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sábado, 28 de dezembro de 2019

O avatar da natureza - Athena!

Era uma vez uma história muito linda, mas que não terminaria assim... Yrlissa, minha mãe, elfa... Walker, meu pai, humano... O local? A Floresta Alta e sua “filha” mais conhecida, a cidade de Águas Ruidosas... Ela uma curandeira dedicada ao aprendizado medicinal das plantas, moradora de Floresta Alta e ele um caçador, para sustento, nascido e criado em Águas Ruidosas... Emboscada por uma ursa furiosa, sem opções Yrlissa aceitou ajuda dele no dia em que se viram pela primeira vez e desde então, marcavam encontros na floresta para degustar a companhia um do outro... Primeiro o interesse de agradecimento e de curiosidade, em seguida a amizade, depois o amor... É dito que as elfas apaixonam-se uma única vez na vida e caso percam seu amor, muitas vezes tiram a própria vida pelo pranto da perda e por isso, o povo élfico desaprova tanto o amor entre eles e outras
raças, especialmente a humana que detém uma vida curta se comparado aos elfos... Mas ninguém controla um coração e em pouco tempo de convivência, Yrlissa e Walker eram muito mais que amigos... O tempo foi passando e resolveram que era hora de se tornarem um só... Walker recebeu Yrlissa de braços abertos em sua casa, para viver com ele na cidade, ao que ela aceitou de bom grado, não sem antes ter sido expulsa de sua comunidade élfica pelo que eles chamavam de afronta aos costumes. Cinco longos anos se passaram o amor deles deixou de caber entre os dois e então explodiu em forma de nova vida, que é quando eu passo a fazer parte dessa história... Para muitos moradores da cidade, que já não achavam “correto” uma elfa com um humano, o resultado dessa mistura era bem mais incompreensível ou aceitável... Fui obrigada a conviver com olhares nada agradáveis e piadas das quais até hoje me sinto agredida, devido a minha condição híbrida... 

Mas apesar dos dissabores, o tempo ia passando e eu atingi meus 12 verões dividindo aprendizados, muito mais humanos do que élficos, devido a convivência maior com estes últimos... De qualquer forma, isto não me impediu de adquirir o gosto pela caça, pela pesca, pelas plantas, pelas florestas... Minha mãe ensinava sobre as plantas, sobre os animais, sobre o mundo selvagem enquanto ele ensinava a sobreviver, boa parte na floresta, a fim de conseguir alimento e sustento para todas as demais necessidades mas muito mais em sociedade, onde me ensinou a lidar com pessoas de diferentes índoles e caráteres... Tudo ia bem demais, parecia que mesmo com os olhos torcidos da população teríamos uma vida descente juntos, porém o grande incêndio aconteceu, o mercado central foi de alguma forma atingido por chamas intensas... Incêndio criminoso diziam todos e quando percebemos, a milícia estava a bater em nossa casa aos berros de “entreguem a aberração ruiva”! Minha mãe e meu pai não sabiam o que acontecia mas por questão da truculência à porta, me fizeram sair pela janela dos fundos não sem antes deixar as palavras que eu jamais esqueceria e que iriam nortear minha vida... Lembro como hoje de minha mãe me segurando pelos ombros e dizendo com olhos em lágrimas: “- De maneira alguma apareça até que seu pai ou eu a chamemos, isso é uma ordem! E caso algo dê errado, encontre verdadeiros amigos e viva ao redor deles!” Em pânico com aquelas palavras nada agradáveis, eu corri em direção as paliçadas, consegui escalar os mesmos e saltar dali para uma copa de árvore, buscando avançar e me ocultar entre os demais galhos... A noite estava alta e a lua clara como nunca e de árvore em árvore eu fui acompanhando tudo... Meus pais amarrados e levados para o centro da praça onde foram presos pelos pulsos e chicoteados... A pergunta era sempre a mesma, onde eu estava... Eu queria ir de encontro a eles mas ao mesmo tempo queria obedecê-los e eis que uma gritaria em meio a multidão arremeteu meu pranto como nunca. Meu pai e minha mãe foram descidos da prisão em que estavam e levados para a forca logo próxima... Diante dos aplausos da vila inteira eles foram enforcados sem qualquer piedade e tudo que eu sabia é que procuravam por mim.... Eu fiquei em estado de choque... Não sabia como reagir... O que fazer, pra onde ir, como proceder... Eu fiquei ali, travada, observando tudo enquanto o povo vibrava com a morte deles... Os minutos foram se passando, a selvageria acalmou, as pessoas foram indo pra casa, a noite foi ficando mais densa e tudo se aquietou, menos o meu pranto e um outro sentimento que começava a crescer mas eu não percebia ainda... A noite terminou e eu continuava ali a olhar meus pais pendurados sem saber o que fazer... 

