mais alguns segundos até que então Bogan saca sua pistola apontando diretamente para a cabeça do piloto que fica o encarando seriamente, como se o desafiasse à puxar o gatilho… Por alguns segundos ambos ficaram naquela situação até que o Xerife faz um gesto aos oficiais para que o algemassem, tarefa que agora foi fácil uma vez que Hawke estava sob a mira de uma arma e assim, conduzido à prisão dentro da delegacia…

Arrastado e arremessado para dentro da cela, o piloto vira-se para Bogan e questiona: “- Então o grande plano de seu chefe é me ver morrer em uma cidade esquecida no fim do mundo?” O Xerife, visivelmente irritado, cospe ao chão e apontando o dedo indicador da mão direita ameaça: “- Sua sorte é que ele gosta de jogos e me pagou muito bem pra te ver no jogo preferido dele, pois eu adoraria te meter uma bala na cara aqui mesmo e fazer você engolir essa arrogância... Seu tempo vai chegar, me aguarde aqui e…” Bogan dá um sorriso sarcástico, saindo do local com os demais oficiais, todos rindo enquanto completa: “- Não vá à lugar algum antes que eu volte!”

Os oficiais saem e então Hawke olhando ao seu redor acaba por perceber que não estava sozinho, pois na cela ao lado jazia uma mulher, desnuda, muito machucada e praticamente desmaiada no local… Com persistência ele tenta chamar a atenção dela até que ela abre os olhos com dificuldade e o observa, tentando entender do que se tratava... 

“- Você está bem? Consegue esperar o socorro chegar?” O piloto questionava à jovem enquanto a mesma, após o observar por mais alguns segundos, entra em um estado de choro compulsivo, percebendo a situação em que se encontrava, comentando entre o pranto: “- Eles me espancaram a noite toda… Sinto que minhas costelas perfuraram algo e… Estou sentindo o sangue dentro de mim… Meu Deus, como isso foi acontecer...”

Hawke, apesar de perceber que a mulher estava em seus momentos finais, tenta conversar com ela um pouco mais, tenta acalmá-la para ganhar tempo e quem sabe achar um meio de socorrê-la: “- Porque está aqui? Porque te fizeram isso? O que uma mulher está fazendo dentro de uma delegacia nesse estado?” Ela tossiu um pouco e na palma da mão que ela levou à boca, resquícios de sangue ficaram demonstrando seu estado grave, mas ainda assim, ela controla o choro, e recosta-se na grade, tentando explicar o que conseguia: “- Sou de Los Angeles… Vim pela promessa do bom emprego… disseram que havia uma vaga de bom salário aqui… Que a outra candidata não quis por ser longe da cidade… Eu nunca consegui falar com essa suposta outra mulher, no fim… A vaga era para atendente no bar noturno da cidade e… Uma vez que recusei a companhia do Xerife… Ele mandou seus capangas me darem um fim…”

Hawke se aproxima da grade, uma tentativa de demonstrar à moça moribunda que ela não estava sozinha naquele momento, um tentativa, talvez infrutífera ele sabia, de que ela reagisse e suportasse aguardar o socorro, buscando falar com ela e mantê-la desperta: “- Mas quem te enviaria para essa furada, tem algum inimigo ou inimiga?” A moça com a respiração cada vez mais pesada, se podia ouvir o sangue em sua garganta, responde, com bastante dificuldade… “- Um amigo… De faculdade… Disse ser… Amigo de Bogan… Bom… Parece que de… Bogan… Realmente ele é… Amigo…”

O veterano piloto percebe ela desfalecer e tenta intervir: “- Ei… Moça… Reaja! Você deve ter família, alguém esperando por você… Vamos lá, me diga seu nome, pense em algo bom para te amparar agora, eu vou buscar ajuda e te levar para um hospital, aguente mais um pouco…” A jovem parecia ganhar uma pequena fagulha nos olhos, um sorriso em meio aos ferimentos surgiu, parecia um raio de esperança enquanto ela balbuciava: “- Angelina… Meu nome é Angelina… Uma coisa boa... Talvez ter tempo… Para agradecer ao anjo… Que ontem a noite… Deu-me mais… Algumas horas de vida… Mas talvez eu… O encontre… Se partir… Não é?”

A moça começa à chorar novamente, então o estampido abrupto e Hawke pode perceber Bogan na entrada do local, com o revólver fumegante na mão… O piloto volta então sua visão para Angelina e ela jazia com a cabeça para o lado, o furo do projétil à verter sangue enquanto Bogan comentava: “- Desde que chegou, sempre falou demais e fez de menos… Pelo menos agora servirá de refeição aos meus bichinhos… Aliás, senhor Hawke, meu amigo disse que você também foi promovido… À refeição do dia, ahahahahaha!”

Algum lugar próximo da cidade...
Já se passavam das 11hs, Hawke estava agora algemado na carroceria de uma pick-up e ao seu lado o corpo de Angeline, sem vida… Tão logo o veículo deteve seu movimento, os dois oficiais que o acompanhavam o arremessam para fora, caindo de forma descontrolada pelo barranco em direção à algo que parecia um portão de ferro com espessas telas de metal, protegendo o acesso à um campo que por sua vez era completamente cercado por telas reforçadas e na faixa de três metros de altura… Hawke tenta entender o que iria acontecer e é quando Bogan chega com os demais e se agacha à seu lado: “- Sabe rapaz… Essa cidade é pequena, quase não temos diversão… Quando aparece uma carne nova como a nossa amiga na carroceria ali, algumas ainda resolvem ser puritanas… Então, pra gente poder se divertir a gente tem de inovar… Trazer novas garçonetes e as que a gente não consegue se divertir com elas, dar um destino para que não incomodem mais… E sempre gostei muito de safaris, mas minha função, devido minha responsabilidade incontestável, não me permite ir à África o tempo todo e então pensei… Porque não unir o útil ao agradável? Assim eu criei o meu próprio Safari e veja só, ele é bem fiel aos verdadeiros…”

Bogan gesticula com a cabeça e os dois oficiais vão até a caminhonete, pegam o corpo de Angelina e enquanto o terceiro mantinha a arma em mãos para qualquer evento... Os dois oficiais arrastaram a jovem para dentro do campo, a colocando ao pé de uma árvore situada uns 200 metros da entrada, voltando o mais rápido que podiam para fora e aguardando então do lado externo… Bogan se ergue e puxa Hawke pelo colarinho o colocando de pé também: “- Veja... A brincadeira vai começar…”

Dois leões de porte grande surgem do meio de algumas vegetações e se colocam a morder e rasgar o corpo da jovem Angelina em uma cena que até mesmo Hawke quis virar o rosto… O xerife olhava para o piloto que com expressão de frieza continuava à olhar a cena, não demonstrando sua repulsa para não dar méritos à tentativa de Bogan de amedrontá-lo e diante do fato, o xerife gesticula para os oficiais que apontavam agora suas armas para Hawke enquanto o próprio Bogan removia as algemas conduzindo o mesmo ao portão de entrada do Safari… Hawke vira-se para o Xerife, este dá um cuspida no chão e com um sorriso arrogante pergunta: “- Alguma última palavra, comida de leão?”

