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sábado, 22 de fevereiro de 2020

Grund-Tharg "Força Infinita" - A cidade de WinterLess!


Em um mundo onde magia e fantasia se misturam, várias raças e seres de todas as índoles, observados por deuses benignos e malignos, vivem em constante frenesi de lutas, de guerras, de sobrevivência. Nesta era, um filho da tribo bárbara Tangdarth emerge em meio aos conflitos do mundo em busca de ajuda para seu povo, e acaba por encontrar novas razões para viver que ultrapassam e muito as fronteiras de sua vila natal! Entre desafios e inimigos, Grund-Tharg, vulgo "Força Infinita", irá trilhar um caminho jamais sonhado por membros de sua tribo, que o farão compreender e admirar novas perspectivas de vida, o impelindo como um dos grandes guerreiros dos reinos perdidos! São estas aventuras, que nossas páginas irão contar a partir de agora!

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Grund-Tharg "Força Infinita" - Saga:
Capítulo 1 - A cidade de WinterLess!

A sensação de náusea era insistente, afinal de contas, eu nunca havia viajado de outra maneira que não fosse a pé ou a cavalo... Era a primeira vez, dado a urgência da missão que eu experimentava a sensação de me mover por portais... Na verdade era sequer para mim impossível descrever o que acontece, basicamente eu adentrei um buraco de dois metros de altura em uma árvore à frente da tribo e saí nesta árvore gigante à frente de meu destino: a cidade academia de WinterLess... 

Dizem que nós bárbaros somos burros, devido nosso estilo de vida simplista e até selvagem, mas se nos interessamos por algum assunto, podemos passar por cima de muito almofadinha da cidade em nossos conhecimentos... Eu sou Grund-Tharg "Força Infinita", guerreiro da tribo Tangdarth do Corcel Alado e me interesso por muita coisa... Doravante coisas que geralmente um bárbaro não detém atenção me causam curiosidade e o heroísmo da cidade de WinterLess foi o ponto que me despertou para estudar sobre ela... Enquanto saio pelo portal criado pela magia que gerou uma espécie de túnel através das árvores, eu surjo diante da área frontal em frente aos portões da cidade e percebo que os guardas da muralha inicialmente se surpreendem para logo em seguida começar a me olhar torto... Eu sigo deliberando sobre tudo que aprendi sobre a conhecida cidade enquanto caminho... 

É um local amigável de artesãos, que comercializam extensivamente através dos grandes comerciantes de WaterGround, outra grande cidade de nosso mundo.... Seus relógios de água e candeeiros multicoloridos podem ser encontrados em praticamente todos os Reinos... A propósito, a cidade ganhou o nome de “WinterLess” pela habilidade de seus jardineiros, que conseguiram manter as flores desabrochando durante os meses de neve - uma prática que eles continuam com orgulho. O que esse aglomerado de letras quer dizer eu não tenho certeza, mas tem a ver com a situação de nunca a cidade ficar branca de neve, nem mesmo nos mais rigorosos invernos, ou seja, as flores mantém a mesma colorida, sempre!

Diferente da comentada beleza da cidade, parece ser a simpatia de seus guardas... Eu me aproximo dos portões, era final do dia e o sol se aproximava do crepúsculo... Minha espada nas costas, cara de poucos amigos como é meu natural e ainda em marcha firme sou interpelado... Detenho meu avanço e um dos guardas me grita, “- Quem é o que deseja na cidade estranho?” Meneio a cabeça para o lado, pois embora eu fique a falar comigo mesmo o tempo todo em pensamento, tenho quase paciência nenhuma para falar com outros ou ficar dando explicações... No entanto, naquele momento eu precisava colaborar ou não atingiria meu objetivo imposto pelo velho Goryn Travor... Observo os dois guardas, eles colocam a mão nos cabos de suas espadas, prevejo confusão... Não que eu não gostasse de uma oportunidade de esmurrar alguém, mas aquela não era a hora... Tentei: “- EU SOU GRUND-THARG! GORYN TRAVOR ME DISSE PARA FALAR COM GRANDTURIN...”

Os guardas se observam e então, notava-se que ficaram bastante desconfiados... Me observaram por alguns segundos e então o primeiro guarda, que olhava de baixo acima riu: “- O que mestre GrandTurin iria ter para falar com um bárbaro fedido como você, suma daqui se não quiser ir para a prisão! Vá pedir esmolas em outra cidade!” O guarda acena com a mão me mandado retornar, enquanto o outro fica um tanto receoso com a atitude... Meu sangue ferve com a desfeita, ninguém me trataria daquela forma ainda mais apenas por julgar minha aparência. Como um chacal em disparada eu avanço, não quero mata-lo, isto me traria problemas, mas, ele vai ficar com alguns ossos à menos, isso vai! Cruzo a distância entre nós rapidamente, o segundo guarda se surpreendeu ao me ver já acima deles e ficou sem ação, mas o primeiro, o que havia tripudiado de minha condição, mal teve tempo de virar o rosto para me ver, meu punho direito cerrado foi muito mais rápido e praticamente fiz seu estômago grudar na medula espinhal com o impacto de meu soco, o arremessando com a força de um touro contra o muro da cidade na sequência. Me viro lentamente para o segundo guarda e tento novamente: “- GORYN TRAVOR ME DISSE PARA FALAR COM GRANDTURIN...” 

O guarda se atirou ao chão, começou a recuar apavorado, os demais guardas começam a chegar ao local enquanto o primeiro ainda se despencava da parede onde eu o havia enterrado com meu golpe... Eu observo os guardas que chegaram, fora suas flechas eu acho que me viraria bem com eles, penso em me preparar para o embate mas algo inesperado acontece então... Um impacto fulminante ao centro do campo de batalha, como se algo gigante tivesse golpeado o terreno e intenso deslocamento de ar tomou conta do local! Eu sem sequer cerrar os olhos fiquei observando o que viria a seguir enquanto com o mesmo braço que golpeei o guarda desaforado, agarrei o que estava se borrando ao chão para que ele não fosse levado para longe. A poeira começa a ceder e então era possível ver um homem, cabelos curtos e castanhos, armadura imponente e diversas armas pelo corpo, segurando uma espada longa e me olhando com um tom de deboche... Fiquei o encarando, ele ergueu-se, guardou a espada e foi até o soldado estropiado. Tocou nele, faz alguma coisa com as mãos e o curou pelo que pude ver, vindo logo em seguida para minha direção, parando há dois metros de mim me observando com o mesmo riso que parecia debochar de algo... Nos olhamos por alguns segundos e então é ele quem fala: 
“- Achei que os tinha ensinado melhor as maneiras de agir com recém chegados... Falaram o que não deviam, pagaram o preço... Respeito é algo apreciado por todos, certo comandado de Goryn?” 

O homem me dá um tapa no braço, continuo a observar ele e só vejo um único motivo para que ele estivesse agindo daquela forma... 

“- TU ÉS GRANDTURIN?” 

O homem então se vira e vai caminhando em direção à cidade enquanto gesticula com a mão me convidando: 

“- Vamos conversar na taverna, afinal melhor cerveja na boca do que terra...” O observo por alguns instantes, olho para os guardas, solto o que estava desmaiado em minhas mãos e sigo atrás daquele que se denominava Grandturin... Não olho para nenhum dos que ficaram ao portão, não por arrogância, mas por respeito, afinal ninguém gosta de ser visto derrotado... Sigo o homem e vou fazendo conjecturas e planos caso algo desse errado, mas ele foi mesmo em direção à uma taverna e logo que sentou mandou trazer cerveja em abundância, o que agradou bastante... Após quase empinar a caneca inteira, ele arrota, limpa o bigode de espuma e indaga: 

“- Que confusão o maldito Goryn se enfiou agora? Engravidou outra centaura? Precisa de um jeito de não deixar mais nenhuma engravidar? Ahahahahahahah! Fala-me valente guerreiro da Tribo do Corcel Alado, como posso vos ajudar?” 

