segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ARTIGO: JIRAYRIDER ASSISTIU...JIRAYRIDER RECOMENDA - EPISÓDIO 01 - RYUKI


O roteiro emblemático de Kamen Rider Ryuki

Olá, leitores do blog Nipo Heroes, do meu amigo Lanthys Lionhearth!

Saudações Jirayrideranas:

Ore sanjou! Are you ready?

Sim, meus amigos!

Já começamos esta nova aventura misturando Momotaros com Build!

Rsrsrs.

Mas vocês já conhecem este humilde fictor...

Aqui é território Jirayriderano!

Tenho a honra de iniciar esta nova seção no blog, intitulada “Jirayrider assistiu, Jirayrider recomenda”, falando sobre séries que marcaram minha trajetória como fã de Kamen Rider.


A proposta é simples: conversar com vocês.

Não quero transformar esta seção em uma tese acadêmica sobre tokusatsu, cheia de termos complicados e análises que parecem feitas por um robô!

Quero falar como fã.

Como aquele sujeito que termina um episódio, fica pensando naquilo e depois procura um amigo para dizer:

“Rapaz... você viu aquilo?”

É mais ou menos por aí...

E, para inaugurar esta seção, não poderia escolher uma série qualquer.

Escolhi uma produção que, mesmo depois de mais de duas décadas, continua provocando discussões.

Uma série que alguns amam...

Outros nem tanto.

Uma série que mudou muita coisa dentro da franquia.

Estou falando de...

KAMEN RIDER RYUKI!  

 
Kamen Rider Ryuki


 

Passados 24 anos desde sua exibição original, Kamen Rider Ryuki representa, para o bem ou para o mal, um verdadeiro marco na história dos Cavaleiros Mascarados.

E olha...

Que marco!

Porque Ryuki não foi simplesmente mais uma série de Kamen Rider.

Ela pegou uma fórmula que vinha sendo reconstruída desde o retorno da franquia e decidiu fazer uma pergunta bastante incômoda:

“E se os próprios Kamen Riders fossem obrigados a lutar entre si?”

E meus amigos...

A partir dessa pergunta, a coisa ficou séria!

xxxxxx

ANTES DE RYUKI...

Mas vamos voltar um pouquinho.

Porque, para entender por que Ryuki foi tão ousado, precisamos lembrar o que estava acontecendo com a franquia Kamen Rider naquele momento.

Depois da sequência Kamen Rider Black e Black RX, que contava a saga de Issamu Minami (Minami Kotaro no original) a franquia passou por um longo período sem uma série televisiva regular.

Foram anos de ausência.

Até que, em 2000, a Toei decidiu ressuscitar os Cavaleiros Mascarados para uma nova geração.

E então surgiu...

Kamen Rider Kuuga, inaugurando a Era Heisei.

E que retorno!

Kuuga mostrou que Kamen Rider poderia voltar atualizado sem perder sua essência.

Tínhamos uma história mais séria e sombria, vilões assustadores, violência mais explícita e uma estrutura narrativa mais próxima dos dramas televisivos japoneses.

Mas havia algo muito importante ali.

Apesar de toda aquela escuridão...

Kuuga  tinha uma visão de mundo  otimista.

Yusuke Godai continuava sendo, essencialmente, um herói clássico.

Ele acreditava nas pessoas.

Acreditava que era possível proteger sem perder a humanidade.

Mesmo diante de inimigos extremamente violentos, existia uma mensagem de esperança.

Depois veio Kamen Rider Agito.

Na sequência,  Kamen Rider Agito deu mais um passo.

Novos Riders começaram a ganhar importância.

A narrativa ficou mais complexa.

Mistério, ação, relações humanas, dramas pessoais...

A franquia estava claramente amadurecendo.

E estava funcionando!

Junto aos pais, fãs dos Riders clássicos, as crianças da época, adoraram, aumentando a legião de fãs.

Mas aí surge aquela velha questão:

“E agora? O que fazer para não repetir a mesma fórmula?”

E foi nesse momento que a Toei decidiu...ousar.

E SE O KAMEN RIDER NÃO FOSSE NECESSARIAMENTE UM HERÓI?

Talvez essa seja a melhor maneira de explicar Ryuki.

Até então, mesmo com todas as mudanças, existia uma imagem muito clara do Kamen Rider.

Um herói.

Alguém que recebe poderes extraordinários e os utiliza para combater o mal.

O inimigo geralmente era uma organização.

Um império.

Uma sociedade secreta.

Alguma força que ameaçava a humanidade.

Mas Ryuki começou a desmontar tudo isso.

Os roteiristas buscaram inspiração em outras formas de entretenimento.

Animes.

Mangás.

Filmes.

Cultura pop ocidental.

E principalmente naquela ideia que estava ganhando força na cultura popular: o Battle Royale.

Vários participantes...

Vários objetivos...

Vários desejos...

Mas apenas um vencedor!

Agora imaginem colocar Kamen Riders dentro dessa estrutura.

Foi exatamente o que fizeram!

Treze Riders.

Treze!

Hoje parece até pouco diante de certas produções da franquia.

Mas em 2002?

Era algo completamente novo.

E havia uma diferença ainda mais importante.

Nem todos aqueles Riders seriam heróis.

Alguns seriam...

Alguns não.

Alguns ficariam no meio do caminho.

E alguns...

Bom...

Alguns era melhor deixar bem longe! 


Os Riders da série 


 

A série também deixou de lado o tradicional conceito de uma grande organização maligna.

O problema não vinha simplesmente de um “Império do Mal”.

O problema estava nos próprios seres humanos.

Seus desejos.

Suas ambições.

Seus medos.

Suas frustrações.

Sua capacidade de fazer qualquer coisa para conseguir aquilo que querem.

E aí começamos a perceber que Ryuki é muito mais sombrio do que parece.

Porque o verdadeiro monstro...pode ser o próprio ser humano.

xxxxx

SHINJI KIDO ENTRA NO ESPELHO 


O protagonista Shinji Kido em 2002 e 2018 ( série Zi-O)

E é nesse cenário que conhecemos nosso protagonista.