Hawke olha diretamente nos olhos de Bogan, logo então para cada um dos três oficiais, para novamente voltar para Bogan: “- Sim… Eu vou matar vocês… Todos vocês… Por mim, por Angelina e por todos os outros que já pereceram aqui!” Os três começam à gargalhar e então empurram Hawke para dentro da cerca, trancando o portão e voltando para seu veículo, saindo rapidamente do local deixando para trás o piloto, à encostar-se na tela para evitar chamar a atenção dos leões que se alimentavam… Com passos lentos ele vai se deslocando e tentando ganhar distância para um local mais alto e assim evitar se tornar realmente refeição de leões e tão logo consegue ganhar alguma distância, acionando um botão em seu relógio de pulso se comunica: “- Dom… Caitlin, na escuta?” A comunicação era quase instantânea e a voz de Caitlin era ouvida: “- Alto e claro, já temos sua localização, suba o mais alto que puder, estamos indo te pegar!”

O piloto segue escalando a elevação, tentando se manter longe dos leões, mas sua afobação e a comunicação respondida o denuncia, fazendo com que um dos leões perceba sua presença, largando então o corpo inerte para realizar o que seu instinto o impelia, caçar! Em torno de 500 metros separavam os dois, Hawke ia o mais rápido que podia enquanto o leão continuava à avançar com velocidade e assim o tempo ia ficando cada vez mais curto… “- Dom, é melhor se apressarem ou irão perder a viagem!” A resposta novamente vinha rápida na voz de Caitlin: “- Se mantenha subindo, estamos chegando, já posso te ver subindo a elevação!”

O leão se aproximava rugindo, o segundo leão percebendo a situação também larga o cadáver e corre na mesma direção! O veterano chegava ao topo, olhava ao redor e não avistava seus aliados enquanto o primeiro leão chegava ao topo do descampado também, preparando para saltar quando então Hawke grita como último recurso: “- Droga Dom, cadê vocês?”

O ruído dos motores da possante aeronave surge por detrás de Hawke e o sistema de comunicação da aeronave era quem transmitia a voz de Caitlin agora: “- Estamos aqui, não se preocupe que vamos afugenta-los com os rotores!” Colocando temor nos felinos que agora já estavam em dupla, o ruído e a poeira gerada pelo planar do helicóptero colocam os dois para correr permitindo o resgate e assim que o veterano teve acesso ao interior do veículo, olhou com expressão séria para Dominic demonstrando que os acontecimentos haviam sido graves… Enquanto ele vestia o traje de piloto que se conectava com o capacete e as terminações neurais da tripulação, Hawke foi relatando o que havia acontecido e descoberto, mas acima de tudo, tão logo recobrou o controle do Airwolf, era o piloto quem determinava os próximos passos da equipe: “ - Mantenha o supressor ativo, tenho certeza que nosso anfitrião irá aparecer, uma vez que julga que estou morto… Vai ser nossa chance de descobrir mais alguma coisa nesse mar de lama, porém... Antes disso, eu preciso vingar uma amiga!”

O poderoso Airwolf sob o comando de sua tripulação completa, aciona suas turbinas e parte emitindo seu som característico colocando os reis da selva em pânico, deslocando com velocidade máxima para a cidade de Little SandTree!

De volta a cidade, o Xerife acabava de chegar na delegacia com seus oficiais, ordenando que dois deles  fossem limpar as celas que estavam ainda com vestígios de sangue… Enquanto os dois se foram para o fundo, o terceiro sentou-se em sua estação de trabalho, ao passo que três homens adentram o local em total gritaria uns com os outros, sendo um deles em cadeira de rodas com gesso nas pernas, e falavam sobre alienígenas, bebedeiras e coisas do tipo... Bogan então os observa e ordena que todos se calem, repreendendo severamente: “- Seus inúteis… Mandei a garota para se divertirem e dar fim nela e deixaram-na voltar para a cidade… Precisei eu mesmo concluir o trabalho, bando de frouxos!” Os três homens então tentaram se explicar mas antes que pudessem fazer algo as vidraças da delegacia explodem em cacos, diante de um ruído poderoso que ecoa por sobre a construção e logo uma das pick-ups da polícia que estava do outro lado da rua explode rodopiando em chamas para os céus enquanto uma sombra começava a aumentar até que o Airwolf surge pairando quase rente ao chão, de frente para a delegacia…

O Xerife corre para a janela, enquanto os outros oficiais chegam para observar também… Os três homens meliantes da noite passada se escondem por detrás de mesas gritando sobre serem os alienígenas da noite passada e a população sai para fora das casas para entender o que acontecia, ao passo que a voz de Hawke se manifesta através do sistema de som da aeronave: “- Xerife Bogan… Parece que os gatos de seu amigo não foram bons o suficiente… Você mata pessoas, coloca seus corpos no Safari particular para não ter de responder por eles e todos que estão dentro desta delegacia com você são seus cúmplices…"

Tanto população quanto aqueles dentro da delegacia não tinham palavras ou atitudes para responder à situação, Hawke aproveitou esse momento e continuou: "- Povo de Little SandTree, se possuem parentes ou amigos desaparecidos, sugiro que procurem no safari de Bogan… Farão tristes descobertas... Quanto à você, Xerife... Você gosta de intimar quando suas vítimas não podem se defender... Te desafio para um duelo, e as regras são claras: quem sair da delegacia morre, o duelo é entre o Xerife e eu... Escolha sua melhor arma e pode atirar primeiro Xerife…”

Indignado e furioso, Bogan apanha e carrega sua espingarda, atirando sem parar contra o Airwolf, descarregando por completo todas as munições que dispunha, enquanto Hawke saboreava o momento de ver o criminoso de farda, suando frio e sentindo o desespero que suas vítimas sentiram... Após ficar com a espingarda sem qualquer munição, Hawke puxa o gatilho de seu manche e começa a destruir a delegacia por completo, atirando por todo o local, destruindo as mesas, as vidraças ainda inteiras, os computadores, armários, veículos particulares de ambos que estavam à frente enquanto a população protegia-se daquele cenário de guerra!

Um movimento no manche e a aeronave manobrava por sobre a já avariada delegacia, dando a volta pelo céu, espalhando fumaça e chamas com seus rotores... Era possível perceber que a população se espalhava fugindo dali, o que permitiu à equipe descarregar sua raiva, explodindo todos os veículos oficiais, disparando contra os depósitos da delegacia, aniquilando tudo que estava sob os cuidados do Xerife, voltando então à pairar à frente do local semidestruído, flutuando poucos centímetros do chão, ficando em silencio absoluto esperando a reação dos encurralados… Era possível ver claramente que os demais dentro da delegacia ou estavam feridos ou tentando fugir do embate enquanto que o único à se manter em pé, diante das vidraças quebradas e danificadas era Bogan, sangrando bastante, sem seu chapéu branco, sem o óculos escuro, sacando sua pistola com dificuldade e mirando para dar pelo menos um último tiro, um último ato de imposição e intransigência, demonstrando que não se importava com nada do que fora dito ou cobrado durante toda aquela ação… O Xerife aponta sua arma, o piloto o observa e aguarda... Bogan puxa o gatilho e dispara todas as munições que possuía enquanto Hawke degustava a cena... Ele se lembra então do choro de Angelina e da ação que tirou sua vida pelas mãos do Xerife... Uma lágrima escorre de seus olhos e uma última frase definiria a história daquela pequena cidade, ecoando pelos comunicadores do Airwolf: “- Os leões dentro do Safari… São animais, agem por instinto… Não tem culpa das atrocidades cometidas… Mas vocês tem!”