Ouço suas perguntas enquanto sorvo minha cerveja e com satisfação bebo de um só gole, a sede era grande, o mal estar da viagem através de portais ainda incomodava... Então, tão logo esvaziei a caneca, bato com a mesma na mesa, eu tento explicar a que vim... 

“- PRECISAMOS DE... ARCANOS... OS MAIS PODEROSOS QUE PUDER DISPOR... ORINDON ESTÁ INCAPACITADO DE COMBATER E PRECISAMOS DELE...” 

Vejo que Grandturin coça o queixo e fica ainda bastante curioso com o fato... Ele sabe que nós os descendentes de Tangdarth não fazemos uso de magia em nossa grande maioria, mas, apesar disso possuímos grandes xamãs e curandeiros, era no mínimo intrigante para ele eu creio, que estivéssemos recorrendo a ajuda externa, ainda mais de arcanos, criaturas possuidoras de grandes magias as quais nós olhamos com péssimas considerações. Grandturin então me indaga: “- Sim, sim, você tem razão, estou muito interessado em entender isso, e como não tenho contato com o seu líder Goryn Travor, eu preciso perguntar... O que está acontecendo na Floresta Enluarada que seja suficiente para fazer um bárbaro solicitar ajuda desse tipo jovem Grund-Tharg... Pode me dizer mais sobre este enigma?” 

Somos guerreiros que evitam a civilização por motivos simples, mas o mais forte de todos é que os civilizados são repletos de regras... Entre nosso povo não temos frivolidades, se não gostamos de algo resolvemos em luta, nem somos dados a falar demais ou dar explicações. Se queremos algo pegamos, se não gostamos revidamos e paciência, definitivamente não é nosso forte... Assim como também não temos o costume de entender ou aceitar brincadeiras, nossa honra é nosso maior bem... Tendo consciência de todas essas falhas diante de alguém civilizado, ainda assim me é difícil suportar uma ofensa e eu considero que o comentário dirigido à mim foi deveras ofensivo... Apesar de ainda estar surpreso em como ele respondeu a algo que eu apenas pensei, a sensação de que ele estava zombando de nossa incapacidade em resolver nosso próprio problema me era ainda maior... Me ergo da mesa mais rápido do que conjecturei todos esses pensamentos e fico olhando Grandturin nos olhos, não me importava que ele fosse alguém muito poderoso visto que até mesmo Goryn recorreu à sua ajuda, tirar sarro de minha condição, eu não aceitaria... O observo bem nos olhos, percebo sua tranquilidade de quem parecia saber que eu não poderia causar-lhe qualquer mal, mas ainda assim eu pergunto a ele: 

“- ACASO ESTÁS DIZENDO QUE VIM COM O RABO ENTRE AS PERNAS PEDIR QUE NOS SALVE A VIDA? SE FOR ISSO PODE ENFIAR SUA AJUDA NO RABO!” 

Grandturin respeitosamente se levantou, mesmo nós dois sabendo que ele não precisava disso... Eu sentia que ele poderia me vencer em combate muito facilmente, era visível que ele possuía técnicas fantásticas, ele não seria o mestre de armas e lutas da academia de WinterLess à toa. Ainda assim, com cordialidade que ele não precisaria ter comigo visto seu posto e capacidades, ele se desculpou e me fez entender meu erro: 

“- Acalme-se jovem Tharg, com certeza me expressei mal! Conheço seu líder e vários outros Tangdarth há muito e sei que seus temperamentos e considerações são bem intensos... Eu quis dizer que com certeza algo muito grave está a acontecer para que não resolvam sozinhos como sempre, e eu gostaria de saber este motivo, até mesmo para poder direcionar a melhor ajuda possível...” 

Mesmo sendo diferente dos civilizados eu reconhecia a cordialidade de Grandturin, ele poderia simplesmente me fazer ter mais respeito com ele mas usou de diplomacia e educação e eu respeitaria aquele gesto para sempre. Me sento e então tento explicar, da melhor maneira que me era possível: 

“- OGREBOULD "MIL FLECHAS"... ELE REQUISITOU O DESAFIO DAS TRIBOS... ENFEITIÇOU O ÚNICO CAMPEÃO CAPAZ DE VENCER O DELE... ORINDON... OGREBOULD QUER REINAR USURPANDO NOSSA LEI...” 

Embora as poucas e rústicas palavras, Grandturin compreendeu o que quis narrar... Converso em minha mente o tempo inteiro comigo mesmo, mas tenho grandes ressalvas e indisposição quanto a ficar explicando o que penso aos demais... Na verdade, eu me expresso melhor com uma arma em mãos, se gosto de algo gargalho alto, se não gosto, eu revido à altura! Esse é o estilo de meu povo e por saber que tal estilo não é muito bem-vindo entre os civilizados, prefiro me manter quieto e conversar apenas comigo mesmo... Mas consegui perceber que apesar de quase não usar palavras e extensas dissertações, o mestre de armas à minha frente tinha entendido o que acontecia e satisfeito, acenando positivamente com a cabeça, recostou na cadeira e empinou outra caneca de cerveja. 

“- Precisam remover seu campeão do feitiço e garantir seu direito ao torneio para que possam reaver o direito sobre seu lar, a Floresta Enluarada! É justo e correto o que me pede jovem Tharg!” Diante da certeza de ter cumprido inicialmente meu objetivo, me preparo para empinar minha caneca novamente, quando ouvimos a porta da taverna se abrir com violência... Grandturin e eu sequer olhamos para o local mas ouvimos o estalajadeiro pedindo quase em um sussurro que não iniciassem outra briga pois ele havia reformado tudo havia pouco... A resposta foi um berro que mais parecia uma bufada de um touro bravo: 

“- MALDITO BÁRBARO FEDIDO, AÍ ESTÁ VOCÊ! VAI ME PAGAR POR ME HUMILHAR DIANTE DO SENHOR GRANDTURIN!” 

Tanto eu quanto o mestre de armas ficamos em silêncio, nenhum de nós fitou quem falava, não era necessário, sabíamos exatamente definir o irritado pelas palavras proferidas... Empinei minha caneca de cerveja e em silêncio fiquei, até que senti e ouvi a corrida e a investida do guarda bundão! Me ergui da cadeira movendo-me para a esquerda no exato momento do golpe e vi ele enterrar o machado de guerra na mesa de madeira da taverna, ficando com o mesmo preso, dirigindo então a mim um olhar não mais de fúria, mas sim de pavor... De frente para ele o observei nos olhos agora com toda a vantagem do mundo e desferi um potente murro na cara do infeliz que voou por sobre as outras mesas se estabacando na parede adiante. Coloquei o pé sobre a cadeira e observei os demais guardas enquanto Grandturin continuava com os pés sobre a mesa bebendo cerveja e analisando tudo... Era a hora de ser o que sou, desafiei então: 

“- MAIS ALGUM BORRA-BOTAS MARIQUINHAS SE SENTE OFENDIDO E TEM CULHÕES SUFICIENTE PRA TENTAR SE VINGAR?” 

Eram pelo menos 10 guardas armados de machados e espadas e diante de minha frase parecia que suas faces haviam sido pintadas de rubro. Em carga e com uma gritaria desnecessária se jogaram em direção a mim e então pude finalmente me exercitar como estava querendo há algum tempo. 