O dia passou e eu me mantive no mesmo lugar... Fome, sede, necessidade, nada parecia me tocar quanto a imagem que ainda mantinha na mente dos dois pendurados em plena praça... A noite chegou uma vez mais e então parecia que algo me impelia a me mover... Sem saber ainda em que momento tomei esta decisão, eu decidi que ia descobrir o que havia acontecido, porque me procuravam, porque... Mataram meus pais... Movendo-me com passos leves e preparados como meu pai me ensinou para a caçada, entrar na vila sem ser vista, a noite, foi algo muito fácil para mim... Comecei a andar de casa em casa, tentei chegar a minha mas a milícia mantinha guarda, ou seja, eles ainda me queriam e eu nada sabia do motivo... Pelo meio dos matos que cresciam por entre as construções cheguei ao quartel da milícia e fiquei a ouvir o que conversavam... A noite ainda estava começando, eles não iriam falar sobre algo enquanto houvessem superiores na volta, então rastejei para debaixo da sede e esperei até que as horas passassem e alguma coisa fosse finalmente dita... A madrugada então chegou, o sono começava a bater nos guardas da hora e eis que talvez para se manterem acordados, os sentinelas da hora que assumiram o quarto de hora começaram a falar:
Miliciano 1: “- Será que vão encontrar a incendiária?”
Miliciano 2: “- Eu creio que não, é provável que tenha fugido pra floresta!”
Miliciano 1: “- Os burros dos pais podiam ter entregado ela e ficado vivos...”
Miliciano 2: “- Burros mesmo, se ela não cometeu crime, não teria nada a temer...”
Miliciano 1: “- E o filho prefeito contou que viu ela ateando fogo no mercado, isso é o tipo de crime punido com a morte, não há regalias quanto a isso...” Meu mundo desabou após ouvir essa conversa... Travik, o filho gordo e encrenqueiro do prefeito que vivia a causar problemas e a ser acobertado por seu pai igualmente repugnante, deveria ser o responsável pelo incêndio e pôs a culpa em mim devido nossa indiscutível intolerância que nutrimos um pelo outro... Meus pais morreram para me defender... Isso não era algo perdoável, meus pais morreram porque um ser arrogante mentiu... Aquele sentimento que eu ainda não conhecia estava mais forte do que nunca, mas eu me controlei e defini que eu precisava antes de mais nada, saber se havia sido Travik o incendiário mesmo... Quase sendo cegada pela raiva e pela dor eu fui até a casa dele, janelas abertas como sempre, enfiei com violência dois sabugos de milho naquela boca rasgada para que não pudesse gritar e enquanto ele tentava fazer barulho eu o arrastei para fora com forças que tirei não sei de onde... Nas sombras, próximo a paliçada eu subi pra cima dele e o encarei nos olhos com a maior raiva que já senti dizendo a ele:
Athena: “- Perguntarei uma vez só, não desperdice a chance de ficar bem... Você incendiou o mercado?” Ele se mijou todo e temendo por sua vida, acenou positivamente para mim... Era tudo que eu precisava saber!