Shinji Kido.

Um jovem estagiário do ORE Journal.

Curioso.

Atrapalhado.

Impulsivo.

Bem-intencionado.

E, aparentemente, completamente despreparado para o mundo no qual está prestes a entrar.

Investigando misteriosos desaparecimentos, Shinji acaba encontrando um estranho cartão.

E, pouco depois...o espelho deixa de ser apenas um espelho.

Ele descobre uma realidade paralela.

Um mundo habitado por monstros.

Um mundo onde guerreiros de armaduras estranhas lutam entre si.

Um mundo onde existem os chamados Decks de Advento.

E onde uma terrível batalha está acontecendo.

Shinji conhece Ren Akiyama, Kamen Rider Knight.

Conhece Yui Kanzaki.

E começa a descobrir que aquilo não é simplesmente uma série de acontecimentos sobrenaturais.

É uma guerra.

Uma guerra na qual os Riders lutam entre si.

E apenas um poderá sobreviver.

O vencedor poderá realizar seu desejo.

E Shinji olha para tudo aquilo e provavelmente pensa:

“Peraí... como assim?”

“Isso não faz sentido.”

E eu não o culpo!

Porque a primeira reação dele é justamente aquela que qualquer pessoa minimamente sensata teria:

“Isso está errado!”

Mas o problema é que Shinji já está envolvido.

E acaba fazendo um contrato com Dragredder.

Nasce então...

KAMEN RIDER RYUKI! 

 
Armadura básica de Ryuki


xxxxx

SHINJI KIDO: O HERÓI QUE NÃO QUERIA SER HERÓI

E aqui chegamos a um dos aspectos mais controversos da série.

Shinji Kido.

Muita gente não gostou dele.

O meu amigo Lanthys, em nossas conversas sempre diz: O cara age errado, toma decisões erradas, confia nas pessoas erradas e quando acerta, acontece o que acontece  (referindo-se ao final, que não convém mencionar).

Concordo com ele.

E eu consigo entender.

Quem espera um protagonista tradicional provavelmente vai estranhar bastante.

Shinji não é o herói confiante.

Não é o guerreiro experiente.

Não entra em cena com aquele olhar de:

“Eu sei exatamente o que estou fazendo.”

Muito pelo contrário!

Ele erra...inúmeras vezes.

Fica inseguro.

Age por impulso.

Se mete em confusão.

E, às vezes, parece estar completamente perdido.

Mas...não é justamente isso que o torna humano?

Em minha modesta opinião, Shinji é quase um Dom Quixote moderno.

Ele entra em um mundo onde praticamente todos já aceitaram que a violência faz parte do jogo.

E ele insiste em perguntar:

“Mas precisa ser assim?”

Essa pergunta é o coração do personagem.

Ele não quer simplesmente vencer a Rider War.

Ele quer impedir que ela exista.

E isso é uma diferença enorme.

Shinji não quer se tornar o melhor jogador.

Ele quer acabar com o jogo.

Mas os demais competidores não querem...

xxxxx

SHINJI E REN: UMA RIVALIDADE QUE É MUITO MAIS DO QUE PARECE 

 
Ren  Akiyama, o antagonistas em 2002 e em 2018 ( série Zi-O)




E talvez seja justamente aqui que Ryuki encontre uma das suas melhores relações.

Shinji e Ren.

À primeira vista, temos simplesmente o protagonista e seu rival.

Mas não é tão simples quanto parece...

Na realidade, eles representam duas maneiras completamente diferentes de enxergar o mundo.

Shinji olha para a Rider War e pensa:

“Isso não deveria existir.”

Ren olha para a mesma situação e pensa:

“Ela existe. Então preciso lidar com ela pra salvar quem me importa...minha noiva.”

Parece uma diferença pequena?

Não é.

É gigantesca!

Shinji é idealista.

Ren é pragmático e egoísta.

Shinji acredita que as pessoas podem encontrar uma solução diferente.

Ren acredita que, diante de determinadas circunstâncias, você precisa agir com aquilo que tem.

Por isso os dois se irritam tanto.

Shinji considera Ren frio e sem empatia.

Ren considera Shinji ingênuo.

E, para falar a verdade...os dois têm um pouco de razão.

Esse é o grande mérito do roteiro.

Nenhum deles é completamente dono da verdade.

Shinji possui a humanidade que Ren corre o risco de perder.

Ren possui a experiência que Shinji ainda não tem.

E, por isso, eles acabam funcionando como duas metades de uma mesma discussão.

O idealismo sem pragmatismo pode ser ingênuo.

Mas...,o pragmatismo sem humanidade pode se tornar crueldade.

E é justamente nessa corda bamba que os dois caminham.

Essa rivalidade não é simplesmente:

“Eu sou o herói e você é meu rival.”

É:

“Você está errado sobre como devemos enfrentar este mundo.”

Muito mais interessante!

O antagonismo entre Kido e Ren, em minha opinião, é um dos mais marcantes da Era Heisei.

 
Kamen Rider Kgnith



 

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YUI KANZAKI E SHIRO: UMA FAMÍLIA POR TRÁS DA GUERRA 

 
Os irmãos Yui e Shiro Kanzaki, o núcleo tragico da trama


E já que estamos falando de relações humanas...

Precisamos parar um pouquinho em Yui Kanzaki.

Porque Yui não está simplesmente acompanhando Shinji nessa aventura.

Ela está diretamente ligada ao coração do mistério.

Principalmente por causa de seu irmão:

Shiro Kanzaki.

E aqui temos algo que considero particularmente interessante.

Por trás de toda a Rider War existe uma história familiar.

Uma trágica história familiar!

Yui não está apenas tentando descobrir o que é o Mundo dos Espelhos.

Ela está tentando compreender seu próprio passado.

Tentando entender seu irmão.

Tentando descobrir por que determinadas coisas aconteceram.