Hawke aciona os botões do manche e começa à disparar… Um tiro do canhão pulsar e a delegacia em sua parte principal voou para o céu levando consigo os oficiais e civis ali dentro em uma cena assustadora... Mas aquilo não era suficiente para aplacar a raiva que alimentava Stringfellow Hawke naquele instante e assim ele disparou mais uma, mais duas vezes, até ter certeza de que nada ali havia restado, manobrando então e partindo por sobre a cidade para campo aberto, deixando para trás um lugar de morte e corrupção… “- Descanse em paz Angelina…”

O Airwolf seguia se trajeto sem acionar suas turbinas, o clima se tornou bastante pesado mas o piloto se sentia vingado… De repente o alerta da aeronave dispara e Caitlin é quem anuncia: “- Míssil SideWinder, direção 10hs, velocidade MACH 1, distância 1500 metros…”

Os olhos de Stringfellow se cerram, Dominic aciona todas as armas e olha para Caitlin acenando positivamente enquanto o Airwolf mudava de direção e uma voz, já conhecida deles, se manifestava nos sistema de comunicação: “- Bravo!! Muito bom senhor Hawke… Usaram minha arma contra mim, um sistema de supressão de sinais bem como amortizadores de outros, não refletindo nada que eu enviasse e ainda absorvendo qualquer tipo de sistema de rastreamento que eu usasse... Com isso, precisei efetivamente vir olhar para poder encontrá-los… Evitaram que eu encontrasse o Airwolf enquanto você brincava com Bogan e seus gatinhos e ainda quase conseguiu sair de cena sem que eu pudesse perceber… Mas eu fui mais experto, eu encontrei vocês e agora vou derrubar todos de uma só vez já que não pude me apoderar do Airwolf!”

Hawke sorri com expressão de quem estava satisfeito e completa: “- Esperto? Ele cai em nossa armadilha e se julga esperto Dom?”

A voz se manteve em silêncio enquanto um sunburst de despiste de calor explodia o míssil ao longe e o Airwolf, detectando completamente a aeronave que os afrontava, parava de frente pra ele, mesmo estando invisível aos olhos humanos, com a voz de Hawke ironizando: “- Nós precisávamos confirmar algumas teorias e muitas delas foram comprovadas agora… Primeiro que nosso supressor funciona e que agora, você é quem tem de nos encontrar… Segundo que pudemos confirmar também, que você é um bundão, filho da mãe, sem qualquer capacidade de pilotar um helicóptero por isso manda uma aeronave controlada à distância para nos atacar e atacar os aviões comerciais, pois não há nenhum registro de assinatura de calor dentro desta aeronave… Terceiro que de posse das informações que obtive na cidade e do trabalho de Caitlin, já triangulamos sua emissão de sinal! Ouça bem covarde… Estaremos em breve, baforando em seu pescoço!”

Hawke aperta o gatilho e as machine guns começam à disparar pegando a aeronave inimiga de surpresa, fazendo com que a mesma seja atingida por diversos disparos, e ao tentar manobrar, acaba ficando mais exposta ainda, recebendo dois disparos poderosos dos pulsares em sua fuselagem! Seu leme inferior é danificado, a caixa central de comandos explode a camuflagem começa à falhar dando oportunidade de pelo menos em um vislumbre, observarem uma aeronave idêntica ao Airwolf com tonalidades de cores divergentes apenas e uma vez mais o inimigo se coloca em rota de fuga, buscando ganhar distância para fugir do combate que novamente, havia sido totalmente frustrado!

O Airwolf aciona suas turbinas e segue em MACH 2.5 atrás do inimigo, e a aeronave em fuga usava do mesmo recurso. Enquanto tentava atingir a área montanhosa para fugir por entre os cânions, o Airwolf disparava seus misseis maverick e hellfire em busca de um contato, de um impacto, porém a agilidade e coordenação do fugitivo era incrível!

Dominic: “- Eu não creio que possa manobrar tão bem assim estando tão longe!”
Caitlin: “- É possível sim Dom, é necessário grande tecnologia e principalmente, grande prática, mas estamos vendo ele fazer isso diante de nossos olhos!”
Hawke: “- Ele está chegando na cadeia montanhosa, ele continua no nosso radar Dom?”
Dominic: “- Sim, eu consigo captá-lo claramente por enquanto mas as montanhas irão gerar interferência se ele chegar até elas!”
Caitlin: “- E não é só isso, veja a tempestade se formando, será um risco sermos pegos por ela!”
Hawke: “- Não importa canyons ou tempestade, vamos derrubá-lo aqui e agora!”

O experiente piloto prepara-se, trava a mira e dispara mais um maverick e então novamente o alerta do Airwolf ecoa, dois misseis vindo de posições diferentes estavam em perseguição: “- Míssil Hellfire, 4hs, distância 2100 metros, velocidade MACH 2!” Era Dominic quem passava o relatório ao passo que Caitlin também tinha à informar: “- Outro, vindo às 8hs, distância 2000 metros, velocidade também MACH 2!”

Irritado Hawke busca manobras para confundir os mísseis e jogá-los na direção dos sunbursts e chaffs, realizando loopings e esquivas rápidas sem muita dificuldade, manobras estas que culminaram na explosão dos dois artefatos que rumavam em direção à eles com sucesso, porém, ao estabilizar o voo e buscar por seu inimigo, antes mesmo de Dominic dizer algo, Hawke já sabia a resposta… “- Ele desapareceu do radar…” O veterano pensa por alguns segundos, observa o horizonte e abre a comunicação de rádio, falando: “- Eu sei que está me ouvindo e sei onde te procurar… Eu vou te encontrar… E vou te matar! Me aguarde!”

Algumas centenas de quilômetros dali, uma sala semi escurecida, com dezenas de monitores e equipamentos sofisticados, ostentava uma cadeira idêntica à um assento de helicóptero, com todos os comandos e itens necessários, porém muito mais avançados, um verdadeiro simulador de voo de incrível tecnologia... Ali, alguém repousava de cabeça baixa, com as mãos sobre a nuca, parecendo estar imóvel mas logo ele solta as mãos e começa a sair do assento, lentamente como se estivesse muito cansado, suando em profusão e com a expressão de fúria completa… Salivando bastante, o homem do qual só se podia ver a silhueta, esbravejava: “- Muito bem… Tente me achar então Stringfellow Hawke… E faça isso antes que eu deixe o RedWolf em funcionamento novamente, porque senão, teremos chuvas de corpos sobre os Estados Unidos!"

Naquela mesma noite, Hawke, Dominic e Caitlin estavam com Arcanjo e sua assistente Marella na sede da Firm, e enquanto explicavam todo o ocorrido, alguns minutos se passaram até que o responsável pela célula especial, pensando um pouco sobre tudo conclui: “- Vocês triangularam as ondas de comunicação como tendo sua fonte de emanação em Los Angeles… A falecida Angelina, disse ter ido para Little SandTree, cidade controlada por Bogan que definitivamente estava sob ordens de nosso inimigo oculto, e ela alega ter ido sob recomendação de um colega de faculdade em Los Angeles, que provavelmente é o homem que procuramos também… Os mísseis usados são de fabricação americana e a aeronave não era tripulada mas pela última posição no radar, estava rumando para Los Angeles… Bom, sem um novo vídeo que nos leve à outro local, se eu não estiver ficando senil, parece que o único elo até agora é Los Angeles e se quisermos descobrir o que Los Angeles está escondendo, o único jeito é investigarmos Los Angeles, todos concordam?”