No dia seguinte eu já havia me deslocado várias horas de Águas Ruidosas, andava uma parte pelas copas das árvores, outras pelo chão para descansar o corpo e então resolvi tomar um banho ao rio... A água a minha volta, que estava límpida ficou vermelha tão logo o sangue seco foi escorrendo de meu corpo... Um dia eu voltaria a Águas Ruidosas para descobrir quais teorias formularam para o filho gordo do prefeito todo perfurado, mas meus pais estavam vingados... No entanto era fato também que esse retorno iria demorar, eu jamais iria morar em meio aquele povo doente, racista e preconceituoso novamente... Bastou acusarem a diferente aqui de algo e ninguém questionou a veracidade da acusação, principalmente porque o filho da autoridade é quem tinha denunciado! A civilização não era boa quanto eu achei que pudesse ser, mas eu ainda precisava seguir o conselho de minha mãe... Encontrar amigos e viver entre eles... Removi minha roupa, me lavei e depois lavei minhas vestes... Subi para sobre as árvores e ali fiquei por horas esperando que minhas roupas secassem... A noite chegou, me vesti e apanhei algumas frutas... Amarrei-me com cipós para não cair e dormi por longas horas... O dia raiou novamente e enquanto despertava com as dúvidas de que caminho seguir agora, percebi assustada que alguém estava do meu lado. Me preparei para me defender mas ela simplesmente sorriu e me alcançou uma maçã... Obviamente não apanhei a fruta e enquanto eu não fazia qualquer gesto além de me posicionar defensivamente, ela começou a falar mesmo que eu me mantivesse arredia... 
Ashemi: “- Eu sou Ashemi... Yrlissa foi uma grande amiga... Quase trilhou o caminho do druida como eu, mas preferiu não afastar-se da convivência dos elfos... Somente algo forte como o sentimento por seu pai poderia fazê-la mudar de ideia... Mas veja, embora a tristeza de perder seus pais, saiba que seria bem mais triste para eles partir em períodos diferentes e ficarem separados... Eles estão juntos na morte e agora confiam sua nova vida a mim...”
Athena: “- Nova vida?”
Ashemi: “- Sim... A vida que sua mãe amava e que seu pai dominava... As florestas... A caça... Os animais... As plantas... A natureza... Aliás, morte e vida, são partes da natureza e seus pais apenas seguiram esse ciclo... Chegou sua vez de seguir o seu, jovem Athena...” Fiquei por alguns segundos a pensar no que dizer e então vi pássaros pelos galhos, um lobo filhote sentado ao pé da árvore olhando para mim, assim como outros animais a passar pelo local sem nos ameaçar ou estranhar de forma alguma... A frase de minha mãe “encontre amigos e viva ao redor deles” explodiu em minha cabeça enquanto olhei de novo para Ashemi que completava:
Ashemi: “- A fúria de uma tempestade, a força suave do sol matinal, a astúcia da raposa, o poder do urso – tudo isso está sob controle do druida minha menina. Entretanto, um verdadeiro druída não se considera um mestre da natureza, isso é uma afirmação que não passa de simples bobagem dos habitantes das cidades. O druida não adquire seu poder controlando a natureza, mas se tornando uno com ela, uma pena que para os profanadores dos bosques sagrados dos druidas, e para os que sentem sua fúria, a distinção não é muito clara. Posso te ensinar tudo isso e muito mais pequena Athena... Conjurar magias divinas, magias e habilidades essas que surgem do poder da natureza, da comunhão com os animais além de uma grande variedade de poderes mágicos conforme adquirir experiência e sentir-se á vontade na presença de Mielikki... Então, o que me diz jovem Athena, filha de Yrlissa e Walker?” Eu a observei no fundo de seus olhos por alguns instantes e então apanhei a maçã e a devorei com vontade demonstrando meu sim, em meio a um primeiro arremedo de sorriso depois de tantos dias trevosos...