Existe uma ausência...

Existem perguntas...

Existe uma relação familiar marcada por acontecimentos que ela não consegue compreender completamente.

E isso dá à história uma dimensão muito mais pessoal.

Porque, quando olhamos de fora, temos:

Riders.

Monstros.

Espelhos.

Batalhas.

Desejos.

Mas, por trás disso tudo, existe uma irmã tentando entender o irmão.

E isso é muito humano.

Não vou entrar em detalhes porque prometi não dar spoilers.

Mas posso dizer uma coisa: a história dos Kanzaki é muito mais importante para o coração da série do que parece inicialmente.

xxxxx

O ORE JOURNAL: O PEQUENO MUNDO DE SHINJI

Daisuke Okubo, Reiko Momoi e Nanako Shimada.,mwmbrks do Ore journal


E já que estamos falando da vida de Shinji antes e depois de se tornar Ryuki...

Acho que precisamos parar mais um pouquinho aqui.

Porque existe um núcleo de personagens que, apesar de não vestir nenhuma armadura, é fundamental para Kamen Rider Ryuki:o pessoal do ORE Journal.

O alivio cômico da série.

 Eu gosto muito desse núcleo!

Por quê?

Porque, enquanto a história vai ficando cada vez mais complicada, com Mundo dos Espelhos, monstros, Riders e uma guerra que parece não ter fim, o ORE Journal continua sendo aquele pedacinho de normalidade que lembra:

“Ei, Shinji! Você ainda tem um emprego!”

O ORE Journal é administrado por quatro pessoas: Daisuke Okubo, Reiko Momoi, Nanako Shimada e o próprio Shinji.

A própria Toei apresenta Okubo como representante e editor-chefe do jornal e identifica os outros três como seus colegas de trabalho.

E cada um deles contribui de uma maneira diferente para essa pequena “família profissional”.

DAISUKE OKUBO: O CHEFE QUE TENTA MANTER A CASA EM PÉ

Comecemos por Daisuke Okubo, o chefe do ORE Journal.

Okubo é aquele chefe meio atrapalhado, exigente e, muitas vezes, engraçado, que acaba funcionando quase como uma figura de irmão mais velho para Shinji.

E existe uma relação muito interessante entre os dois.

Okubo é o superior de Shinji, claro, mas existe também uma preocupação genuína com aquele jovem estagiário que vive se metendo em situações estranhas.

E isso ajuda a mostrar que Shinji não surgiu do nada naquele universo.

Ele tinha uma vida antes de virar Ryuki.

Tinha um trabalho.

Tinha um chefe.

Tinha colegas.

Tinha responsabilidades.

E Okubo, com todas as suas trapalhadas, faz parte dessa vida.

Aliás, a caracterização oficial do personagem combina perfeitamente com essa impressão: Okubo é o fundador, representante e editor-chefe do ORE Journal, tendo deixado um grande jornal para buscar sua própria ideia de jjornalismo.

Se no  Mundo dos Espelhos, Shinji é Ryuki...

No ORE Journal...ele é simplesmente o Shinji.

E isso é muito importante.

REIKO MOMOI: A REPÓRTER QUE NÃO DEIXA SHINJI ESCAPAR

Depois temos Reiko Momoi.

Ah, Reiko!

Essa mulher deve ter perdido a paciência com Shinji umas cinquenta vezes por episódio!

(Imaginem minhas risadas mais intensas....kkkk)

Reiko é uma repórter investigativa séria, determinada e comprometida com a verdade.

E existe uma relação muito interessante entre ela e Shinji.

Ele é praticamente o aprendiz atrapalhado que precisa acompanhar alguém muito mais experiente.

Reiko não trata Shinji como um grande herói.

Para ela, ele é um estagiário que precisa trabalhar!

E isso é ótimo.

Porque enquanto Shinji está descobrindo o Mundo dos Espelhos, Reiko está tentando descobrir a verdade sobre os desaparecimentos.

Ou seja..., os dois estão investigando o mesmo mistério por caminhos diferentes.

E existe uma característica de Shinji que, apesar de todas as broncas, Reiko acaba reconhecendo: a determinação dele.

Ele pode ser atrapalhado.

Pode tomar decisões impulsivas.

Pode meter os pés pelas mãos.

Mas não desiste facilmente.

E isso é uma qualidade importante para um jornalista.

Mais do que isso: a relação dos dois ajuda Shinji a amadurecer profissionalmente.

Reiko é colega, superior e, de certa maneira, uma espécie de mentora.

E isso dá ao personagem uma dimensão que seria perdida se o ORE Journal fosse apenas um cenário para algumas cenas cômicas.

NANAKO SHIMADA: A REDATORA E O CÉREBRO TECNOLÓGICO DO JORNAL

E não podemos esquecer Nanako Shimada.

Com seu jeitão nerd, Nanako é aquela presença mais discreta do núcleo do jornal, trabalhando com informática e funções administrativas.

É uma personagem que não precisa estar no centro das batalhas para ter importância.

Ela ajuda a manter aquele ambiente funcionando.

Computadores.

Informações.

Notícias.

Investigação.

Rotina de trabalho.

Vida comum.

E isso é justamente o que o ORE Journal representa.

Enquanto, literalmente do outro lado do espelho, existe uma guerra entre Kamen Riders...o mundo real continua funcionando.

Pessoas continuam trabalhando...

Continuam discutindo.

Continuam fazendo suas refeições.

Continuam vivendo.

E Shinji precisa conciliar essas duas vidas.

O ORE JOURNAL É MAIS IMPORTANTE DO QUE PARECE

E pensando bem...

Talvez seja justamente por isso que eu goste tanto desse núcleo.

O ORE Journal não está ali apenas para fornecer cenas engraçadas.

Ele representa a vida que Shinji está tentando proteger.

Ali estão as pessoas que o conhecem antes de Ryuki.

As pessoas que convivem com ele.

As pessoas que fazem parte de seu cotidiano.