Todos os presentes acenam positivamente enquanto Arcanjo apanha o telefone, digita alguns números aguardando então alguns instantes, ao passo que assim que a ligação se completa, o homem de terno branco define: “- Tuttle? É o Arcanjo! Vamos precisar colocar o falcão nas ruas!”

Galeria de imagens do episódio:

Sunburst - também chamados de explosão solar, são como flares, artefatos que queimam em temperaturas mais altas que o calor dos motores e turbinas de equipamentos aéreos, fazendo assim com que mísseis que se guiam pelo calor, persigam esses "chamarizes" ao invés da aeronave alvo!
Chaffs - sistema similar ao Sunburst, porém ao invés de calor, dispersam milhares de pequenas folhas de alumínio que criam uma espécie de nuvem atrás da aeronave que confunde o míssil, fazendo com que ele exploda nesta nuvem!

Míssil denominação Sidewinder: míssil do tipo "ar-ar" orientado por radiação infravermelha e calor de curto alcance, utilizado por vários tipos de aviões de caça. Deve o seu nome à cobra Sidewinder, com quem partilha o seu padrão de movimento tendo sido o primeiro míssil ar-ar realmente eficaz, largamente imitado e copiado. 
Míssil denominação Maverick: míssil do tipo ar-terra táctico concebido para suporte aéreo de curta distância. É eficaz num vasto leque de alvos táticos, incluindo blindados, defesas aéreas, navios, transporte terrestre e edifícios-reservatório de combustível.
Míssil denominação Hellfire: míssil do tipo ar-superfície desenvolvido principalmente para uso anticarro. Ele possui a capacidade de engajar alvos múltiplos com precisão, em diversos tipos de missões, e pode ser lançado a partir de plataformas terrestres, marítimas e aéreas. O míssil Hellfire é a principal arma de precisão ar-superfície das Forças Armadas dos Estados Unidos e de muitos outros países. O míssil tem sido utilizado em combates desde 1980.






quinta-feira, 15 de julho de 2021

Nipo Rangers - Episódio 21 - "- Imperador Guntraz!"


Porto Alegre/RS - Brasil - 17hs

Lanthalder corria pela lateral do inimigo com velocidade máxima que podia e atacava com socos e chutes conforme avançava tentando causar algum dano no oponente, mas o gigante de quase três metros o ignorava por completo ao passo que segurava RedTurbo pela cabeça impedindo que o mesmo se movimentasse, recebendo sem qualquer preocupação os ataques de Sonido e de Argos como se nada fosse!

A região do terminal rodoviário da cidade de Porto Alegre ficou tomada pela destruição, as pessoas corriam sem conseguir saber para onde seria o local mais seguro, o túnel que seguia pela avenida Castelo Branco se tornou um caos pois os carros começaram à ser atingidos próximo do embate e com isso uma fila enorme de acidentes engavetou-se túnel à dentro trazendo verdadeiro pânico! Um dos hotéis mais antigos do local, o Hotel Conceição, encerrou suas atividades naquele dia, pois suas  frágeis e já deterioradas estruturas não suportaram os impactos e ruíram trazendo morte à dezenas de pessoas e enquanto tudo isso acontecia ao redor, os heróis seguiam tentando deter o invasor, tentando entender o que acontecia!

Percebendo a ineficácia de suas ações até então e sentido o grande perigo para RedTurbo, Lanthalder corre em direção oposta ao combate, salta agarrando-se às paredes do viaduto principal que cruzava a avenida Castelo Branco, arremetendo-se para cima para ganhar peso e na queda, desferir um impacto maior! O plano era bom e poderia até dar certo, mas infelizmente, mesmo com o aumento de força do impacto devido ao deslocamento céu abaixo, Guntraz desferiu um golpe com a mão energizada e bloqueou o ataque como se nada fosse, arremetendo Lanthalder para trás novamente…

Os guerreiros não se dão por vencidos, e enquanto Argos disparava a rajada de plasma fazendo o pulso do imperador aquecer o suficiente para que soltasse o guerreiro rubro RedTurbo, Sonido e Lanthalder com sua Gatling Gun tentavam pelo menos ajudar para que o aliado fosse solto e tão logo conseguiram a façanha, ambos recuaram tentando reagrupar e reorganizar o ataque!

Lanthalder: “- Afinal de contas como ele chegou aqui e de onde esse tamanho todo?”
Sonido: “- As informações de um meteoro adentrando a atmosfera foram detectadas e informadas pelo centro de climatologia da Universidade Federal, então eu corri pra cá para cobrir a notícia, mas, não era um meteoro, era Guntraz dentro de uma módulo espacial… Então o ataque começou, eu alertei vocês que já estavam à caminho e tentei conter ele ao mesmo tempo que ajudava à evacuar pessoas daqui…”
RedTurbo: “- Ele tá mais forte, as defesas dele tão completamente monstruosas assim como a velocidade e apesar desses quase três metros, ele se move mais rápido que eu…”
Argos: “- Eu sinto as ondas mentais de Cerebrax nele, aposto meu cérebro positrônico que os dados enviados na batalha anterior estão todos ali... Guntraz enviou Cerebrax como um coletor de dados e ele agora tem defesas para todas as nossas capacidades…”

Uma esfera flamejante vem em direção aos guerreiros e explode os fazendo saltar e dispersar para que finalmente o vulgo Imperador, tomasse a palavra agora:
“- Isso malditos, exatamente isso insetos irritantes… Você Lanthalder, seu maldito, me desafiou e vai servir de exemplo! Mas não vou te matar antes ou rápido, eu vou te inutilizar, e você vai ficar sem poder fazer nada enquanto eu destruo essa cidade inicialmente e depois toda e qualquer localidade que se recusar a se curvar a mim! Os dados de Cerebrax me informaram tudo que hoje vocês detêm de poder ofensivo e defensivo e inclusive, suas evoluções ao nível de Graviton Cannon, ou seja… TENTEM O SEU MELHOR E TUDO QUE CONSEGUIRÃO É MORRER! MORRAM! MORRAM!! MORRAM!!!”

Esferas e mais esferas são disparadas, rajadas oculares atingem o chão explodindo tudo, e enquanto os guerreiros tentam conter o ataque, Comandante Pedroso entre outros oficiais, Brigada Militar, Bombeiros e SAMU tentam de toda e qualquer forma resgatar feridos e evacuar civis do local, buscando diminuir o estrago à vida que aquela batalha estava causando! Lanthalder é o primeiro a avançar bradando aos demais: “- Usem tudo que tem, a batalha é de vida ou morte, não poupem esforços, EM FRENTE, VAMOS DERRUBÁ-LO!”