O primeiro a chegar tentou me acertar com a espada em um corte horizontal, esquivei, agarrei o pulso dele e torci para que soltasse a mesma. Feito isso com sua própria mão que estava fechada fiz ele esmurrar a própria cara o arremessando com um giro no braço para distante de mim. O segundo tropeçou na cadeira que empurrei com o pé de leve à frente pra causar esse efeito, o abestado bateu com a cabeça em cima do acento, oportunidade perfeita para chutar a cadeira junto com o cão sarnento contra os próprios imbecis. Eles se amontoaram com o impacto e tentaram se desvencilhar pra seguir em frente, quando acabaram por olhar, eu já vinha no sentido contrário de braços abertos. Apanhei a todos de surpresa e os impactei contra a parede a frente ganhando o tempo necessário e os desarmando com a pancada violenta como eu pretendia. 

Agarro um dos guardas ainda em estado de falta de ar pelo impacto e desfiro um soco em seu nariz que tenho certeza, resultou em osso fraturado; peguei o desgraçado pelo pescoço, o ergui e bati violentamente sua cabeça revestida com um elmo contra o que estava ao lado direito, fazendo com que ambos apagasse com o choque, os atirando ao chão e chutando a dupla logo em seguida para longe. Nesse instante percebi que o resto do povo que ali estava quando o embate começou, escolheram um lado na farra e iniciaram a brigar e quebrar tudo, se batiam aleatoriamente como já é de costume em tavernas, apenas escolhiam em quem bater e se atracavam de golpes, usando cadeiras, as mãos limpas, ou jarros, pratos e canecas, parecia que a regra era apenas derrubar oponentes até que só um ficasse em pé, as próprias garotas da taverna faziam o mesmo em uma verdadeira briga generalizada, eu diria que, uma cena maravilhosamente linda de se ver!
Enquanto isso os bardos que tocavam no palco, mudam sua melodia e parecia que o novo ritmo imposto incitava a todos a parecerem muito mais selvagens do que civilizados, transformando o antes calmo e pacato local em uma verdadeira zona de guerra, o que era como música aos meus ouvidos! Voltando ao meu combate e aproveitando o esforço da perna direita para chutar os caídos, girei o corpo completamente, me voltando ao que estava à minhas costas ainda borrado de medo e emendei um soco de direita em seu queixo, o erguendo para cima com o impacto fazendo com que voasse por uma das mesas vindo a cair sobre a outra passos mais distante de nós... Aos meus pés, um dos que ainda não tinha desferido sequer um golpe tentava se levantar, a chance perfeita para ser malvado ao extremo... Ergui meu pé esquerdo e pisei com toda a vontade em seus escrotos sentindo que eles achataram-se ao chão completamente... Acredito que nunca vi uma cara de reação tão feia em minha vida. 

Restavam três deles, agarrei o que estava mais próximo pelo braço, o girei duas vezes no salão o arremessando contra a bancada da taverna o fazendo voar pelas prateleiras, ao que os outros dois agora sujavam o chão de urina enquanto eu caminhava contra eles fazendo os chacais começarem a recuar solto um urro de fúria para intimidá-los e encerrar a batalha em grande estilo, mas neste momento Grandturin se pronunciou salvando o rabo dos que restaram: 

“- Não cansam de passar vergonha soldados? Se ele fosse alguém maligno teria matado a todos com facilidade, não perceberam ainda?” Os guardas gemiam por toda a taverna enquanto tentavam se levantar... Os dois que mijavam no chão apavorados tentam justificar: 

“- Mas senhor Grandturin, ele nos humilhou, temos de reaver nossa honra...” Ganturin ficou de pé finalmente e com ar agora severo proferiu: 

“- Querem suas honras de volta? Recolham os que não podem caminhar, se recuperem e voltem às aulas básicas da academia para aprender a tratar a todos que aqui chegam de acordo com suas índoles e não com as aparências que seus olhos preconceituosos enxergam. Tiveram atitudes erradas ao receber Grund-Tharg e agora outra atitude mais errada ainda ao tentarem adquirir honra sem a merecer... Ao término de seus turnos irão revezar entre instruções primárias na academia e a reforma da taverna, agora retirem-se!” 

Sob as ordens do mestre de armas e instrutor da academia de WinterLess, os guardas recolhem os feridos que não podiam andar sozinhos e ajudam os que podem se mover, se retirando logo em seguida, enquanto eu fiquei parado em meio ao estabelecimento esperando o que viria para mim pelo quebra-quebra que promovi. Grandturin terminou de beber sua cerveja, trouxe o outro caneco que ainda estava cheio e me entregou... 

“- Nunca se desperdiça cerveja meu amigo!” Eu seguro o caneco e ele vai até o balcão, fala com o estalajadeiro que parece ficar contente e o vejo colocar moedas de platina sobre o móvel... Empino a caneca de cerveja que me foi entregue, limpo a barba colocando a caneca vazia sobre a mesa ao meu lado e fico de frente à Grandturin esperando que alguma punição me recaísse também, pois eram a guarda da cidade a quem eu tinha agredido, de certo seria repreendido, além de que o estranho na cidade era eu... O mestre de armas parou à minha frente, me observou seriamente, como se me analisasse para tomar uma decisão e então estendeu a mão para um aperto das mesmas explicando: 

“- Peço perdão pela pouca maturidade dos guardas, ser espancado diante de todos não é algo que se tem orgulho, então, peço que entenda. Durma aqui esta noite, já paguei os estragos e sua hospedagem, amanhã de manhã virei até você aqui mesmo com a equipe que precisas! Não irei decepcionar nem a você nem a Goryn meu grande amigo, fique tranquilo!” 

Eu aperto a mão do mestre de armas ainda confuso, mesmo sentindo enorme gratidão eu não entendia a atitude dele... Realizo um aceno de cabeça agradecendo tentando conter minha dúvida, mas não consigo ficar com aquilo a incomodar... Eu havia atacado seus guardas, os ferido bastante, porque ele puniu os guardas e a mim um estranho nada foi feito? Me viro e fico o observando e antes que eu pergunte o porquê, como que novamente lendo meus pensamentos, antes da pergunta ele me responde: 

“- WinterLess trata a todos de acordo com suas ações, não com sua aparência... Temos seres de todas as raças aqui e todos, até que cometam algo que os coloque em outra situação, são nossos irmãos... Assim como em qualquer lugar existem pessoas propensas a agir de acordo com o que vêem apenas e de acordo com seus pré-conceitos... O guarda errou e você defendeu a si e sua honra, suas coisas mais importantes... Os demais guardas que se deixaram levar pela vingança do primeiro erraram ainda mais e você novamente apenas se defendeu e mesmo tendo poder para tal não matou ninguém... Você é digno das honras a que Tangdarth é referenciado por isso, só merece elogios por sua conduta de acordo com seu povo e suas crenças... Eu o reverencio em suas atitudes jovem Grund-Tharg!” As palavras do mestre de armas entraram forte em meu cerne, talvez mais que qualquer outras palavras tenham conseguido até hoje no auge dos meus 20 verões... Fico a observá-lo enquanto ele segue seu trajeto em direção à porta e então, antes de sair ele completou de forma cordial: 

“- Seria bem vindo à nossa academia senhor Grund-Tharg... Se tornaria ainda mais forte e quem sabe num futuro próximo poderia ser o campeão de sua tribo, protegê-la bem como aos seus, assim  como hoje Orindon faz... Pense na proposta, sem pressa, me pergunte sobre os detalhes quando achar conveniente e conversaremos sobre as “regras demais” e as exceções que poderemos fazer, se achar meu convite interessante, é claro! Até amanhã Grund-Tharg “Força Infinita”! 