E isso reforça uma característica fundamental do protagonista:

Shinji não luta por uma abstração chamada “humanidade”.

Ele luta por pessoas.

Pessoas como Okubo.

Reiko.

Nanako.

Yui.

Ren.

E tantas outras.

Talvez seja por isso que seu idealismo nunca pareça completamente vazio.

Ele é um rapaz que conhece o valor da vida cotidiana.

E é justamente essa vida cotidiana que ele não quer perder.

xxxxx

E A TRILHA SONORA? COMO ESQUECER?

Agora, antes de continuarmos...

Precisamos falar de uma coisa que qualquer fã de Ryuki que se preze conhece.

A abertura!

Que abertura, diga-se de passagem! 


ABERTURA DE KAMEN RIDER RYUKI

Tanto visualmente quanto musicalmente.

“ALIVE A LIFE”

Interpretada pela incrível Rica Matsumoto.

A música foi lançada oficialmente como tema de abertura de Kamen Rider Ryuki em 2002, e a própria Avex a apresenta como uma faixa de dance rock vibrante, justamente destacando sua energia.

Meus amigos...

Que música!

Você ouve os primeiros acordes e já sabe:

É RYUKI!

E existe uma coisa interessante nessa abertura.

Ela não passa simplesmente aquela sensação tradicional de:

“Herói chegou! Vamos salvar o mundo!”

Existe uma sensação de urgência.

De conflito.

De destino.

De batalha.

Mas também existe uma sensação muito forte de vida.

E isso combina demais com a proposta da série.

Porque Ryuki fala o tempo inteiro sobre viver.

Sobre sobreviver.

Sobre escolher.

Sobre aquilo que estamos dispostos a sacrificar para continuar vivendo.

E o próprio título, “Alive A life”, parece conversar diretamente com essa ideia.

É uma daquelas aberturas que não envelheceram.

Você coloca para tocar mais de duas décadas depois e imediatamente...

Você volta para 2002.

Vê os Riders.

Vê os monstros.

Vê os espelhos.

Vê Shinji.

Vê Ren.

Vê Yui.

E aquela sensação de que alguma coisa muito grande está prestes a acontecer volta imediatamente.

E tem mais...

A música ganhou posteriormente uma versão “Advent Mix” associada ao filme Kamen Rider Ryuki: Episode Final, mostrando como a canção acabou se tornando parte importante da identidade musical da obra.

Para mim, “Alive A life” é uma daquelas músicas que não servem apenas para abrir um episódio.

Ela apresenta a identidade da série.

E talvez seja justamente por isso que continue tão lembrada pelos fãs.

Mas, nossa aventura segue...

AGORA VAMOS AOS RIDERS! 

 
Takeshi Asakura,Shuichi Kitaoka e Miyuki Tezuka, personagens de destaque na trama 


Bom...

Já falamos bastante de Shinji, Ren, Yui e do pessoal do ORE Journal.

Que tal agora entrarmos na parte que provavelmente muitos de vocês estavam esperando?

Os Riders!

E olha...

Aqui Ryuki não economizou.

Tem Rider para praticamente todos os gostos.

Ou desgostos!

Mas três deles, particularmente, merecem uma atenção especial:

Ouja, Zolda e Raia.

Vamos nessa?

KAMEN RIDER OUJA — O CAOS EM FORMA DE RIDER

 
Kamen Rider Ouja, um dos Riders mais temidos 


Comecemos pelo sujeito que parece ter saído diretamente de um pesadelo:

Takeshi Asakura.

Kamen Rider Ouja.

Meus amigos...

Que sujeito desagradável!

A psicopatia bate forte e insiste em não querer sair.

Kkkkk

E digo isso como elogio ao personagem!

Asakura é uma das maiores subversões da ideia tradicional de Kamen Rider.

O Rider clássico recebe poderes e luta contra o mal.

Asakura recebe poderes e pensa:

“Finalmente encontrei algo divertido para fazer.”

Ele gosta de lutar.

Gosta do confronto.

Gosta do perigo.

E não possui a mesma preocupação moral que Shinji.

Ouja é quase o oposto completo de Ryuki.

Ryuki tenta impedir a morte.

Ouja representa alguém que aceita a violência como parte natural da existência.

E isso torna suas aparições sempre perigosas.

Porque você nunca sabe exatamente até onde ele vai.

Ouja não é apenas um adversário.

Ele é uma ameaça à própria estabilidade da Rider War.

E talvez seja por isso que Asakura tenha se tornado um dos personagens mais lembrados de Ryuki.

KAMEN RIDER ZOLDA — QUANDO A INTELIGÊNCIA VIRA ARMA 

Kamen Rider Zolda 


Agora vamos falar de Shuichi Kitaoka, o homem por trás de Zolda.

E aqui temos uma proposta completamente diferente.

Se Ouja resolve seus problemas com violência...

Zolda prefere resolver com inteligência e  uma astúcia cínica.

Kitaoka é sofisticado.

Calculista.

Estratégico.

Tem recursos.

Sabe negociar.

Sabe manipular situações.

E, principalmente, sabe pensar.

Seu estilo combina perfeitamente com o próprio Zolda.

Enquanto outros Riders precisam se aproximar do inimigo...

Zolda prefere manter distância.

Observar.

Calcular.

E atacar no momento certo.

Mas existe um detalhe que impede Kitaoka de se tornar simplesmente um personagem frio.

Goro Yura.

A relação entre os dois acrescenta humanidade ao personagem.

Goro funciona quase como uma âncora.

Uma pessoa que lembra que, por trás de toda aquela estratégia, existe um homem.

E isso torna Kitaoka muito mais interessante.

Ele representa outra resposta ao mundo de Ryuki:

“Se o mundo é perigoso, preciso ser inteligente o suficiente para sobreviver a ele.”

KAMEN RIDER RAIA — NO MEIO DO CAMINHO 

 
Kamen Rider Raia


E então temos Miyuki Tezuka, Kamen Rider Raia.