RedTurbo passa com velocidade pelo androide, aumentando sua força com a rapidez, tornando-se um poderoso raio rubro tentando atingir em cheio o imperador poderoso, desferindo socos e chutes energizados ao máximo, causando pequenas explosões onde atingia! Ele percebe que não era nem perto do suficiente, repensa suas ações se lançando para trás e girando, caindo ao chão com o punho direito erguido batendo o mesmo logo que pousa ao chão, fazendo uma verdadeira descarga de energia poderosa correr pelo solo e explodir com magnitude incrível aos pés de Guntraz, algo que com certeza abriria uma cratera no lugar e assim o fez, mas o inimigo, o Imperador, ainda estava em pé sem sequer expressar preocupação com o ataque…

Com um sorriso maligno, o imperador retesa o gigante braço para trás debochando: “- Ataque de calor, capacidade ígnea impressionante, capaz de explodir carros e derreter ferro inclusive… Por isso imunizei meu corpo ao elemento fogo, na verdade, fogo, calor e todas suas variantes são uma brisa para mim, sou muito superior à vocês insetos, ahahahaha!” Guntraz então desfere um potente soco em RedTurbo, confirmando o que estava dizendo e o arremessando para longe com o impacto descomunal, mas mal terminou de atacar, o que levara ao todo segundos, e uma rajada de plasma em intensidade máxima o atingia em cheio…

O cão máquina era quem fazia seu ataque agora e enquanto esperava algum retorno positivo utilizando o máximo que podia em potência, ainda assim viu seu Plasma Cannon sequer obrigar o inimigo a colocar os braços para defender-se! Guntraz então com calma, virando-se para Argos, caminhava e argumentava: “- O calor cáustico e muito acima das chamas normais do fogo é impressionante mas ainda é só calor… E se sua intenção era fritar meus componentes internos, eu os revesti com camadas de isolante termal, não funciona também cãozinho!” Guntraz vai avançando até Argos, enfrentando as rajadas do cão máquina para então chegando ao alcance, atacá-lo com poder máximo em mais um golpe de punho, o arremetendo para longe da batalha com enorme força, e tudo que estava acontecendo, levava apenas segundos, a velocidade do vilão e dos heróis era indescritível!

Foi então que como uma esfera de demolição gigante, o grito de Sonido uniu-se aos demais sons do local e atacou com furor o inimigo! Um ataque de raiva e vingança, tanto pelo que ele já tinha feito, quanto o que ele, em sua nova capacidade poderia fazer e, a força do som sólido e destrutivo que a guerreira enviou contra o inimigo era tão poderosa, que como se fossem mini navalhas invisíveis, ela repicou e estilhaçou por completo a capa de Guntraz assim como o que estava ao redor dele, mas o vilão, apenas virou-se, sorriu como se um galanteador fosse e em questões de segundos estava diante de Sonido a agarrando pelo queixo enquanto sua expressão se tornava aterradora: “- Sistemas de deflexão sonoros foram instalados por toda minha pele assim como em minha armadura e partes mecânicas, como se fosse, deixe-me ver… Um espelho refletindo luz, consegue entender minha cara mutante manipulador de sons? Mas confesso que esqueci de revestir minha capa, um desperdício desse tecido Meriliano que obtive no comércio negro intergaláctico… Enfim, grite o quanto quiser, tudo que verá será medo… Dor… Pânico… E morte!” Guntraz bate a cabeça de Sonido ao chão para logo em seguida chutá-la atingindo seu abdômen, o que com a força do impacto, a arremessou igualmente para dezenas de metros longe da batalha quando um novo som chamou sua atenção do vilão:

"- GUNTRAAAAZZZ!”

O gigante imperador observa ao longe, Lanthalder com seu Próton Cannon carregando ao máximo e logo compreende toda a situação, começando à bater palmas vagarosamente e estampando um sorriso debochado no rosto, demonstrando nenhuma preocupação com a cena: “- Nossa, que previsível, bastou eles não conseguirem vencer facilmente como sempre faziam e já apelaram para a famosa formação, eu distraio e você prepara o canhão… Enfim, mande tudo que tiver de prótons para mim androide, meu corpo está transbordando em elétrons, ajude o mundo a ter mais átomos neutros e… Oh não, átomos neutros são a coisa mais comum e inofensiva do universo, pois estão em tudo e em todos!” O vilão gargalhava enquanto o disparo chegava potente, reverberava pela armadura enquanto o imperador abria os braços e gargalhava para somente então, como num passe de mágica, toda energia projetada pelo disparo de Lanthalder se dispersou pelo ar como névoa enquanto o inimigo gargalhava sem se quer se mover!

RedTurbo: “- Essas bostas de plano não funcionam pra nada, vamos atacar como nunca, bora pra cima dele, bora, BORA!!”

O impetuoso RedTurbo se inflama por completo e parte pra pancadaria, os demais seguem o instinto guerreiro de seu aliado e os quatro ao mesmo tempo começam um ataque que mal podia ser visto por olhos humanos tamanha a velocidade! Lanthalder com sua Gatling Gun acionada, disparava rajadas de plasma ao mesmo tempo que usava ataques corporais; Sonido desferia rajadas de impacto, de corte, de atordoamento e o suor e a exaustão começavam a brotar em seu rosto! Argos usava seus ataques de impacto se tornando um meteoro e chocando-se contra Guntraz ao mesmo tempo que insistia em suas rajadas de plasma ao passo que RedTurbo tentava atingir com violência pontos cruciais como pernas, cabeça, mas nada parecia ser afetado por seus ataques ou de qualquer outro!

Por minutos eles atacaram sem parar enquanto Guntraz se defendia de tudo e de todos até que RedTurbo, o único capaz de pensar em uma ideia dessas, salta para trás ganhando espaço e então volta em direção ao vilão, correndo como nunca, seus pés pareciam incendiar-se, e ele bradava, chamava a atenção de Guntraz para si torcendo para que o vilão se virasse para ele no momento certo… Em sua mente uma coisa só passava sem cessar: “- Ele era humano… Ele era homem… Eu vou apostar tudo nisso, se ele tiver um ponto vulnerável é esse!” RedTurbo aumenta a velocidade como nunca e tudo que ele esperava daquele momento aconteceu, em sua mente, como se estivesse em câmera lenta…

Guntraz se vira, abre os braços para conter o ataque, RedTurbo detém seu movimento diante do gigante em frações absurdas de segundos e puxa sua perna direita para trás trazendo a mesma de volta para frente com força máxima, quase deixando um rastro do seu movimento e com a parte de cima do pé, chamada por muitos como “peito do pé”, acerta o mais poderoso e destrutivo chute que já desferiu em sua vida, diretamente onde seriam ou deveriam estar as genitálias do Imperador… Tudo então fica em silêncio, apenas o estrondo seco do chute desferido ecoando, enquanto Argos esperou, Lanthalder se impressionou e Sonido colocou a mão à boca, todos esperando o resultado do inusitado e inesperado ataque…

Preciosos e demorados segundos se passam enquanto o valente guerreiro ficava observando Guntraz que permanecia estático após levar às mãos até o local, quando finalmente uma fina lágrima escorreu de seu olho direito, e um gemido fino e desengonçado saiu pela fresta que ficou em sua boca, enquanto sua expressão era inexplicavelmente dolorosa...  Turbo percebeu que havia atingido seu objetivo e que nem tudo no imperador havia sido maquinizado, puxando então toda energia e poder que lhe restava, desferindo um upper poderosíssimo ao queixo do inimigo que o fez voar pelos céus diante da surpresa e potência do ataque inesperado… Enquanto completava a sequência, o guerreiro veloz olhou ao redor e viu que os demais entenderam a oportunidade e com uma sequência incrível de seus melhores ataques físicos, Argos, Sonido e Lanthalder desferiram tudo que podiam contra o inimigo em pleno ar até que ele caísse ao solo diante do ataque destruidor!