Fui então apresentada a ordem druídica, o filhote de lobo que me olhava ao pé da árvore quando encontrei Ashemi, era integrante de uma matilha e sua mãe, a qual descobri chamar-se Nemeya, aceitou-me como parte da mesma... Ashemi não tinha casa ou cabana, vivia pela floresta, eu já me considerava uma privilegiada pois tinha mãe e irmãos agora. A druida então me treinou em tudo que eu poderia aprender naquele momento, o restante se daria por meu esforço e evolução nos anos que viriam e rápido como uma flecha cruzando os ares, ao alto de meus 21 verões, fui designada para começar essa evolução. O Conselho Druídico de Floresta Alta me pediu que fosse até a região de Duvik para investigar anomalias no bosque dos Picos da Tempestade e comecei minha jornada em companhia de meu irmão! Sim, aquele lobo que me esperava ao pé da árvore daquela vez, se tornou meu companheiro e seu nome é Fenris. Aliás, se hoje tenho uma família seriam essa família de lobos... Enfim, comecei minha aventura e algumas horas de caminhada foram suficientes para encontrar a caminhar pela estrada um Aasimar, um tocado pelos planos divinos como chamamos... Um híbrido como eu na verdade, o que talvez tenha feito eu aceitar sua companhia tão facilmente... Sorridente e carismático, parecia confiável... Me mantive cautelosa mas com o passar das horas e a noite em que acampamos juntos, me senti mais confiante ao seu lado e seguimos para Duvik. Seu nome é Kinseph e segue alguma divindade relacionada ao sol e a vida... Tão logo chegamos ao vilarejo, fomos ter com o curandeiro de lá e captamos informações da missão, que aliás eram similares... Eu deveria investigar o comportamento estranho de uma floresta e Kinseph deveria tentar curar a população de uma febre mortal que estava dizimando os cidadãos e que misteriosamente era transmitida pela água cuja nascente vinha da floresta a qual fui encarregada de investigar! Na manhã seguinte nos preparamos para sair e conhecemos mais um companheiro de jornada, o cavaleiro Malthael, cheio de normas e de cara amarrada, mas parecia ter uma índole impecável assim como metia medo com sua armadura completa e espada poderosa. Segundo ele, encontrou guardas assassinados pela estrada, que tinham um recado ao prefeito de Duvik. Em busca de talvez punir os assassinos, ele veio entregar a mensagem e sabendo da situação do vilarejo e de uma possível presença maligna no local, se uniu a nós para investigarmos a região! Quando retornarmos a cidade de Lua Alta, após cumpridas nossas metas em Duvik, Malthael foi solicitado a uma missão de sua ordem sagrada e então, Kinseph e eu resolvemos seguir com ele, em retribuição a ter nos ajudado em nossa missão! Seguimos à passos firmes para algo em torno de um dia e meio de viagem, onde uma batalha terrível aconteceu entre os soldados de Lua Alta e o Drows... Nenhum dos soldados sobreviveu era o que pensavamos ao chegar, pois haviam corpos espalhados e apodrecendo por todos os lados, porém ao observar uma pilha de corpos atentamente, Malthael percebeu uma respiração, Kinseph confirmou e removemos de lá, milagrosamente um novo aliado... Um humano de estatura muito baixa, quase parecia um Halfling... Hemming era seu nome, tinha umas atitudes estranhas mas os dois outros confiaram nele, então, resolvi confiar em Kinseph e Malthael até que ele cometa um deslize... Por enquanto, ele é meu aliado... A pilha de corpos se mexeu novamente, mais um sobrevivente seria? Kinseph nos mandou recuar e preparou sua expulsão pois havia percebido que o que se erguia diante de nós era um morto vivo! Ele invoca os poderes de seu deus mas por algum motivo, ele não é atendido... Olho para ele com uma cara de espantado e meneio a cabeça sussurrando:
Athena: "- Não espere demais dos deuses..." Eu saco minha cimitarra e me lanço em carga contra o monstro maldito, mortos vivos não são naturais, são aberrações, eles não merecem piedade e eu iria demonstrar isso a eles! Meu primeiro ataque trespassa suas tripas e abro um rombo em seu ventre... Ele urra, tenta me atingir, mas erra... Kinspeh continua tentando acreditar em seu deus e continua a falhar, quando Malthael surge em carga também e com um golpe apenas arranca um dos braços da criatura... Ela novamente revida, em dou um passo para trás, conjuro uma magia e aumento minha força física, Malthael ataca de novo, erra e é atingido. Kinseph tenta destruir o morto vivo uma vez mais falha e é atingido também. Observo o arremedo nos olhos, minha saliva espuma na boca, convoco uma nova magia e aumento o poder de destruição de minha cimitarra enquanto me lanço de novo contra o monstro o atingido no braço que restava!. Ele sente meu golpe, tenta me acertar mas era tarde demais para ele, um novo golpe de minha cimitarra o rasgou ao meio enquanto eu invoquei um aliado para me auxiliar a finalizar o combate. Uma imensa besta mágica de quase dois metros de altura surge, transfigurado em poderoso e furioso urso e destroça por completo o ser antinatural, encerrando o combate de vez... Observo a todos, vejo que estão bem, me dirijo ao lago e removo a sujeira que o morto vivo deixou em mim, enquanto minha invocação se desfaz... 

De dentro do lago, eu detenho meus movimentos e repenso tudo que vivi até hoje... Viro meu olhar ee observo esse grupo recém formado e percebo que somos todos diferentes mas de alguma forma, em algum ponto, com algum objetivo bom em comum... 
Athena: “- Porque me uni a pessoas estranhas sendo que tudo que busquei desde o assassinato de meus pais foi o exílio? Animais são muito melhores que os humanoides, são verdadeiros, se não gostam demonstram, se te querem mal demonstram, mas se te querem bem nunca te traem... Já os ditos civilizados, são cheios de preconceitos e racismos, separando seres por aparência e essa hostilidade tirou meus pais de mim...” Porém sempre que me pergunto isso, é como se ouvisse uma voz que me guia a mudar meu foco, a considerar que nem somente os animais podem ser meus amigos e que, se eu me unir a pessoas diferentes na raça e ainda achar algo em comum, eu terei a capacidade de criar um novo futuro para mais híbridos como eu... Creio que essa pode ser uma boa meta, criar atitudes que façam as pessoas ser mais como a natureza, não se importando com a aparência mas sim com suas atitudes e junto deste inusitados companheiros, tentarei trazer isto a meu futuro... Quero dar voz aos incompreendidos... Fazer justiça aos injustiçados, se preciso com as próprias mãos... Manter a vida da mãe natureza intacta e sagrada, que é de onde tudo provém...