Grandturin se retira, eu fico a observar a porta onde ele saiu por alguns segundos... Cerro meu punho direito e o observo pensando na ideia de me tornar mais forte e proteger minha tribo... Porque eu pensaria em aceitar tal proposta me tornando um cachorrinho do exército de WinterLess? Nunca faria isso... Ou... Haveria mais em ser um integrante da academia daquela lendária cidade? De qualquer forma desço meu punho e estranho o silêncio... Olho ao redor, muita coisa quebrada e os que ainda estavam a taverna escondidos atrás dos móveis que restaram... Olho para o balcão do estalajadeiro e vejo o mesmo correndo para a mesa onde eu estava antes da briga, correndo com bandejas e jarros abarrotando a mesma de comida e bebida com um sorriso amarelo no rosto... De todos que estavam no local, apenas um não havia se movido ou feito qualquer menção desde que entrei até agora... Eu me dirijo para minha mesa e depois de fita-lo de relance, em sua armadura negra, apenas me sento, como e bebo à vontade... Ignoro completamente sua presença então, sequer percebi quando foi que ele saiu de lá... Minha missão estava parcialmente cumprida, era aguardar o dia raiar para seguirmos até a Floresta Enluarada e despertarmos Orindon finalmente... 

A ceia terminou porque a mesa ficou vazia... A grande quantidade de comida balanceou com a quantidade de cerveja que bebi e isso impediu que eu ficasse bêbado... Levantei, olhei para a mesa onde o homem de armadura negra estava, nem rastro mais dele... Tornei a não dar atenção a situação e busquei com meu olhar a missão final do dia, mulheres... Várias circulavam por ali a noite inteira, mas existia um grupo seleto que ficava mais próxima do balcão e do estalajadeiro, provavelmente as melhores da casa... Me direciono ao balcão e entro em meio a elas, me debruçando sobre o mesmo observando o dono do estabelecimento que talvez, devido ao quebra-quebra tivesse algum receio de mim... Usufruindo essa vantagem e não dando margem às messalinas para que entendessem que eu as queria muito, disparei ao estalajadeiro:

"- MULHERES... CAPAZES DE AGUENTAR ATÉ O RAIAR DO SOL... QUERO TRÊS..." 

O cordial homem olhou exatamente para as três que eu queria... As mesmas se agarraram a mim e sob indicação do estalajadeiro, me conduziram para o quarto a mim destinado... Havia um tacho gigante para banho, jarros de água ao lado e aquelas coisas que eles usam para se limpar com gosto bem estranho, se não me falha a memória o termo é "sabão"... Tiro minhas vestes, recosto a espada próximo à tina de banho e adentro a mesma chamando as três para o aconchego de meu corpo... Após aproximadamente duas horas de intensa atividade, elas querem abandonar o quarto alegando que não era normal tanto tempo de ato sexual com o mesmo freguês... Meneei a cabeça e disse que uma das três precisava pelo menos finalizar o serviço que contratei e então, poucos minutos depois, a escolhida deixou meu quarto reclamando de dores me permitindo recostar dentro da banheira para aproveitar a vista de minha janela... Era realmente uma bela vista, quase parecia a noite ao relento, de onde se podiam ver o céu, as estrelas... Saciado e em paz, me permiti momentos de recordações interessantes de minha infância... 

É fato que minha mente reservou pouco daquela época, de meu passado enquanto criança em plena tribo do Corcel Alado, mas do momento em que comecei a perceber as coisas até hoje, as lembranças são boas... Confortável e desafiador era o balanço de vai e vem, enquanto minha mãe corria e caçava comigo em suas costas, quietinho, ainda muito pequeno para acompanhá-la em seus largos passos...A observava espreitando as caças e eu tentava nem respirar para não atrapalhar sua investida... Era como seu fosse o caçador em segundo plano tendo uma arma mortal a meu comando, era assim que eu considerava Stefne "Olhos de Águia"... Quando meu pai voltava de algum combate ou alguma missão, era com ele que eu passava os dias, aprendendo a segurar e manusear armas cada vez mais pesadas e ainda assim usá-las com perfeição... O poderoso e condecorado Tenskell "Machado Veloz" era respeitado em toda nossa tribo devido sua grande habilidade em sua arma favorita e contam seus pares que suas capacidades eram ainda melhores demonstradas quando em meio à vários inimigos, eliminando vários com um golpe apenas, o que lhe conferiu a alcunha citada. 

Foram bons tempos... Realmente bons tempos... Me ergo da tina, recolho-me a cama e pego no sono de forma pesada... Estava cansado, minha mente desejava alcançar o descanso para se recuperar de tantas decisões tomadas no dia que passou e se preparar para as que viriam no dia seguinte... A noite me abraça, o sono chega e eu finalmente durmo...

Continua...

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Kinseph - Herdeiro do Sol!


Uma clareira em meio a floresta na região da Terra dos Vales... O sol brilhava alto, estava praticamente ao centro do firmamento e sons característicos e conhecidos do mundo de Faêrun se faziam ouvir... Movimentação rápida, grunhidos, passos em carga, armaduras rangendo, palavras e comandos sendo trocados e magias sendo proferidas. Além disso, os impactos, árvores quebrando, juras de persistência sendo entoadas... Seria certo afirmar que deuses lutavam ali, mas não eram suas formas físicas que ali se encontravam e sim, de seus representantes neste mundo! 
Athena: “– Corromper a natureza e os seres... Usá-los como escravos... Não perdoo!” A delicada mas de aparência selvagem moça, faz um gesto com as mãos e brada furiosa: “– ERGA-SE MÃE NATUREZA!” Instantânea e violentamente ramos de plantas de todas as espécies começam a brotar do chão e cobrir o inimigo que afrontava o grupo, um humanoide selvagem e musculoso, com aproximadamente 2,1m de altura. A maior parte do corpo era recoberta de pelos ásperos e sua boca era repleta de presas compridas e afiadas... Para completar, seu nariz era muito semelhante ao focinho de um urso... As plantas crescem e se enroscam na criatura denominada BugBear, prendendo seu vigoroso corpo e impedindo que ele se mexesse, algo que me impressionou bastante ao ver alguém tão delicada com tamanha fúria e poder... Quem, sou eu? Acho que isso é a parte menos importante de tudo... Talvez como eu me tornei alguém, possa agradar mais... Enquanto a batalha se desenrola, minha mente completamente focada e treinada consegue recordar do passado e preparar meu próximo movimento...

Eu não saberia dizer exatamente todos os detalhes de minha vida, pelo menos o início dela... Sei que um de meus ancestrais tem alguma ligação com os seres divinos conhecidos por muitos como anjos ou arcanjos, mas... Isso não tem muita importância ao final de tudo... O fato é que as lembranças que tenho, seriam deveras dolorosas para uma mentalidade infantil... Na verdade elas judiam bastante ainda, mas são minhas lembranças, minhas raízes... Desde minhas primeiras memórias, a única casa que conheci fora o confinamento dos escravos, em Skuld, cidade capital da região de Mulhorand. Foi lá, nessa região dos velhos impérios do leste Faêrun, onde os Mulhorandi foram trazidos a Toril da Terra pelo Império Imaskar, à procura de mão de obra, onde nasci e perdi meus pais, ambos escravos também, que não resistiram aos trabalhos duros a que foram expostos mesmo estando bastante enfraquecidos e doentes. Pelo menos foi o que fiquei sabendo por mestre Jabart, depois que tive mais capacidade de entender... Ainda com cinco anos de idade, fui vendido para mercadores que saíram pelas regiões a vender novos escravos e faturar com isso, mas inesperadamente, a caravana foi atacada e eu sobrevivi por ter ficado soterrado debaixo dos cadáveres... O medo me paralisou e creio que isso me salvou... Horas depois ouvi movimentos e me mantive tentando trancar a respiração para não ser descoberto, mas a luz do sol brilhou e achei que seria o fim pra mim... Fechei os olhos e esperei pelo pior, só então percebi que tentavam me ajudar e não me matar... Me permiti olhar quem me removia da pilha de cadáveres e esta foi a primeira vez que vi aquele que se tornaria a pessoa que me edificaria como um ser vivo responsável! Clérigo de Lathander e atual líder do templo desta divindade, Jabart através de seus dons me resgatou e graças a ele, tive a oportunidade de ser levado para a cidade de Lua Alta, tratado pelos clérigos do templo, onde comecei a conhecer aos poucos, as crenças e atitudes daqueles alegres prestadores de serviço e senti em minha alma, que algo estava preparado para mim... 