Tentando completar a chance única, sem perder um segundo sequer, Lanthalder então se arremete para cima e para trás, girando no ar e pousando de forma poderosa ao chão, posicionando-se com os braços para cima, aguardando enquanto Argos, que havia compreendido a manobra, salta e gira no ar convertendo-se para unir-se ao homem-máquina, onde os dois androides bradam e disparam com força total: “- GRAVITON CANNON!”

A potência da rajada abriu uma fenda no chão atingindo em cheio o imperador maligno que mesmo tentando segurar todo o impacto acabou não suportando e sendo arrastado para trás para logo em seguida a energia explodir e o arremeter alguns metros mais longe… Lanthalder e Argos desfazem a união, a equipe se reagrupa e espera o resultado do ataque formidável e observam Guntraz à ser erguer, sôfrego, bastante avariado e cambaleante, com fumaça e curtos saindo de seu corpo… O gigante maligno então os observa e pondera: “- Realmente contra o Graviton Cannon eu não tenho uma defesa específica… Ainda mais sendo surpreendido dessa forma, foi realmente um bom golpe… Talvez se me atacarem umas três vezes na sequência com tudo isso possam me destruir, mas… Eu também tenho minhas surpresas…"

Guntraz ergue sua mão em direção aos céus, a equipe se lança em ataque para impedir o que quer que fosse a manobra e então, um raio desce da imensidão alaranjada do pôr do sol atingindo Guntraz no mesmo momento em que a equipe chegava para o ataque, ocasionando então uma retro-alimentação de energia que arremeteu os heróis para trás e fez Guntraz brilhar como o sol enquanto se banhava na misteriosa rajada… Os guerreiros se prepararam e assumiram posição defensiva enquanto o brilho cessava e Guntraz uma vez mais estava diante deles, completamente renovado, sem ferimentos, até mesmo sua capa estava de volta, como se nada tivesse sofrido, exibindo seu poder por completo uma vez mais e observando os guerreiros desta vez, com expressão mais séria e até mesmo, enfurecida. Como último adendo, na região genital de Guntraz uma nova armadura com espinhos se formou impedindo que repetissem a mesma façanha... Eis que a esperança parecia querer desaparecer de vez…

RedTurbo: “- Ah cacete, qual é que é desse cara?? Graça divina que ele recebe é?”
Argos: “- O Cruzador na órbita da Terra… Ele está drenando energia do Cruzador e assim se regenerando…”
Sonido: “- Então de nada adianta todo e qualquer esforço que fizermos?”
Lanthalder: “- Não podemos desistir, nós temos que persistir, as pessoas... Os inocentes dependem disso… De nós... Somos… A última esperança!”

Guntraz então some e aparece diante dos heróis reescrevendo a frase dita por Lanthalder: “- Correção… Vocês eram a última esperança… Até nunca mais seus vermes!” O gigante ergue os braços para cima e uma onda de energia sai de corpo atingindo violentamente todos os heróis enquanto  iniciava a concentrar energia entre as mãos! Os guerreiros não se dão por vencidos, eles se erguem mesmo contra todas as expectativas e varrem a distância entre eles e o inimigo, se empenhando em atacar Guntraz de novo com tudo que tinham ainda para usar, mas Guntraz, o imperador sequer se movia, continuando a fazer a mesma concentração de energia que crescia cada vez mais e mais… O desespero começou à tomar conta da equipe, eles queriam impedir aquele ataque fosse o que fosse, de qualquer forma, pela magnitude da invocação o golpe seria devastador e usando tudo que tinham eles tentaram, mais do que seria capaz de se imaginar ou tentar, mas Guntraz estava intocável, nada fazia efeito... Argos e Lanthalder novamente se posicionam e  iniciam o processo para o Graviton Cannon, era sua última tentativa, sua última chance mas… Era também tarde demais...

Os olhos de Guntraz brilham em intensa energia vermelha ele desfere a esfera energética das mãos ao chão com violência descomunal e então, por mais de cinco minutos as explosões continuaram no local, sem que sequer alguém pudesse ver o que acontecia dentro do epicentro da explosão energética, varrendo prédios, veículos, seres, adentrando o Rio Guaíba a aprofundando o rio em vários metros leito abaixo… Como se fossem pequenos mundos colidindo-se uns com os outros, esferas menores dentro do ataque se chocavam e explodiam em rajadas energéticas sem parar até que finalmente conseguissem extinguir umas às outras, buscando uma destruição generalizada para o que quer que estivesse ali e enquanto o Imperador se retirava e começava a destruir a cidade, imune ao poder do ataque, os quatro heróis sequer conseguiam compreender o que acontecia com eles enquanto eram atingidos inúmeras e inúmeras vezes sem parar…

Os minutos se passaram, a ação parecia haver terminado, os sons de raios energéticos e explosões ecoavam como se estivessem a centenas de quilômetros dali, como se o androide estivesse em uma autoestrada já afastado da cidade, mas ouvindo um bombardeio ao longe… Ele tenta focar sua visão, ele tenta reestruturar sua adição, ele põe seus servo-motores em funcionamento mas percebe que nada parece responder corretamente...Sem conseguir entender direito o que acontecia ele continuava a enviar comandos para que se corpo respondesse, afinal ele era uma máquina, poderia se levantar enquanto funcionasse, mas parecia que seu corpo não obedecia mesmo que o comando mental o ordenasse a isso…

“- Eficácia do sistema em 38% e caindo…”

Alertava a voz fria e assustadora dos salvaguardas instaladas em seu corpo como proteção para que seus sistemas pudessem gerenciar suas energias e não o deixar inoperante em uma campo de batalhas, mas as avarias eram grandes e seu sistema iria se desativar em breve, ele sabia disso… "- Onde eles estão? Será que sobreviveram?" Pensava o androide ainda envolto em sua situação caótica...

A visão retornava, algumas falhas mas nada que o impedisse de agir… A audição estava melhorando e em segundos ouviria perfeitamente, no máximo com o som agudo que insistia em incomodar, mas ele conseguiria se orientar, ele sabia disso… Seu próximo pensamento foi pelos amigos e temeu por todos, mas um ruído de curto circuito muito próximo chama sua atenção e o androide logo compreende quem estava próximo dele, embora não o avistasse: “- Argos… Me diga onde está, eu vou até você!"

“- Eficácia do sistema em 31% e caindo…”

O cão máquina surge por entre a poeira e a fuligem no ar ao passo que os sons das explosões agora se mostravam próximos... Lanthalder percebia sem chance de erros agora, era seu sistema auditivo que havia falhado e não ele que estava longe do combate… A chegada de Argos o fez conseguir reestruturar sua programação e assumir o controle de seu corpo novamente, mas a base CTG Cap´s era necessária para que pudessem voltar ao total de suas capacidades combativas, não havia dúvidas disso… "- Onde estão Marinny e Leandro... Não consigo detectá-los... Eu preciso encontrá-los..." Pensava o guerreiro máquina em busca dos aliados com seus sistemas...