Raia é interessante justamente porque não está em nenhum dos extremos.

Ele não possui a ingenuidade absoluta de Shinji.

Não possui a frieza pragmática de Ren.

Não possui o prazer pela violência de Asakura.

Ele está naquela região cinzenta.

E isso permite que a série faça outra pergunta:

“E se você souber que aquela guerra é errada, mas ainda estiver preso dentro dela?”

Essa é uma situação extremamente humana.

Nem sempre podemos simplesmente sair de um problema.

Nem sempre temos todas as respostas.

Nem sempre conseguimos fazer aquilo que consideramos correto.

Raia ajuda a mostrar justamente essa complexidade.

E é por isso que eu gosto tanto da proposta dos Riders de Ryuki.

Eles não são apenas personagens coloridos lutando.

São diferentes respostas humanas ao mesmo problema.

KAMEN RIDER FEMME E O ROMANCE QUE FICOU NAS ENTRELINHAS 


 

Miho Kirishima, o romance sutil sugerido de Kido.


E já que estamos falando de humanidade...

Precisamos falar de uma personagem especial.

Miho Kirishima, Kamen Rider Femme.

Aqui faço uma ressalva:

Não considero correto tratar a relação entre Shinji e Femme simplesmente como um romance plenamente estabelecido na série televisiva.

Mas os filmes e produções alternativas relacionadas a Ryuki apresentam uma aproximação que pode ser interpretada como uma possibilidade romântica  (minha especialidade, pra quem conhece meus trabalhos... rsrsrs)

E eu acho isso muito interessante.

Porque permite enxergar outro lado de Shinji.

O Shinji que não está apenas preocupado com a Rider War.

O Shinji que também pode criar vínculos afetivos.

Que pode gostar de alguém.

Que pode se preocupar com uma pessoa de maneira diferente.

Em uma história tão marcada por morte, violência, desejos e conflitos, existe espaço para algo extremamente simples: afeto.

E isso combina perfeitamente com o protagonista.

Shinji é justamente aquele sujeito que insiste em acreditar nas pessoas.

Então é natural que uma aproximação afetiva tenha um peso maior para ele.

Não vou entrar em detalhes sobre os filmes.

Mas acho válido mencionar essa dimensão porque ela reforça algo importante:

Shinji não quer apenas sobreviver.

Ele quer viver.

Quer ter amigos.

Quer amar.

Quer proteger.

Quer voltar para uma vida normal.

E talvez seja justamente por isso que ele seja tão diferente dos outros. 

 
Kamen Rider Femme


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E NÃO PODEMOS ESQUECER DOS ATORES!

Nossa jornada segue firme e forte.

Seguindo nossa análise, agora, meus amigos, preciso fazer uma pausa para elogiar uma coisa que talvez passe despercebida quando falamos apenas do roteiro:

As atuações de Kamen Rider Ryuki.

Porque uma história pode ser excelente no papel.

Mas se os atores não conseguirem transmitir aquilo...

Não funciona.

E Ryuki teve um elenco que conseguiu dar muita vida a personagens extremamente diferentes entre si.

Takamasa Suga, como Shinji Kido, merece um destaque especial.

Porque interpretar Shinji não deve ter sido nada fácil.

Ele precisava fazer um personagem atrapalhado, impulsivo, ingênuo e, às vezes, até irritante...

Sem transformá-lo simplesmente em um bobão.

E Suga consegue transmitir justamente essa humanidade.

Você consegue enxergar o medo.

A insegurança.

A indignação.

A alegria.

A tristeza.

A esperança.

E principalmente aquela sensação de que Shinji está tentando entender um mundo que parece não fazer sentido.

É uma atuação que ajuda a explicar por que, depois de tantos anos, ainda conseguimos discutir Shinji Kido como personagem.

E não apenas como “o cara que virou Ryuki”.

Sem querer julgar  e denegrir o trabalho ninguém,  mas para efeito comparativo, a atuação de  Suga convence muito mais que o protagonista da série antecessora, Agito.

Tokishi Kashú, que deu vida a Soichi Tsugami, no meu entendimento, teve uma atuação apagada.

Os outros personagens se sobressaiam a ele.

Talvez, esse seja um ponto fraco de Agito.

Mas isso é assunto pra outro artigo.

Nesse contexto , o ator que deu vida a Ren também merece destaque.

Satoshi Matsuda, como Ren Akiyama, faz um excelente contraponto.

Enquanto Shinji é expansivo e impulsivo, Ren é muito mais contido.

O ator trabalha bastante com expressão corporal, silêncio e olhar.

Muitas vezes, Ren não precisa dizer exatamente o que está pensando.

O rosto dele já entrega.

E isso combina perfeitamente com um personagem que guarda muita coisa dentro de si.

Yui e Shiro: um drama familiar muito bem defendido

Também preciso destacar Yui Kanzaki, interpretada por Yuriko Ishida, e Shiro Kanzaki, vivido por Seiji Takaiwa.

E aqui existe uma dificuldade adicional.

O drama dos Kanzaki depende muito de transmitir uma relação familiar marcada por mistério, ausência e emoções difíceis de colocar em palavras.

Yui precisa carregar boa parte dessa tensão.

E Shiro precisa funcionar quase como uma presença que paira sobre a narrativa.

Os dois ajudam a transformar aquilo que poderia ser apenas uma explicação de roteiro em algo emocionalmente mais significativo.

Asakura: impossível não falar dele!

E agora vamos falar do sujeito que provavelmente faria qualquer psicólogo pedir férias!

Takeshi Asakura, interpretado por Takashi Hagino.

Meu amigo...

Que atuação!

Porque Asakura poderia facilmente virar uma caricatura.

Um vilão que simplesmente grita, ameaça e bate em todo mundo.

Mas Hagino consegue transmitir uma coisa muito mais perturbadora:

Asakura parece acreditar genuinamente naquilo que faz.

Ele possui uma presença física assustadora.

Um olhar agressivo.

Uma maneira de falar que transmite perigo.