Pedaços de planta então passam pelo lado do meu rosto com perigosa proximidade, a criatura tentava se libertar, mas eu continuava concentrado em meus pensamentos e no que preparava... Um urro e a criatura tenta levar as mãos aos seus flancos e vejo o sangue tingir as plantas, era certo que o pequeno havia chegado até ele da forma que mais gostava, furtivamente... 
Hemming: “ – O melhor dos melhores nunca erra um alvo, ahahaha!” Tão logo ele o atingiu, mal pude ver a vegetação se movimentando enquanto ele desaparecia de novo para atacar uma vez mais das sombras... Minha concentração aumentava e minha mente continuava a vislumbrar o passado... 

Os dias em Lua Alta foram se passando, a situação de liberdade era um tanto nova para mim, eu podia ir onde quisesse e eles apenas me pediam que ajudasse, se pudesse, nos afazeres do templo... Ora, até meus cinco anos eu havia sido escravo e seguia ordens sem questionar, porque iria negar um pedido tão simples agora? E se comparado a opção que o universo me apresentou, ou seja, escravo para sempre em Skuld ou ter sido morto no ataque ao comboio do mercador de escravos, ajudar a limpar e servir ao templo que salvou minha vida e me libertou era mais do que uma satisfação, de bom grado eu ajudava em tudo que podia durante os dias inteiros... O simples fato de poder parar quando quisesse era como se eu tivesse ganhado mais moedas de ouro do que qualquer trabalho pudesse pagar em uma vida inteira... Porém, comecei a perceber que o destino tinha mais para mim que simplesmente trabalhar até o fim de meus dias... 

Conforme a rotina dos dias passavam, eu notava a cidade, suas pessoas necessitadas, eu notava as batalhas e os feridos que chegavam para ser tratados, eu notava a desesperança nas pessoas devido aos problemas e infortúnios da vida... As pessoas precisavam daqueles servos de Lathander a espalhar a motivação entre eles... Eu ouvia as lamentações dos enfermos e feridos e as respostas dadas pelos clérigos e via essas pessoas como dias nublados que murchavam suas almas assim como as plantas murcham e acabam inevitavelmente morrendo sem os raios de sol para alimentá-las... Eu percebi que assim eram as almas dos seres vivos, que sem incentivo, sem apoio, sem alguém que lhes mostrasse que mesmo após as mais poderosas tempestades vinham dias de calmaria e de renovação, eles acabariam se tornando tristes, desestimulados, incapazes de enfrentar seus problemas e de serem felizes ou fazerem a outros felizes... Meus olhos pareciam a cada nova visão destas cenas, adicionar mensagens em meu coração, me fazendo notar o quanto servos de Lathander neste mundo nunca seriam em número excessivo pois sempre os seres iriam precisar daqueles préstimos bondosos e incentivadores para aliviar suas dores, fossem divinas ou psicológicas... Eu havia percebido que seria um desperdício de meus dias não tentar fazer o mesmo que meus irmãos faziam e finalmente senti como se a luz do sol do Senhor do Amanhecer inundasse meu âmago de uma maneira que eu jamais havia sentido! 

A realidade me traz de novo ao momento, ouço passos largos e pesados correndo em direção ao inimigo... O barulho da armadura completa, o relampejar da lâmina afiada, a fúria estampada nos olhos e a determinação de quem não se detinha diante do mal... O cavaleiro trajado de negro ostentando em seu escudo um símbolo com uma mão esquelética empunhando uma balança, retesa sua espada para trás e desfere um movimento transversal de cima para baixo, da direita para a esquerda! Sua espada energizada parecia rasgar o vento e o impacto atinge em cheio o peito da criatura e o brado do cavaleiro retumbou pela clareira:
Malthael: “– DESTRUIÇÃO DO MAL!” O monstro urra, o sangue escorre, ele se enfurece e tenta se soltar uma vez mais e enquanto completo minha preparação para o que estava por vir, minha mente me rouba o controle uma vez mais e outra vez me vejo divagando sobre o passado... 

Naquele mesmo dia em que senti Lathander a me chamar, Mestre Jabart estava esperando no templo por minha decisão parecia, eu tenho quase certeza de que ele sabia o que eu havia vindo propor pois apenas sorriu e me convidou a segui-lo e então meus dias e minha vida mudaram! Com treino, estudo, esforço e principalmente merecimento, meus dons advindos de Lathander começaram a se manifestar e pude começar a entender como evoca-los... Comecei a ajudar em bem mais que a limpeza e serviços, pois me foi permitido acompanhar os irmãos em suas missões internas, fosse no templo ou na cidade, amenizando o sofrimento, removendo as enfermidades de nossos estimados cidadãos e necessitados... Eu sentia que minha vida seria de evolução, de conhecimento novo a cada dia, de experiências com os demais seres com quem divido minha existência, para superarmos as adversidades... Eis que então eu fui sagrado clérigo e obtive a permissão de ser o representante de meu senhor Lathander no mundo, espalhar suas bênçãos, espalhar sua cura, espalhar sua visão otimista e altruísta, assim como espalhar a vida pelo mundo! Este conjunto de ideias se tornaram o ar que preenchia meu ser e me fazia feliz... 

Os verões passavam, em minha mente recordações não haviam nem de irmãos, nem de pais, avós ou qualquer parente... Minha família agora era o templo, os irmãos clérigos e todo ser vivo que eu pudesse ajudar... Se desejasse o bem do outro, este ser era minha família também... Mas Lathander quer o melhor a seus filhos e, comigo não seria diferente pois o destino me sorria conforme os anos se passavam e eis que, aos 17 verões recebi minha primeira missão oficial como clérigo de Lathander: eu deveria partir para o vilarejo de Duvik para investigar uma misteriosa febre que estava a matar a todos... Fiquei nervoso a princípio pois estaria sozinho e deveria ter a mesma precisão e conhecimento que meus irmãos experientes, mas me centrei novamente, reavivei em meu íntimo que era para isso que havia me preparado e logo fui ajeitar os detalhes para minha partida para o local! 