Além disso, deixo claro a eles que não sou o tipo de pessoa que tem interesse em se dar bem com os demais, pelo contrário, prefiro a solidão ou companhia de animais, mas, se seguir nesse ritmo, eu me tornarei o que odeio nos assassinos de meus pais, discriminar os demais por fama de outros ou por suas origens... 
Athena: “- Não me igualarei aos ditos civilizados... Jamais...” Dessa forma, pretendo manter meu silêncio, falar somente o necessário, agir sempre que algo for contra meus princípios e tentar mostrar a todos, através de minha convivência com seres tão diferentes fisicamente e em suas personalidades, que a coexistência é possível, e que a maldade não deve ser admitida de qualquer forma... Meus dons com plantas e o auxílio dos animais, as graças de mãe natureza, seguirão comigo e mudarão o mundo, senão de todos, pelo menos daqueles aos quais eu puder de alguma forma mudar-lhes... Subi em uma das árvores enquanto Kinseph e Malthael faziam seus rituais aos mortos e lembrei das palavras de minha mãe... Olhando para os céus eu finalmente percebi ter encontrado meu caminho e resolvi fazer uma promessa a ela também:

Athena: “- Eu irei ser como você e meu pai foram... Sem discriminações, sem separar seres por aparência... Eu serei suas lembranças neste mundo e para aqueles que insistirem em ameaçar a existência pacífica entre todos a que busco... Eu juro que eles conhecerão a fúria da natureza personificada pela prova viva de vocês dois... Eu sou Athena, a natureza é meu guia e Mielikki é minha aliada... Os diferentes agora terão um defensor... E quem for contra isso, que tenha muita sorte para se defender de mim!”

sábado, 14 de dezembro de 2019

Nova página no Blog - Medieval Kingdom!

Salve galera, nova página em nosso blog, deixando tudo mais organizado e mais fácil de localizar! Então se procura pelos personagens medievais e de RPG que estou produzindo tem alguns meses já, o local é a página Medieval Kingdom que está interligada com a página Jornada RPG!


Dentro desta página você encontrará, tanto o link direto quando o arquivo em PDF para download, de forma que seja qual for seu estilo preferido de leitura, ela estará disponível para você! Espero que curtam essa nova atualização do Nipo Heroes Blog, bons downloads e boa leitura a todos! 

domingo, 28 de julho de 2019

Laguna Loire - Guerreiro errante...

- Laguna Loire -
Ano de criação do personagem: 2014

Laguna Loire estava agora ao topo de seus 16 verões, residente desde o nascimento no vilarejo de Anton, situado à 21 Km da cidade mestre de Greyhawk, aos pés da montanha Silvanest. Seus pais jaziam mortos no cemitério local devido ao ataque de um "réptil voador" enquanto trafegavam levando seu comércio até a "cidade mestre" e desde então, ele vive sob a tutela do paladino de Bahamut Ark Belouf, a quem ele podia considerar pai, mas preferia tratar e chamar de mestre. Laguna ali vivia, trabalhava e treinava, tudo sempre ao lado do paladino seu mestre, ajudando a manter o local com seu trabalho e ao mesmo tempo, servindo de instrução para seu futuro uma vez ter perdido aqueles que deram-lhe a vida... O jovem mantinha uma certa curiosidade em visitar a antiga cabana onde moravam, mas preferia não o fazer para evitar mexer em feridas ainda não cicatrizadas e assim os anos foram se passando... Ostentava porte atlético, 1,79 cm de altura... Tinha temperamento calmo, sempre paciente, tranquilo e determinado, prezava resolver os detalhes da forma mais pacífica possível... Com um semblante belo e que cativava as meninas, o jovem não se atinha a estes detalhes e sentia-se uma pessoa normal apesar das diferenças latentes por seus poderes que manifestavam-se há anos e dos treinamentos que suportava mesmo quando rapazes de sua idade não podiam se equiparar... Ainda assim, não se notavam em Laguna Loire pretensões a ser diferente de qualquer outro, muito ao contrário, se aproximava sempre de todos que podia, sempre buscando ajudar, tanto os maltrapilhos necessitados ou os aristocratas das mais altas classes que solicitassem seus préstimos (desde que dentro das leis)... Para Laguna, todos eram iguais com os mesmos direitos e deveres, mas acreditava que muitos mais haviam de necessitados, que por algum motivo que ele não tinha a capacidade de compreender, não haviam recebido a mesma determinação e amigos que Laguna havia... Assim, para que outros pudessem perseverar mesmo com menos que ele, ele se dedicava e muito a eles, os menos favorecidos, os que careciam de sua ajuda para conseguir se tornarem melhores em vida como todos tinham direito a ser. As vezes um tanto tímido em seus contatos diários, outros mais reservado, mas se notava algo especial naquele garoto que vivia por vezes escondido entre seus cabelos compridos e negros, sempre sorridente e entusiasta!