E, principalmente, uma energia completamente diferente dos demais Riders.

Quando Ouja aparece, você sabe que alguma coisa pode dar errado.

Isso é mérito do personagem?

Claro.

Mas também é mérito do ator.

Kitaoka: elegância e ironia

E temos Shuichi Kitaoka, interpretado por Yasushi Ishida.

Aqui a proposta é completamente diferente.

Kitaoka poderia facilmente ser apenas o “Rider rico e inteligente”.

Mas o ator consegue acrescentar uma dose enorme de personalidade.

Ironia.

Autoconfiança.

Vaidade.

Humor.

E, por baixo disso tudo, vulnerabilidade.

Kitaoka consegue ser engraçado em uma cena e, pouco depois, transmitir uma dimensão muito mais séria do personagem.

Essa capacidade de alternar tons é uma das coisas que fazem o núcleo de Ryuki funcionar tão bem.

xxxxx

 

QUANDO A HUMANIDADE VIRA O INIMIGO

E aqui chegamos ao coração da série.

Depois de conhecer tantos Riders, começamos a perceber uma coisa.

Não existe uma divisão simples entre: bem e mal.

Temos pessoas desesperadas.

Pessoas egoístas.

Pessoas traumatizadas.

Pessoas apaixonadas.

Pessoas querendo proteger alguém.

Pessoas buscando vingança.

Pessoas querendo realizar seus desejos.

E pessoas que simplesmente gostam de lutar.

Cada Rider representa uma maneira diferente de reagir à mesma situação.

Shinji responde com esperança.

Ren com pragmatismo.

Kitaoka com inteligência.

Tezuka com reflexão.

Asakura com violência.

E os demais acrescentam suas próprias perspectivas.

É quase como se Ryuki estivesse fazendo um experimento:

“Vamos colocar diferentes tipos de seres humanos dentro da mesma guerra e observar o que acontece.”

E a resposta não é nada confortável.

Porque descobrimos que não precisamos de uma organização maligna para produzir monstros.

Às vezes...basta dar às pessoas poder, medo e um desejo forte o suficiente.

E O NOSSO HERÓI?

É justamente por isso que Shinji se destaca.

Porque ele parece deslocado.

Todo mundo está tentando vencer.

Ele está tentando impedir a guerra.

Todo mundo possui um objetivo.

Ele quer encontrar uma solução.

Todo mundo está aprendendo a sobreviver.

Ele continua tentando preservar sua humanidade.

E talvez essa seja sua maior força.

Não sua armadura.

Não Dragredder.

Não seus golpes.

Mas sua capacidade de continuar acreditando.

Mesmo quando o mundo lhe dá todos os motivos para desistir.

E TALVEZ SHINJI KIDO SEJA UM DOS PROTAGONISTAS MAIS SUBESTIMADOS DA FRANQUIA

E isso me leva a uma opinião pessoal.

Acho que Shinji Kido é um dos protagonistas mais subestimados de toda a franquia Kamen Rider.

E sei que essa afirmação pode provocar discussão!

E quero que provoque!

Porque quando falamos dos grandes protagonistas da franquia, imediatamente lembramos de nomes como:

Takeshi Hongo

Issamu Minami

Yusuke Godai

Souji Tendou

Ryotarou Nogami

Sento Kiryu.

Takumi Inui, entre outros.

E com toda justiça!

Hongo é arquétipo do herói Rider clássico, que embalou a primeira geração de Riders, influenciando os Riders que lhe sucederam.

Um ícone atemporal!

Issamu Minami elevou a premissa de Hongo ao ápice da franquia na Era Showa.

Intenso, obstinado e carismático.

Por sua vez, Yusuke Godai nos trouxe a esperança de um mundo melhor, onde os sorrisos das pessoas era a mola propulsora para lutar.

A sua simplicidade no modo de ser e agir nos cativava de cara, atenuando a violência dos Grongis.

Já Tendou é praticamente uma força da natureza.

Ele entra em cena com aquela confiança absurda e parece estar sempre vários passos à frente de todo mundo.

Ryotarou Nogami é a antítese perfeita de Tendou.

Fraco, atrapalhado, azarado, mas dono de uma ética inabalável que orientou os Imagins a agirem de um modo mais adequado à sociedade humana, apesar de manterem o tom caótico e extremamente hilário.

Sua força estava na sua moral irretocável.

Kiryuu Sento, em contrapartida, é extremamente carismático, inteligente, engraçado e emocionalmente complexo.

E Takumi Inui...

Bom...

Takumi é Takumi.

Um dos protagonistas mais complexos e contraditórios da franquia.

Mas Shinji é diferente...

Shinji não é heroico covive  Hongo ou Issamu.

Não é cativante como Godai.

Shinji não é forte como Tendou.

Não possui aquela aura de alguém que controla a situação.

Não é carismático como Ryotarou ou Sento.

Não tem aquela capacidade de conquistar o ambiente simplesmente entrando em cena.

Não é complexo da mesma maneira que Inui.

Shinji é muito mais simples...

E talvez seja justamente aí que esteja sua força.

Porque, no meio de tantos protagonistas extraordinários...

Shinji é extraordinariamente humano.

Ele sente medo.

Fica confuso.

Erra...

Erra muito (o meu amigo Lanthys  vive dizendo...rsrsrs)

Se arrepende.

Chora.

Fica com raiva.

Toma decisões ruins.

Muda de opinião.

Tem dificuldade para entender o que está acontecendo.

E mesmo assim...

Continua tentando fazer o que acredita ser certo.

Ele não é o mais poderoso.

Não é o mais inteligente.

Não é o mais experiente.

Não é o mais estiloso.

Não é o mais preparado.

Ele é simplesmente um sujeito comum que caiu em uma situação extraordinária e decidiu não abandonar seus princípios.

E isso, meus amigos...

É ser um herói.

Talvez por isso Shinji seja tão fácil de subestimar.

Porque estamos acostumados a admirar o herói que entra em cena e parece ter todas as respostas.