Dia seguinte, logo após minhas preces matinais eu parti pela estrada e bastaram algumas horas para que eu encontrasse um novo membro de minha atual família... Cabelos alaranjados e volumosos, pés desnudos e muita desconfiança era o que percebia, quando via Athena pela primeira vez... Visivelmente uma druida iniciante, acompanhada de seu animal companheiro Fenris, ela me olhou pronta para sacar sua cimitarra, mas fui cortês e de poucas palavras para não agigantar ainda mais a desconfiança dela e a convidei para seguir caminho comigo, visto que íamos para o mesmo local! Ela ainda com ressalvas aceitou e percorremos boa parte do caminho sem nada falar, para que ela pudesse me analisar... No dia seguinte estávamos conversando e chegamos a Duvik sem problemas maiores e lá encontramos mais um aliado, Malthael o Paladino, que havia chegado há pouco também no vilarejo, buscando solucionar mortes a beira da estrada que o levaram até lá... Muito fechado e com vestimentas pretas, ele se dizia seguidor de Kelemvor e juntos, decidimos, cada um com suas motivações pessoais, seguir em direção a mina onde supostamente estaria a origem da febre ardente! Após diversos embates, diversos mistérios e de termos conseguido solucionar a situação, salvado os moradores ainda vivos e estabelecer novas regras para o uso das áreas do vilarejo, evitando assim novo confronto com a criatura Elemental que na floresta vivia, nossa missão estava completa ali e retornamos todos à Lua Alta escoltando um mercador que nos pediu ajuda. Tudo transcorreu bem, voltamos a cidade e mais uma missão nos uniu, forjando assim de vez nossa parceria e de quebra, nos levou até nosso membro mais recente, Hemming, um humanoide de 1,50m de estatura, estava quase sufocando debaixo de uma pilha de corpos, tal qual eu em minha origem... O resgatamos e curamos e então, ele resolveu se unir ao grupo em busca de aventuras, aperfeiçoamento e claro, dinheiro e belas mulheres... E se formos falar em aliados, acredito que ainda podemos citar o senhor Salvatore, dona da carroça que escoltamos, as autoridades e moradores da vila de Duvik que salvamos, talvez a Elemental da água que encontramos no topo da montanha e claro, nosso estimado bem feitor Arcantos, que nos ajudou no retorno seguro para casa após cumprirmos a missão onde encontramos Hemming!

Um estrondo se faz ouvir, as plantas foram rompidas, o BugBear havia se libertado e vinha com fúria pra cima de todos, mas Fenris, o companheiro animal de Athena salta em sua face e além de arrancar pedaço de seu nariz, ainda arranha de forma profunda seu rosto e vaza um de seus olhos. Hemming passa correndo por detrás do monstro e corta um de seus tendões o fazendo dobrar uma das pernas, Athena mantinha sua mente indicando a Fenris o que fazer e Malthael preparava seu último ataque bradando a mim:
Malthael: “– O que está esperando afinal?” Meus olhos dourados se abrem, e eu avisto o monstro fazendo o que achei que iria fazer quando se sentisse realmente ameaçado... De alguma forma a criatura conseguiu fazer levantar do solo, dezenas de criaturas mortas-vivas, esqueletos gosmentos e cheios de restos de carne e vísceras, com espadas, clavas, escudos e armaduras enferrujadas e partidas em alguns casos... O monstro ruge e balbucia:
BugBear: “– Que o poder do mestre os destrua!” Era minha vez de agir, meus braços começaram a se mover, mas o tempo parecia parado para... A situação em que nos encontrávamos dizia tudo que eu deveria ser e o quanto minha decisão foi acertada... Manter meus aliados vivos, curar os feridos, remover as doença e condições anormais... Espalhar a perseverança e a confiança em si mesmo e nos demais... Me aventurar por este mundo gigante, expurgar a maldade, dar vida digna a todos e me tornar o que Lathander seria se caminhasse entre nós livremente... Eu sinto Lathander ao meu lado... Nem a frente, nem acima, ele é um amigo que me pede para espalhar seu dogma enquanto eu ganho sua proteção para poder realizar isso... Os milésimos de segundo parecem horas e minha mente concentrada no momento deflagra para o que estava preparada para enfrentar, o levante destrutivo dos mortos vivos. Com o símbolo sagrado de Lathander em mãos, eu o ergo para o alto, o sol brilha sobre o item que resplandece sobre as criaturas como um cáustico ataque enquanto brado: “– SUA VIDA NESTE MUNDO ACABOU! DESAPAREÇAM ARREMEDOS DE VIDA! POR LATHANDER!” 

Como se o sol tivesse ali se materializado, uma potente luz solar se manifesta através de mim destruindo por completo as dezenas de esqueletos que tentavam se aproximar de todos e enquanto eles desapareciam diante do ataque do Senhor do Amanhecer, sendo totalmente destroçados, meu coração se regozijava em alegria... Eram corpos de seres não mais encarnados, usados sem permissão para fins escusos... Os mortos não mereciam aquilo, os vivos não deveriam ser ameaçados por eles... Seus descansos deveriam ser sagrados e meu Senhor abominava suas existências, por isso a fúria do ataque... Uma corrida vigorosa e se via Malthael avançar de novo com seu poder divino destrutivo partindo o BugBear em dois... O combate estava encerrado e eu ainda estava alegre... 

Honrar aliados e a boa vontade, valorizar a vida, ir além do que acredito que posso... Me tornar o raio de luz entre a escuridão e poder ouvir de quem se aproxima que eu os ajudei de alguma forma... E sempre desejar uma vida melhor na próxima vinda a este mundo a todos aqueles que partiram, inimigos ou não... Eis a meta do seguidor de Lathander, uma vida de alegria e determinação não importa a tristeza... Do alto dos meus tão somente 17 verões, não tenho mais receios que outrora tive, de deixar minhas características Aasimar de alguma forma me causarem constrangimento... Minha cabeleira clara, minhas orelhas pontudas, ou ainda, meus olhos nada convencionais e em alguns casos assustadores... Sou o que sou, tenho orgulho de minha herança racial e principalmente, tenho orgulho do ser que me tornei, que busca cada vez mais ouvir para aprender e agir para ser digno de existir. Quem sou eu? Acho que agora já tem alguma relevância dizer... 
“- Eu sou Kinseph Bargonius, clérigo do Senhor do Amanhecer Lathander e se você é contra a vida, desculpe, eu e minha família, iremos te encontrar mais cedo ou mais tarde!”

domingo, 28 de julho de 2019

Laguna Loire - Guerreiro errante...

- Laguna Loire -
Ano de criação do personagem: 2014

Laguna Loire estava agora ao topo de seus 16 verões, residente desde o nascimento no vilarejo de Anton, situado à 21 Km da cidade mestre de Greyhawk, aos pés da montanha Silvanest. Seus pais jaziam mortos no cemitério local devido ao ataque de um "réptil voador" enquanto trafegavam levando seu comércio até a "cidade mestre" e desde então, ele vive sob a tutela do paladino de Bahamut Ark Belouf, a quem ele podia considerar pai, mas preferia tratar e chamar de mestre. Laguna ali vivia, trabalhava e treinava, tudo sempre ao lado do paladino seu mestre, ajudando a manter o local com seu trabalho e ao mesmo tempo, servindo de instrução para seu futuro uma vez ter perdido aqueles que deram-lhe a vida... O jovem mantinha uma certa curiosidade em visitar a antiga cabana onde moravam, mas preferia não o fazer para evitar mexer em feridas ainda não cicatrizadas e assim os anos foram se passando... Ostentava porte atlético, 1,79 cm de altura... Tinha temperamento calmo, sempre paciente, tranquilo e determinado, prezava resolver os detalhes da forma mais pacífica possível... Com um semblante belo e que cativava as meninas, o jovem não se atinha a estes detalhes e sentia-se uma pessoa normal apesar das diferenças latentes por seus poderes que manifestavam-se há anos e dos treinamentos que suportava mesmo quando rapazes de sua idade não podiam se equiparar... Ainda assim, não se notavam em Laguna Loire pretensões a ser diferente de qualquer outro, muito ao contrário, se aproximava sempre de todos que podia, sempre buscando ajudar, tanto os maltrapilhos necessitados ou os aristocratas das mais altas classes que solicitassem seus préstimos (desde que dentro das leis)... Para Laguna, todos eram iguais com os mesmos direitos e deveres, mas acreditava que muitos mais haviam de necessitados, que por algum motivo que ele não tinha a capacidade de compreender, não haviam recebido a mesma determinação e amigos que Laguna havia... Assim, para que outros pudessem perseverar mesmo com menos que ele, ele se dedicava e muito a eles, os menos favorecidos, os que careciam de sua ajuda para conseguir se tornarem melhores em vida como todos tinham direito a ser. As vezes um tanto tímido em seus contatos diários, outros mais reservado, mas se notava algo especial naquele garoto que vivia por vezes escondido entre seus cabelos compridos e negros, sempre sorridente e entusiasta!