Hoje ele contemplava seu décimo sexto verão de existência e revisava suas metas... Ele não buscava algo como poder, magia, juventude, conhecimento, riquezas... A vida dele, segundo ele mesmo, existia para ajudar ao próximo, esse era o seu sentido para sua existência... Ele sentia que nasceu para algo especial ao mesmo tempo que achava aquilo prepotência de sua parte... Tentando analisar o que esperar do futuro ele revisava seu passado e tentava retornar ao dia fatídico da morte de seus pais... Pouco o jovem se lembrava da morte deles, segundo seus próprios relatos, eram vagas as lembranças, vagas imagens confusas em sua mente, nada muito claro mas que o acordavam as vezes durante a noite... Imagens borradas e sem cor, de uma criatura voando e vindo em direção a carroça dele e de seus pais... No momento do ataque, ele sempre despertava sem ver o que acontecera depois... Embora ele sequer tivesse idade para recordar o que houve, apesar de saber que não era uma responsabilidade sua, Laguna gostaria de ter na época, mais idade, mais capacidades, para impedir que seus pais tivessem partido tão cedo... As saudades contidas brotavam em forma de lágrimas... 

Sem preconceitos, ódio ou revoltas específicas contra qualquer raça ou ser, ele apenas abomina a maldade que se esconde nos corações, seja qual for o ser vivo... Inquietava o jovem aprendiz de paladino ver a maldade à sua frente, manifestante, e nada poder fazer para destruí-la ou salvar aquele que está sob seu jugo. Fossem magias, atitudes, situações, qualquer que fosse o ato cruel ou maligno recebia a repulsa de Laguna... Parecia que por mais que ele tentasse buscar seus planos para o futuro, tudo que lhe aguçava a alma e a vontade era, combater a maldade e ajudar aos menos favorecidos... Por que tais sentimentos eram tão fortes nele se o próprio Ark não enfatizava tanto isso durante seus anos com ele era uma pergunta que sempre se fazia... O jovem continuava a analisar sua vida, tanto o antes quanto o agora e o depois... Detestava o calor, se sentia desconfortável, desanimado e sem conseguir relaxar... Era do tipo que gostava de ler e escrever... Seguidamente estava com papéis a sua volta, escrevendo detalhes sobre seus treinos, sobre suas tarefas e sobre pessoas que ele vê em seu dia a dia... Boa música lhe agradava, assim como o som de uma pequena cachoeira despejando água de forma tranqüila em um riacho, ou mesmo o crepitar de uma fogueira a noite, enchendo os olhos com suas chamas em constante movimento... Sempre foi bastante dedicado a estudos, tudo que lhe era indicado por mestre Ark era lido com gosto e prazer e sempre que algo batia em sua mente como curiosidade, fosse qual fosse o assunto, ele buscava um livro ou pergaminho, até mesmo um bardo que o ensinasse sobre, de forma a se inteirar e aprender sobre o mesmo. Lembrava-se de suas reflexões noturnas antes de dormir, analisando seu dia que se passou... Pensava nos erros, buscava ajustes para não errar novamente no que se considerava culpado, procurava maneiras de ajudar alguém a quem não conseguiu no dia em questão, pensava em como ser alguém melhor no dia seguinte... Ele sorria ao lembrar dessa parte pois tais reflexões, costumavam lhe fazer muito bem e sempre após elas, ele não falhava uma noite sequer a fazer uma pequena prece a sua divindade... 

O jovem suspira e continua a divagar... Ele se senta e lembra das palavras ditas por Ark há poucas horas: “ – Seu décimo sexto verão chegou garoto... Hora de encontrar seu rumo, seja ele qual for... Veja, não estou dizendo que deva ir embora, seu rumo pode ser continuar aqui como agricultor e acredito que eu até iria preferir isso, mas... É uma decisão sua... Tire o dia de folga e reveja sua vida e seus anseios para o futuro... Depois volte e me conte o que decidiu... Lhe aguardarei na antiga cabana de seus pais...” O jovem faz uma careta, não conseguia chegar a qualquer definição, mas precisava... Ele então continua sua auto análise... 

Se considerava alguém racional, mas, seu coração e emoção com certeza falavam mais alto em momentos de tensão ou de descarga de adrenalina... Suas emoções eram o que ele mais prezava, seus sentimentos eram o mais importante em sua vida e ele tentava sempre separar uma coisa de outra mas, nem sempre conseguia e o coração era sempre mais forte que a razão... Em missão, sempre seu dever falava mais alto, não importavam seus pensamentos, porém estes pensamentos e sentimentos, poderiam o fazer mudar de idéia se considerar que algo estava indo contra seus princípios e Ark já havia dito que seu coração mole poderia ser sua maior fraqueza dependendo do momento... O jovem sabia do que Ark Belouf falava... Derrotar o dragão vermelho que matou seus pais... Muitas vezes o paladino disse ao garoto, “ - É complexo garoto, veja... Não deve enfrentar um oponente tão mais forte que você... Claro, você deve ser uma pedra contra o mal mas não deve ser burro... Se tem como encontrar esse mal em outro momento, então reúna, reagrupe, busque ajuda e então retorne para desafiar seu oponente com mais recursos, porém... NUNCA, JAMAIS entre em uma luta desleal porque tem mais poder que seu aliado... A luta deve ser justa, se se tornar amplamente mais forte, despoje-se de alguma vantagem ou arme seu inimigo para que fiquem iguais e então, aí sim, viva o combate! Assim diz Bahamut fedelho...” Mas e quando esse oponente matou alguém cruelmente e riu de sua atitude? Laguna acreditava que não conseguiria reagir pela razão e iria com toda certeza reagir pela emoção do momento, indiferente da diferença de capacidades entre os dois... Ele preferia perder a vida do que desapontar a vingança que ele acreditava que seus pais esperavam dele... A emoção dominaria a lógica ele sabe... “ - Será que a meta que tenho no coração é essa? Destruir Melnyr a qualquer custo?” Ele fica a remoer o assunto e a pensar no que seu mestre lhe propôs para o dia de hoje... 