Shinji é o contrário.

Ele entra em cena cheio de perguntas.

E passa boa parte da história tentando encontrar respostas sem perder aquilo que acredita.

No fim das contas, talvez essa seja justamente a maior diferença entre ele e tantos outros protagonistas.

Tendou parece alguém que nasceu para ser um herói.

Sento se transforma em herói apesar de tudo aquilo que carrega.

Takumi luta contra suas próprias contradições para descobrir quem realmente é.

Shinji simplesmente decide ser um herói.

Mesmo quando o mundo inteiro parece dizer que ele está sendo ingênuo.

E talvez seja por isso que eu tenha tanto carinho por esse personagem.

Porque, quando Ryuki coloca treze Riders em uma guerra onde todos possuem seus próprios desejos, o protagonista não é aquele que melhor entende as regras.

É aquele que olha para as regras e pergunta se elas deveriam existir.

E isso é muito maior do que parece.

xxxxx

MAS PRECISAMOS FALAR DO FINAL DE SHINJI...

Agora chegamos a uma parte que me incomoda...

E muito.

Prometi não dar spoilers.

Vou cumprir.

Mas preciso fazer uma crítica.

Porque, depois de acompanhar Shinji durante toda a série...eu fiquei frustrado e com um gosto amargo na boca com a maneira como o personagem é tratado em seu encerramento.

Não vou contar o que acontece...

Quem não assistiu ainda pode ficar tranquilo.

Mas posso dizer que, depois de tudo aquilo que Shinji enfrenta, de tudo aquilo que aprende, de todos os conflitos que atravessa, de todas as vezes em que tenta preservar sua humanidade...

A sensação que fica é estranha.

Muito estranha.

É como se o personagem tivesse recebido um tratamento que não corresponde à importância que ele possui para a narrativa.

Fiquei p...da vida!

E vou dizer uma coisa que talvez alguns fãs não gostem: às vezes parece até que os roteiristas não gostavam do próprio Shinji.

É claro que não posso afirmar isso literalmente.

Mas essa é a sensação que fica!

Você acompanha o sujeito por dezenas de episódios.

Vê suas dúvidas.

Seus erros.

Suas tentativas.

Sua evolução.

Sua luta para continuar sendo humano.

E espera que todo esse percurso resulte em alguma espécie de recompensa narrativa.

Não necessariamente uma recompensa feliz.

Não precisa ser um final “e viveram felizes para sempre”.

Ryuki nunca foi esse tipo de série.

Mas esperávamos algo que fizesse justiça à trajetória do personagem.

E, particularmente, achei frustrante.

Shinji merecia mais.

Muito mais.

Não estou dizendo que ele deveria simplesmente receber um final feliz.

Nisso, meu amigo Lanthys concordamos em gênero, número e grau.

Estou dizendo que o roteiro deveria reconhecer o peso de sua jornada.

Porque ele é o coração da série.

E quando o coração de uma história recebe um tratamento que parece tão pouco satisfatório...,o espectador sente.

E eu senti...

 

E OS FILMES DE FINAIS ALTERNATIVOS?

O QUE ME DIZ, JIRAYRIDER?

E aí vem outra questão.

Como se não bastasse a discussão sobre o encerramento da série, tivemos posteriormente produções cinematográficas e especiais que brincaram com a ideia de finais alternativos e outras possibilidades para aquela história.

E aqui, meus amigos...

Eu preciso fazer outra crítica.

Porque a intenção era interessante.

Muito interessante!

Criar possibilidades diferentes.

Mostrar outras interpretações.

Explorar caminhos alternativos.

Tudo isso poderia funcionar muito bem.

Mas, para mim, aconteceu uma coisa curiosa:

em vez de elucidar, acabou confundindo ainda mais.

Rsrsrs.

É aquele famoso problema:

Você termina uma história cheio de perguntas.

Aí vem uma produção dizendo:

“Calma! Vamos explicar!”

E depois de assistir você pensa:

“Agora eu tenho mais perguntas do que antes!”

Não considero isso necessariamente um defeito da proposta de finais alternativos em si.

O problema é que Ryuki já era uma obra bastante complexa.

Então, quando você apresenta novas possibilidades sem necessariamente oferecer uma conclusão definitiva para aquilo que o público queria compreender...a sensação de confusão aumenta.

Os finais alternativos acabam funcionando mais como experimentos narrativos do que como respostas definitivas.

E isso pode ser interessante para quem gosta de discutir possibilidades.

Mas para quem queria simplesmente entender:

“Afinal, qual é o desfecho dessa história?”

Bom...

A situação ficou ainda mais complicada.

ATÉ QUE CHEGOU ZI-O...

E aqui precisamos reconhecer uma coisa.

Anos depois, a franquia encontrou uma maneira de revisitar Ryuki que, em minha opinião, funcionou muito melhor.

Estou falando de Kamen Rider Zi-O e de Rider Time: Kamen Rider Ryuki.

Sem entrar em spoilers, obviamente.

Mas a importância dessa revisitação está justamente em permitir que o universo de Ryuki fosse novamente explorado com uma perspectiva diferente.

Mesmo Zi-O tendo uma série de problemas de coerência e roteiro, se teve uma coisa que a série fez bem, foi dar um novo final pra Ryuki, do mesmo modo que fez com Blade.

E isso ajudou a resolver parte daquela sensação de que a história havia ficado presa em múltiplas possibilidades.

É quase como se a franquia tivesse finalmente dito:

“Vamos voltar aqui e tentar organizar essa bagunça.”

Rsrsrs.

E funcionou!

Não apaga o que veio antes.

Não transforma automaticamente tudo em perfeito.

Mas mostra que Ryuki continuava tendo material suficiente para ser revisitado.

E isso, por si só, já demonstra sua força.

xxxx

RYUKI E GEATS: QUANDO UMA IDEIA ENCONTRA UMA NOVA FORMA 

 
Kamen Rider Geats - 2023 /2024  as semelhanças no roteiro não.são mera coincidencia)


E então chegamos a Kamen Rider Geats.