Hoje ele contemplava seu décimo sexto verão de existência e revisava suas metas... Ele não buscava algo como poder, magia, juventude, conhecimento, riquezas... A vida dele, segundo ele mesmo, existia para ajudar ao próximo, esse era o seu sentido para sua existência... Ele sentia que nasceu para algo especial ao mesmo tempo que achava aquilo prepotência de sua parte... Tentando analisar o que esperar do futuro ele revisava seu passado e tentava retornar ao dia fatídico da morte de seus pais... Pouco o jovem se lembrava da morte deles, segundo seus próprios relatos, eram vagas as lembranças, vagas imagens confusas em sua mente, nada muito claro mas que o acordavam as vezes durante a noite... Imagens borradas e sem cor, de uma criatura voando e vindo em direção a carroça dele e de seus pais... No momento do ataque, ele sempre despertava sem ver o que acontecera depois... Embora ele sequer tivesse idade para recordar o que houve, apesar de saber que não era uma responsabilidade sua, Laguna gostaria de ter na época, mais idade, mais capacidades, para impedir que seus pais tivessem partido tão cedo... As saudades contidas brotavam em forma de lágrimas... 

Sem preconceitos, ódio ou revoltas específicas contra qualquer raça ou ser, ele apenas abomina a maldade que se esconde nos corações, seja qual for o ser vivo... Inquietava o jovem aprendiz de paladino ver a maldade à sua frente, manifestante, e nada poder fazer para destruí-la ou salvar aquele que está sob seu jugo. Fossem magias, atitudes, situações, qualquer que fosse o ato cruel ou maligno recebia a repulsa de Laguna... Parecia que por mais que ele tentasse buscar seus planos para o futuro, tudo que lhe aguçava a alma e a vontade era, combater a maldade e ajudar aos menos favorecidos... Por que tais sentimentos eram tão fortes nele se o próprio Ark não enfatizava tanto isso durante seus anos com ele era uma pergunta que sempre se fazia... O jovem continuava a analisar sua vida, tanto o antes quanto o agora e o depois... Detestava o calor, se sentia desconfortável, desanimado e sem conseguir relaxar... Era do tipo que gostava de ler e escrever... Seguidamente estava com papéis a sua volta, escrevendo detalhes sobre seus treinos, sobre suas tarefas e sobre pessoas que ele vê em seu dia a dia... Boa música lhe agradava, assim como o som de uma pequena cachoeira despejando água de forma tranqüila em um riacho, ou mesmo o crepitar de uma fogueira a noite, enchendo os olhos com suas chamas em constante movimento... Sempre foi bastante dedicado a estudos, tudo que lhe era indicado por mestre Ark era lido com gosto e prazer e sempre que algo batia em sua mente como curiosidade, fosse qual fosse o assunto, ele buscava um livro ou pergaminho, até mesmo um bardo que o ensinasse sobre, de forma a se inteirar e aprender sobre o mesmo. Lembrava-se de suas reflexões noturnas antes de dormir, analisando seu dia que se passou... Pensava nos erros, buscava ajustes para não errar novamente no que se considerava culpado, procurava maneiras de ajudar alguém a quem não conseguiu no dia em questão, pensava em como ser alguém melhor no dia seguinte... Ele sorria ao lembrar dessa parte pois tais reflexões, costumavam lhe fazer muito bem e sempre após elas, ele não falhava uma noite sequer a fazer uma pequena prece a sua divindade... 

O jovem suspira e continua a divagar... Ele se senta e lembra das palavras ditas por Ark há poucas horas: “ – Seu décimo sexto verão chegou garoto... Hora de encontrar seu rumo, seja ele qual for... Veja, não estou dizendo que deva ir embora, seu rumo pode ser continuar aqui como agricultor e acredito que eu até iria preferir isso, mas... É uma decisão sua... Tire o dia de folga e reveja sua vida e seus anseios para o futuro... Depois volte e me conte o que decidiu... Lhe aguardarei na antiga cabana de seus pais...” O jovem faz uma careta, não conseguia chegar a qualquer definição, mas precisava... Ele então continua sua auto análise... 

Se considerava alguém racional, mas, seu coração e emoção com certeza falavam mais alto em momentos de tensão ou de descarga de adrenalina... Suas emoções eram o que ele mais prezava, seus sentimentos eram o mais importante em sua vida e ele tentava sempre separar uma coisa de outra mas, nem sempre conseguia e o coração era sempre mais forte que a razão... Em missão, sempre seu dever falava mais alto, não importavam seus pensamentos, porém estes pensamentos e sentimentos, poderiam o fazer mudar de idéia se considerar que algo estava indo contra seus princípios e Ark já havia dito que seu coração mole poderia ser sua maior fraqueza dependendo do momento... O jovem sabia do que Ark Belouf falava... Derrotar o dragão vermelho que matou seus pais... Muitas vezes o paladino disse ao garoto, “ - É complexo garoto, veja... Não deve enfrentar um oponente tão mais forte que você... Claro, você deve ser uma pedra contra o mal mas não deve ser burro... Se tem como encontrar esse mal em outro momento, então reúna, reagrupe, busque ajuda e então retorne para desafiar seu oponente com mais recursos, porém... NUNCA, JAMAIS entre em uma luta desleal porque tem mais poder que seu aliado... A luta deve ser justa, se se tornar amplamente mais forte, despoje-se de alguma vantagem ou arme seu inimigo para que fiquem iguais e então, aí sim, viva o combate! Assim diz Bahamut fedelho...” Mas e quando esse oponente matou alguém cruelmente e riu de sua atitude? Laguna acreditava que não conseguiria reagir pela razão e iria com toda certeza reagir pela emoção do momento, indiferente da diferença de capacidades entre os dois... Ele preferia perder a vida do que desapontar a vingança que ele acreditava que seus pais esperavam dele... A emoção dominaria a lógica ele sabe... “ - Será que a meta que tenho no coração é essa? Destruir Melnyr a qualquer custo?” Ele fica a remoer o assunto e a pensar no que seu mestre lhe propôs para o dia de hoje... 