Muitos na vida tentaram arriscar qual seria o destino de Laguna ao crescer... O viram como protetor da vila no lugar de Ark Belouf, outros o viam como segundo em comando... Alguns ainda arriscaram que ele seria agricultor e até mesmo atendente de taverna ou clérigo devido sua compaixão para com todos... O jovem por sua vez jamais desconsiderava uma sabedoria popular ou uma crença dos mais velhos, ele acreditava que toda lenda tinha algum fundamento senão não existiria... Mas ao mesmo tempo ele sabia discernir (ou pelo menos achava que sabia) o que poderia ser apenas lenda enquanto o que poderia ser real, afinal ele estudava com seu mestre diariamente e tinha conhecimentos além do adequado pra sua idade, de maneira alguma poderia ser considerado uma pessoa sem cultura. Havia estudado a leitura, a escrita, os números, os conhecimentos e os deuses também... E a cada linha de seu raciocínio ele se sentia mais confuso e até perdendo a linha da composição e meta que queria descobrir... Ele então relembra seus estudos sobres as divindades e divaga nos pensamentos... O jovem acreditava que os deuses não eram seres que deviam resolver os problemas dos mortais como a maioria pensava que sim... Ele cogitava que deuses eram uma espécie de suporte, um apoio, alguém que estava ali para quando os mortais não pudessem resolver as coisas, apenas isso e nada além! Os deuses não eram, na visão do jovem, responsáveis por suas vitórias ou derrotas, somente cada um dos seres vivos eram responsáveis por si próprios e todos aqueles que tinham alguma capacidade, responsáveis por todos os mortais. Ele lembra que isso o fez simpatizar em seguir a divindade que aprendeu a considerar justa e honesta, destemida mas não exigente de dedicatórias sem fim aos seus poderes ou capacidades assim como seu mestre Ark Belouf... Laguna vê no invencível dragão de platina Bahamut, a personificação da divindade que diz “ - Faça o seu melhor e quando você tiver excedido todos os seus limites , eu surgirei e te colocarei de pé novamente para que possa tentar mais uma vez...” O jovem sorri e acena positivamente concordando: “ - Temos o livre-arbítrio e a obrigação sagrada de vencermos nossas próprias batalhas, para isso ganhamos a oportunidade de estarmos vivos!” 

O aprendiz de paladino busca com os olhos a antiga cabana de seus pais... Ele então olha para o sol e percebe que o dia se aproximava do fim e uma resposta ele deveria dar a seu mestre... Ele se considera pronto para algo mas, ainda não sente em suas veias e íntimo, exatamente o que é este “algo”... O jovem levanta-se então e caminha em direção à sua cabana quando um vento que soprava do norte faz o tempo fechar misteriosa e rapidamente... Uma tempestade se forma e um potente raio atinge o jovem Laguna com a fúria dos deuses que desaba ao chão inconsciente... A tempestade e o vento desaparecem tão velozes quanto surgiram e na mente em coma de Laguna imagens se formam... Elas mostram os dragões cromáticos, inimigos declarados do rei de platina planejando o fim do mesmo e por consequência o fim de todos aqueles que o seguem ou poderão vir a segui-lo... Ele observa um dragão vermelho se disfarçar de humano e vagar pelo mundo chegando ao seu vilarejo muitos anos atrás... Ele observa o mesmo sondando por tudo e se detendo em observar Ark e depois sua família... Era possível ao jovem ouvir ele comentar com os demais de sua raça “ -  A cria humana é destinada a ser seguidor do maldito, ele precisa morrer...” Ele então viaja para o dia da ida ao mercado de Greyhawk, do dragão surgindo por sobre a carroça, da baforada, do calor, do cheiro da carne queimada e da morte de seus pais... Ele via o dragão rugir e rir ao lado dos restos da carroça e alçando vôo logo em seguido com muito pó e fuligem... Ele chora, ele se revolta e então quando ia observar seus pais mortos, ele se acorda abruptamente... Ele se levanta, ele limpa as lágrimas e esbraveja baixinho: “ – O alvo era eu... Não meus pais... Malditos cromáticos...” O jovem se põe a correr em direção a antiga casa de seus pais e quando o sol se põe, ele abre a porta da mesma enquanto Ark Belouf bebia seu vinho vermelho diante da fogueira... O jovem observa o interior da cabana e logo acima da chaminé, pendurada em um suporte rústico de chifre de dragão Laguna observa algo que chama-lhe a atenção... Uma espada com brilho azulado resplandece sobre ela e como se o chamasse ela ficava ali, a brilhar diria-se até... Laguna caminha até ela enquanto escuta uma voz em seu íntimo:
“ – Seus pais foram vítimas meu servo... Você era o alvo por ter sido acolhido no berço por mim... Eu quero te ajudar a trazer a justiça para seus pais e em troca tu será meu braço neste mundo perdido para trazer justiça a todos os outros... Você aceitará a proposta deste velho eremita jovem Laguna?” 