“- Ele vai destruir a cidade se não fizermos nada, mas… Pela primeira vez desde que despertei… Eu não tenho ideias…” O cão máquina que sempre foi o cérebro da equipe, sua evolução era justamente acessar novas tecnologias e novas capacidades para si e para os membros e diante da situação, já bastante desoladora, pela primeira vez ele não tinha qualquer ideia do que fazer…

Lanthalder ergue-se, seus sistemas de auto reparo agiam, assim como os de Argos, mas eles estavam muito avariados e sem condições de realizar os reparos adequados, quando então o homem-máquina detecta duas pulsações conhecidas… Ele olha para o local, Argos percebe do que se tratava e em seus esforços mais que destemidos, se dirigem para os escombros avistados que pareciam quase como uma respiração, dada a forma que seu volume de pedras subia e descia…

Os androides avançam como podem, à cada passo eles pareciam ficar um pouco mais firmes mas ainda longe de sua capacidade combativa e tão logo chegaram ao ponto exato, podiam ver a combinação de cores entre vermelho e violeta, se mesclando a apoiar um ao outro em um escudo que os permitiu viver após o terrível ataque! Lanthalder como um louco arrancava pedras e as arremessa longe, buscando ter uma chance que ele julgou haver perdido instantes atrás… Em questão de segundos ele abriu caminho e conseguiu finalmente ver os dois ali dentro, ainda vivos mas praticamente destruídos…

“- Sonido… RedTurbo… Vocês estão vivos!” O homem-máquina terminava de puxá-los para fora e entre alguns gemidos de dor, muitos ferimentos e sangramentos, eles conseguiam alguns segundos de raciocínio para tentar reagir…

Mexendo na cabeça e tentando se localizar novamente, era RedTurbo quem se manifestava, ainda bastante surpreso com tudo e demonstrando estar sentindo intensa e aguda dor: “- Cara… Achei que a gente ia dessa vez… Vi meu escudo começando a ceder e a gente sobreviveu porque a guria aqui usou tudo que tinha pra reforçar o escudo, senão era patê de nós dois nessa porra…”

Argos para diante dos dois e começa à analisá-los com sua visão e rapidamente detecta situações graves à serem consideradas rapidamente: “- Sua perna direita tem múltiplas fraturas Leandro, seus dois punhos estão praticamente destruídos, assim como as falanges em suas mãos estão por um triz para se implodirem… Vários de seus órgãos internos foram afetados e sua coluna, pode ter sido ferida… Existem duas costelas partidas e a energia de seu traje está no limite…”

O irritado guerreiro arranca o que restou de seu visor e o arremessa ao chão enquanto a nanotecnologia se desfazia uma vez que estava longe de seu usuário e antes que ele pudesse refutar o diagnóstico de Argos, o cão máquina continuou, dessa vez se dirigindo à Sonido: “- Seu pulmão não está conseguindo trabalhar corretamente devido ao esforço, você quase sofreu um AVC devido à concentração para gerar a barreira! Seu corpo como se tivesse sido compactado está praticamente todo afetado, desde ossos, terminações nervosas assim como os órgãos, é como se você tivesse sido prensada na mão de um gigante devido ao impacto do uso abrupto de tanta força… Se tentarem lutar, vocês dois, irão morrer…”

A jovem sentia as dores em seu corpo de tudo a que Argos havia se referido, mas não era isso que fazia suas lágrimas rolarem, não era isso que causava o pranto de seus olhos e de sua alma e sim ver a destruição que Guntraz estava causando enquanto eles não conseguiram sequer ficar em pé… RedTurbo esmagava a pedra do chão apertando sua mão, a fúria era mais que palpável na expressão daquele que sempre se considerou capaz de resolver qualquer coisa e agora, sequer podia lutar novamente…

“- Eficiência do sistema, 25% e caindo…”

Lanthalder então ergue-se com dificuldade, ele vira-se para o monarca que devastava a cidade com seus quase três metros de altura, sobrepujando força policial, exército e qualquer outra tentativa de contê-lo… A raiva toma conta do androide, Argos sente sua força de vontade à o contaminar também e ainda de costas, mas observando à Guntraz também, espera pela decisão do irmão máquina… Olhando para aquela batalha terrível, Lanthalder define:

“- Faz tempo desde o primeiro embate não é mesmo pessoal… Conheci Leandro primeiramente, depois Argos e então você Marinny... Também houveram tantos outros amigos… Perdi muitos e vi muitas mortes, várias delas causadas por mim mesmo… Talvez se eu tivesse sido mais enfático Guntraz hoje não estaria aqui destruindo a cidade, ceifando vidas e tendo machucado a tantos… Vocês dois estão nessa situação talvez porque eu não agi mais energicamente… Eu creio que chegou a hora de… Parar de me conter… Parar de achar que devo continuar a controlar minha força diante deste que nos ataca… MindControl e BlastRed disseram que eu levei muitos à morte por minhas ações, mas talvez eu tenha levados muitos outros ao mesmo destino pela falta delas… Pois bem, isso vai se encerrar agora…”

“- Eficácia dos sistemas em 22% e caindo…”

Argos vira-se para a direção que estava o monarca ao longe, destruindo coisas e então também comenta: “- Está bem… Nós nascemos com esse destino, proteger a vida na Terra… Creio que até aqui fizemos um bom trabalho… É hora de finalizarmos essa guerra de vez… Eu estou com você Lanthalder… E estou com você justamente porque sei que MindControl e BlastRed estavam errados!”

“- Parem de falar merda, que bosta vocês tão pensando em fazer? Olha a porra do aviso dizendo que tá caindo a capacidade de luta de vocês, cês tão detonado tanto ou mais que nós dois… Não dá pra fazer mais nada agora…” Esbravejava em completa fúria o jovem combatente veloz, RedTurbo, impossibilitado de usar qualquer coisa além de suas palavras naquele instante em que pressentia o pior...

Sonido enxuga as lágrimas que teimavam em continuar à rolar em sua face machucada com abundância, tentando demover os dois amigos da ideia que começava à se apresentar: “- Lanthalder… Argos… Vamos recuar, vamos pensar em uma forma de combatê-lo… Argos vai ter uma ideia, ele sempre tem, vamos pensar em alguma coisa que permita vencê-lo e…”

O homem-máquina vira-se e a observa nos olhos, interrompendo sua fala: “- Marinny… Um dos grandes prazeres de minha existência foi conhecer você… Pelo menos a você e ao Leandro eu quero proteger como deveria ter feito com todos os seres… Se alguém tem como parar Guntraz, somos Argos e eu nos arremessando contra ele em uma descarga única que poderá destruí-lo… E nós viemos à este mundo para isso… Destruir o mal... Vamos honrar ao desejo ao qual fomos criados… Entenda por favor...”

Arrancando seu visor e o arremessando longe, Sonido refutava por completo as palavras de Lanthalder: “- NÃO! TODAS NOSSAS ARMAS E ATAQUES FALHARAM, AS DE VOCÊS TAMBÉM, SE DESTRUIR TENTANDO NÃO VAI RESOLVER O PROBLEMA, SÓ VAI TIRAR VOCÊS DOIS DE NÓS! PAREM!!”

RedTurbo tenta se erguer, tenta alcançar os dois que viram-se e começam à se colocar em movimento, lentamente inicialmente, mas mesmo assim o jovem guerreiro não consegue alcançá-los e se limita à gritar entre lágrimas como Marinny fez: “- PARA SEUS PORRA! PÁRA SEU CACHORRO DOS INFERNOS! VOLTEM AQUI OS DOIS, VAMOS NOS REUNIR, VAMOS AGIR EM EQUIPE COMO SEMPRE FIZEMOS! A GENTE PRECISA DE VOCÊS, VAMOS ACHAR OUTRO JEITO!”