Muitos na vida tentaram arriscar qual seria o destino de Laguna ao crescer... O viram como protetor da vila no lugar de Ark Belouf, outros o viam como segundo em comando... Alguns ainda arriscaram que ele seria agricultor e até mesmo atendente de taverna ou clérigo devido sua compaixão para com todos... O jovem por sua vez jamais desconsiderava uma sabedoria popular ou uma crença dos mais velhos, ele acreditava que toda lenda tinha algum fundamento senão não existiria... Mas ao mesmo tempo ele sabia discernir (ou pelo menos achava que sabia) o que poderia ser apenas lenda enquanto o que poderia ser real, afinal ele estudava com seu mestre diariamente e tinha conhecimentos além do adequado pra sua idade, de maneira alguma poderia ser considerado uma pessoa sem cultura. Havia estudado a leitura, a escrita, os números, os conhecimentos e os deuses também... E a cada linha de seu raciocínio ele se sentia mais confuso e até perdendo a linha da composição e meta que queria descobrir... Ele então relembra seus estudos sobres as divindades e divaga nos pensamentos... O jovem acreditava que os deuses não eram seres que deviam resolver os problemas dos mortais como a maioria pensava que sim... Ele cogitava que deuses eram uma espécie de suporte, um apoio, alguém que estava ali para quando os mortais não pudessem resolver as coisas, apenas isso e nada além! Os deuses não eram, na visão do jovem, responsáveis por suas vitórias ou derrotas, somente cada um dos seres vivos eram responsáveis por si próprios e todos aqueles que tinham alguma capacidade, responsáveis por todos os mortais. Ele lembra que isso o fez simpatizar em seguir a divindade que aprendeu a considerar justa e honesta, destemida mas não exigente de dedicatórias sem fim aos seus poderes ou capacidades assim como seu mestre Ark Belouf... Laguna vê no invencível dragão de platina Bahamut, a personificação da divindade que diz “ - Faça o seu melhor e quando você tiver excedido todos os seus limites , eu surgirei e te colocarei de pé novamente para que possa tentar mais uma vez...” O jovem sorri e acena positivamente concordando: “ - Temos o livre-arbítrio e a obrigação sagrada de vencermos nossas próprias batalhas, para isso ganhamos a oportunidade de estarmos vivos!” 

O aprendiz de paladino busca com os olhos a antiga cabana de seus pais... Ele então olha para o sol e percebe que o dia se aproximava do fim e uma resposta ele deveria dar a seu mestre... Ele se considera pronto para algo mas, ainda não sente em suas veias e íntimo, exatamente o que é este “algo”... O jovem levanta-se então e caminha em direção à sua cabana quando um vento que soprava do norte faz o tempo fechar misteriosa e rapidamente... Uma tempestade se forma e um potente raio atinge o jovem Laguna com a fúria dos deuses que desaba ao chão inconsciente... A tempestade e o vento desaparecem tão velozes quanto surgiram e na mente em coma de Laguna imagens se formam... Elas mostram os dragões cromáticos, inimigos declarados do rei de platina planejando o fim do mesmo e por consequência o fim de todos aqueles que o seguem ou poderão vir a segui-lo... Ele observa um dragão vermelho se disfarçar de humano e vagar pelo mundo chegando ao seu vilarejo muitos anos atrás... Ele observa o mesmo sondando por tudo e se detendo em observar Ark e depois sua família... Era possível ao jovem ouvir ele comentar com os demais de sua raça “ -  A cria humana é destinada a ser seguidor do maldito, ele precisa morrer...” Ele então viaja para o dia da ida ao mercado de Greyhawk, do dragão surgindo por sobre a carroça, da baforada, do calor, do cheiro da carne queimada e da morte de seus pais... Ele via o dragão rugir e rir ao lado dos restos da carroça e alçando vôo logo em seguido com muito pó e fuligem... Ele chora, ele se revolta e então quando ia observar seus pais mortos, ele se acorda abruptamente... Ele se levanta, ele limpa as lágrimas e esbraveja baixinho: “ – O alvo era eu... Não meus pais... Malditos cromáticos...” O jovem se põe a correr em direção a antiga casa de seus pais e quando o sol se põe, ele abre a porta da mesma enquanto Ark Belouf bebia seu vinho vermelho diante da fogueira... O jovem observa o interior da cabana e logo acima da chaminé, pendurada em um suporte rústico de chifre de dragão Laguna observa algo que chama-lhe a atenção... Uma espada com brilho azulado resplandece sobre ela e como se o chamasse ela ficava ali, a brilhar diria-se até... Laguna caminha até ela enquanto escuta uma voz em seu íntimo:
“ – Seus pais foram vítimas meu servo... Você era o alvo por ter sido acolhido no berço por mim... Eu quero te ajudar a trazer a justiça para seus pais e em troca tu será meu braço neste mundo perdido para trazer justiça a todos os outros... Você aceitará a proposta deste velho eremita jovem Laguna?” 

O jovem apanha a espada, faz alguns movimentos com ela e então observa Ark Belouf... Esse por sua vez toma mais um gole de seu vinho e finalmente olha para o jovem: “ – Sabia que não precisaria te dizer uma única palavra, que tu encontraria o caminho... Seja bem vindo filho meu, ao mundo dos seguidores de Bahamut!” Laguna olha para a lâmina uma vez mais e então senta-se para estar com seu pai adotivo e mestre, finalmente com a resposta que buscou durante o dia em seu coração e agora, devidamente consciente do que tinha nascido para fazer... 

Alguns dias depois, ao pé do túmulo de seus pais, já trajando sua primeira corselete de couro e sua espada devidamente embainhada nas costas, Laguna se ajoelha e conversa com eles: “ – Pai... Mãe... Desculpe por ter sido o motivo de suas mortes... Eu vou partir e me tornar a justiça para todos aqueles que como vocês, não a obtiveram em vida ou em morte... Eu prometo que irei se necessário até as últimas conseqüências, em nome de quem precisar de mim e em nome de Bahamut... Agora eu sei minha meta, eu tenho o dever de lutar até o fim completo da maldade ou de meus dias... Nunca desistir desta obrigação e honrar este juramente até meu último suspiro é o que farei e sei que... Seus corações e almas me ajudarão nos momentos mais obscuros...” Laguna se ergue, limpa as lágrimas e respira a plenos pulmões... O ar renova suas forças e determinações... O agora paladino não sente qualquer escuridão interior em seu ser, somente a luz e os clamores do deus dragão de platina e daqueles que ama o impulsionando a fazer o que nasceu para fazer, ou seja, ser Bahamut e sua justiça entre os mortais! 

Assim, seja por levar justiça, paz e proteção a quem precisa ou se melhorar como pessoa, Laguna Loire agora era um paladino e servo da justiça. Parado em um único local ele não poderia ajudar muitas pessoas, da mesma forma que isolado em determinado ponto do mundo, não teria experiências únicas que poderiam fazê-lo ser alguém definitivamente melhor como ele esperava! O mundo era uma escola e uma missão... Laguna queria aprender a ser mais útil da mesma forma que cumprir as missões que um paladino nasceu para executar e por isso, se aventurar era totalmente necessário... Vingança não mais ocupava a mente do jovem Laguna agora... Estando próximo das pessoas, ele poderia buscar aprendizado, apoio, superação e principalmente, afinidade entre todos os seres vivos... Um guerreiro do bem, disposto a dar sua vida por aquilo que acreditava e pelas pessoas que amava, procurando a todo tempo criar a unidade entre os seres vivos para assim ajudar as almas sofridas... Eis o nascimento do paladino Laguna Loire no mundo Oerth!

Final da aventura: Laguna terminou seus dias no alto de seus 38 verões com 24º Nível Efetivo de personagem, sendo 4 de paladino de Bahamut, 10 de guerreiro e 10 de Soldado da Luz, de desesperadora em uma batalha falta contra um vampiro ancestral, Lorde em uma terra sombria chamada Ravenloft, em uma floresta perto da cidade que ele e seus companheiros Conan (o bárbaro)Merlin (o feiticeiro)Aramil (o elfo ranger) fundaram, Nova Aurora! Dos 4, somente Conan sobreviveu mais foi transformado em morto vivo escravo de Kass, o vampiro ancestral!

Lion-Maru: O rugido da vingança! (Ato 7)

As profundezas da montanha já não pareciam pertencer ao mundo dos homens. Shimaru descia lentamente pelos corredores antigos, enquanto o eco...