O jovem apanha a espada, faz alguns movimentos com ela e então observa Ark Belouf... Esse por sua vez toma mais um gole de seu vinho e finalmente olha para o jovem: “ – Sabia que não precisaria te dizer uma única palavra, que tu encontraria o caminho... Seja bem vindo filho meu, ao mundo dos seguidores de Bahamut!” Laguna olha para a lâmina uma vez mais e então senta-se para estar com seu pai adotivo e mestre, finalmente com a resposta que buscou durante o dia em seu coração e agora, devidamente consciente do que tinha nascido para fazer... 

Alguns dias depois, ao pé do túmulo de seus pais, já trajando sua primeira corselete de couro e sua espada devidamente embainhada nas costas, Laguna se ajoelha e conversa com eles: “ – Pai... Mãe... Desculpe por ter sido o motivo de suas mortes... Eu vou partir e me tornar a justiça para todos aqueles que como vocês, não a obtiveram em vida ou em morte... Eu prometo que irei se necessário até as últimas conseqüências, em nome de quem precisar de mim e em nome de Bahamut... Agora eu sei minha meta, eu tenho o dever de lutar até o fim completo da maldade ou de meus dias... Nunca desistir desta obrigação e honrar este juramente até meu último suspiro é o que farei e sei que... Seus corações e almas me ajudarão nos momentos mais obscuros...” Laguna se ergue, limpa as lágrimas e respira a plenos pulmões... O ar renova suas forças e determinações... O agora paladino não sente qualquer escuridão interior em seu ser, somente a luz e os clamores do deus dragão de platina e daqueles que ama o impulsionando a fazer o que nasceu para fazer, ou seja, ser Bahamut e sua justiça entre os mortais! 

Assim, seja por levar justiça, paz e proteção a quem precisa ou se melhorar como pessoa, Laguna Loire agora era um paladino e servo da justiça. Parado em um único local ele não poderia ajudar muitas pessoas, da mesma forma que isolado em determinado ponto do mundo, não teria experiências únicas que poderiam fazê-lo ser alguém definitivamente melhor como ele esperava! O mundo era uma escola e uma missão... Laguna queria aprender a ser mais útil da mesma forma que cumprir as missões que um paladino nasceu para executar e por isso, se aventurar era totalmente necessário... Vingança não mais ocupava a mente do jovem Laguna agora... Estando próximo das pessoas, ele poderia buscar aprendizado, apoio, superação e principalmente, afinidade entre todos os seres vivos... Um guerreiro do bem, disposto a dar sua vida por aquilo que acreditava e pelas pessoas que amava, procurando a todo tempo criar a unidade entre os seres vivos para assim ajudar as almas sofridas... Eis o nascimento do paladino Laguna Loire no mundo Oerth!

Final da aventura: Laguna terminou seus dias no alto de seus 38 verões com 24º Nível Efetivo de personagem, sendo 4 de paladino de Bahamut, 10 de guerreiro e 10 de Soldado da Luz, de desesperadora em uma batalha falta contra um vampiro ancestral, Lorde em uma terra sombria chamada Ravenloft, em uma floresta perto da cidade que ele e seus companheiros Conan (o bárbaro)Merlin (o feiticeiro)Aramil (o elfo ranger) fundaram, Nova Aurora! Dos 4, somente Conan sobreviveu mais foi transformado em morto vivo escravo de Kass, o vampiro ancestral!

Lion-Maru: O rugido da vingança! (Ato 7)

As profundezas da montanha já não pareciam pertencer ao mundo dos homens. Shimaru descia lentamente pelos corredores antigos, enquanto o eco...