Os dois androides começam a emanar uma energia muito forte e começam a movimentar-se com mais vigor, seus níveis de eficácia pareciam não estar mais diminuindo embora o sistema de auto reparo de ambos não estivesse corrigindo nada em seus corpos... Ainda assim, por algum motivo inexplicável, ambos pareciam mais altivos, mais determinados e mais capazes…

Lanthalder: “- Sente isso Argos? Parece que estamos mais fortes mas… Eu sei que nossos corpos não foram reparados… O que poderia ser?”
Argos: “- Eu não sei o que pode ser... E tenho de confessar que… Estou realmente decepcionado pois nunca havia ficado sem respostas… Exceto quando voltei à vida nesta forma… Talvez…”
Lanthalder: “- Talvez?”
Argos: “- Evolução… Quando estivermos diante do verdadeiro perigo, a evolução acontece desde que demos o máximo de nós… Será que…”
Lanthalder: “- Nossas vontades podem mudar o curso da batalha? Tentar uma última vez com uma vontade jamais tentada antes, poderia gerar o que os humanos chamam de milagre Argos?”
Argos: “- Creio que não existe uma hora melhor para se fazer isso do que agora…”

Os dois androides pareciam começar à energizar-se cada vez mais e estavam em uma capacidade de locomoção suficiente para correrem e então, misteriosamente seus corpos começam à brilhar enquanto seus sistemas pareciam mesmo contra todas as expectativas, reagir e responder em capacidades melhores… Os dois guerreiros máquinas percebem a reação de seus componentes e servo-motores, eles se esforçam mais e começam a correr em velocidade máxima em direção ao campo de batalha e enquanto corriam, pensamentos refletidos em palavras inundavam os dois como os momentos finais de um ataque kamikaze…

Lanthalder: “- Somos muito mais que guerreiros…”
Argos: “- Nós nascemos com uma missão que vai além de nossas vidas…”
Lanthalder: “- Eles são apenas humanos e estão lutando apostando suas vidas…”
Argos: “- Nós viemos para manter essa luz e essa esperança acesa…”
Lanthalder: “- Comandante Pedroso… Leandro… Marinny… Bruno… Dr. Chang e Centaurus… Vocês confiaram em nós…”
Argos: “- E nós vamos corresponder essa expectativa…”

Alguns metros atrás Leandro ainda gritava à ponto de estar quase sem voz, quando ele percebe Sonido se erguendo com dificuldade, mas ainda assim, fazendo tudo que podia pra ficar em pé... O guerreiro rubro a observa finalmente parando de gritar e vê que a jovem havia parado de chorar, sua expressão era determinada e embora mal conseguisse ficar em pé, ela demonstrava que não iria cair sem esforço... Percebendo que o aliado não entendia sua atitude ela completa: "- Eles pretendem dar a vida por todos nós Leandro... Eu não tenho mais forças pra entrar em combate, mas, ainda estou viva o suficiente para desferir um último golpe, um último escudo que irá proteger o trajeto deles até Guntraz... E tu Leandro, que me diz?" O impetuoso RedTurbo olha para o chão pela primeira vez sorrindo e então usa tudo que tem para erguer-se também, posicionando-se como ela apesar de sentir as costelas perfurando seus órgãos e antes de ativar seus poderes completa: "- E ainda dizem que a mulher é o sexo frágil... Bando de otários, hehehhe!"

Os dois guerreiros então começam à emanar suas auras, elas sobem como se fossem vapor colorido e então colidem, se unem, sem preparam e ao grito de fúria dos dois, a energia avança e envolve Lanthalder e Argos em questão de segundos, não atrasando ou melhorando suas capacidades, apenas, indo junto deles e a essência e calor dessa energia dizia aos dois: "- Onde quer que vão, nós estaremos juntos de vocês!"

Lanthalder e Argos juntos sentem os amigos com eles, se tivessem a capacidade de chorar, derramariam lágrimas de emoção agora, mas tudo que eles pensavam neste instante era honrar o esforço de todos que confiaram neles: “- GUNTRAZ, VENHA LUTAR MALDITO!”

O gigante imperador olha ao longe, o som da voz de seus odiados inimigos chegou diante dele muito antes que eles pudessem fazer o mesmo e inicialmente, Guntraz ainda distinguia Argos e Lanthalder em carga, mas logo em seguida, estava começando à ficar difícil discernir um do outro sem que ele soubesse explicar o porquê…

Os dois guerreiros corriam como nunca, suas fúrias e forças de vontade eram tamanhas que engoliu qualquer avaria de sistema como a adrenalina tira a sensação de dor dos humanos em momentos de êxtase… Seus corpos produziam energia como nunca e suas reações apesar de tudo que haviam sofrido, estava à um extremo que eles mesmos não conseguiam compreender…. Percebendo isso eles se carregam em forças, eles se carregam em determinação, eles se envolvem em coragem, em honra e aumentando suas velocidades se tornam dois meteoros rasgando o chão, para em poucos segundos aumentarem essa força luminosa e realmente começarem à abrir uma cratera por onde passavam culminando finalmente no fato incrível e inusitado de deixarem de ser dois meteoros e se tornarem um único bólido energético poderoso, com mais de dois metros de altura, correndo como jamais se poderia imaginar alguém à correr, em carga furiosa contra o inimigo odioso, fazendo o mesmo pela primeira vez ter dúvidas durante todo o combate!

A vastidão entre os dois lados era vencida, um rastro de destruição foi deixado, a energia aumentou ao máximo sobre o meteoro que rasgava a terra em direção a Guntraz e o mesmo preparou para defender-se mas ele nunca, jamais, estaria preparado para a luta que travaria agora…

O meteoro atinge alcance de ataque, Guntraz coloca os braços à frente do corpo, um uivo diferente de qualquer outro e terrivelmente assustador é ouvido e então o impacto entre as duas forças colossais acontece… Um silêncio assustador toma conta do lugar para então o som do choque do ataque e da defesa romper em um círculo devastador enquanto a energia luminosa parecia aumentar como se ampliasse seu ataque desferido até que finalmente uma nova explosão, um novo som tomava conta de tudo e Guntraz é arremessado para fora da zona de impacto com brutalidade, rodopiando no ar três vezes para então se chocar ao solo de forma horrenda, rolando de forma terrível, se chocando contra carros, prédios, árvores, num avanço devastador e terrivelmente doloroso, até ser literalmente enterrado dentro de um carro forte que ali estava estacionado, fazendo o mesmo entrar junto com ele parede à dentro da construção que estava ao seu fundo e então o silêncio naquele ponto do combate…

Enquanto isso, no local do impacto devastador entre as duas forças, a luz energética começava à ceder e finalmente seria possível ver o que havia acontecido, mas diferente de qualquer expectativa, diferente de qualquer coisa imaginável e da esperança de ver os dois androides em pé, ostentando seu poder, só havia uma silhueta, só havia uma forma naquele local e ainda quase que totalmente encoberta pela poluição do ar que formava uma espessa nuvem... A silhueta rosnava, ela se movia ameaçadoramente, ela parecia estar com as costas arqueadas e exibia em seu vulto uma musculatura poderosa demonstrando que um novo ser ali estava diante de todos, ao mesmo tempo que seu uivo aterrorizante podia ser ouvido em toda sua majestade anunciando que o "milagre", havia acontecido!

Galeria de imagens:



O que podia ser visto na cena final do episódio:

Lion-Maru: O rugido da vingança! (Ato 7)

As profundezas da montanha já não pareciam pertencer ao mundo dos homens. Shimaru descia lentamente pelos corredores antigos, enquanto o eco...