E aqui eu tiro o chapéu.

Porque Geats pega vários conceitos que lembram Ryuki:

Riders.

Competição.

Desejos.

Regras.

Sobrevivência.

Conflitos entre participantes.

E transforma tudo isso em uma estrutura narrativa mais organizada.

O Desire Grand Prix mostra como aquela ideia de Riders competindo por um desejo poderia ser desenvolvida décadas depois com uma estrutura muito mais elaborada.

E eu gosto muito de observar essa evolução.

Porque não precisamos dizer:

“Geats é melhor, então Ryuki não presta.”

Nada disso!

Muito pelo contrário.

Podemos olhar para Geats e pensar:

“Olha só o que fizeram com aquela ideia que Ryuki ajudou a popularizar!”

Ryuki foi experimental.

Geats é uma evolução.

E uma obra não existiria da mesma maneira sem a experiência acumulada pelas anteriores.

RYUKI FOI PERFEITO?

Não.

Definitivamente não.

E ainda bem!

Porque talvez a maior qualidade de Ryuki seja justamente sua disposição para correr riscos.

Alguns deram muito certo.

Outros nem tanto.

A série poderia ter desenvolvido melhor determinados personagens.

Poderia ter organizado melhor algumas ideias.

Poderia ter dado a Shinji um tratamento mais satisfatório.

E poderia ter encontrado uma maneira mais clara de trabalhar seus finais alternativos.

Mas isso não diminui sua importância.

Porque Ryuki fez uma coisa que poucas séries conseguem fazer:

mudou a conversa.

Depois dela, ficou muito mais fácil imaginar Kamen Riders moralmente ambíguos.

Múltiplos Riders.

Rivalidades entre heróis.

Jogos.

Desejos.

Conflitos internos.

Personagens que não são simplesmente bons ou maus.

E protagonistas que podem ser profundamente humanos.

xxxx

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Quando Kamen Rider Ryuki estreou, ninguém sabia exatamente o tamanho da mudança que estava sendo proposta.

Hoje, 24 anos depois, fica muito mais fácil perceber.

A série não queria apenas contar uma história de heróis contra monstros.

Queria perguntar:

O que é um herói?

E talvez essa seja a pergunta mais importante de todas.

Porque Shinji não é perfeito.

Ele é inseguro.

É ingênuo.

É atrapalhado.

Comete erros.

Tem medo.

Mas continua tentando.

Ren é diferente.

Kitaoka é diferente.

Tezuka é diferente.

Asakura é completamente diferente!

Yui possui sua própria jornada.

Shiro está ligado ao mistério que sustenta toda aquela realidade.

E cada personagem representa uma maneira diferente de lidar com o desencanto.

É por isso que Ryuki continua interessante.

Não estamos apenas assistindo a Riders lutando.

Estamos vendo seres humanos tentando decidir o que estão dispostos a fazer para conseguir aquilo que desejam.

E, no meio de tudo isso, existe Shinji.

O Dom Quixote.

O ingênuo.

O atrapalhado.

O idealista.

O homem que olha para uma guerra de sobrevivência e ainda pergunta:

“Será que não existe outro caminho?”

Talvez seja justamente por isso que ele seja o verdadeiro Kamen Rider da história.

Não porque seja o mais forte.

Não porque seja o mais habilidoso.

Mas porque se recusa a abandonar aquilo que acredita.

E, sinceramente?

Depois de tudo que ele passou...

Eu só queria que o roteiro tivesse sido um pouco mais gentil com o rapaz!

Se você nunca assistiu Kamen Rider Ryuki, dê uma chance.

Mas faça isso sabendo de uma coisa...

Não espere outro Kuuga.

Não espere outro Agito.

E definitivamente não espere um Kamen Rider tradicional.

Entre na história disposto a conhecer uma experiência diferente.

Uma experiência sobre desejos.

Escolhas.

Egoísmo.

Amizade.

Família.

Amor.

Sobrevivência.

Violência.

E...,principalmente, humanidade.

Uma série que pergunta o que acontece quando seres humanos recebem poder suficiente para realizar seus maiores desejos.

E que apresenta um protagonista que, justamente por ser tão humano, parece inadequado para aquele mundo.

Uma série imperfeita?

Sim.

Polêmica?

Muito!

Com um final que considero frustrante?

Também!

Com produções posteriores que, em alguns momentos, aumentaram mais a confusão do que resolveram?

Na minha opinião, sim.

Mas uma série importante?

Sem dúvida alguma!

Porque Ryuki ousou.

Experimentou.

Errou.

Acertou.

Dividiu opiniões.

E deixou sua marca.

E quando uma obra continua sendo discutida 24 anos depois de sua estreia, alguma coisa ela fez certo.

 

E assim chegamos ao fim da nossa primeira viagem pela história de Kamen Rider Ryuki.

Uma série imperfeita, polêmica, ousada e, acima de tudo, inesquecível.

Talvez seja justamente isso que faça uma obra permanecer viva: não ser perfeita, mas continuar despertando conversas, opiniões, críticas e lembranças muitos anos depois de sua exibição.

E se existe uma coisa que aprendi acompanhando tantos mundos, tantos Riders e tantas histórias ao longo dos anos, é que algumas viagens simplesmente não terminam quando os créditos sobem.

Elas continuam dentro da gente.

Então, leitores do Nipo Heroes...

Obrigado por embarcarem comigo nesta primeira edição de “Jirayrider assistiu, Jirayrider recomenda”.

Outras histórias virão.

Outros Riders.

Outros mundos.

Outras viagens.

Afinal...

“Eu sou apenas um viajante passando por este mundo...”

Não se esqueçam disso!

Essa é mais uma obra que...

Jirayrider assistiu!

Jirayrider analisou!

E, apesar das ressalvas...

JIRAYRIDER RECOMENDA!

Até a próxima!

 

 

Jirayrider_Decade

 

 

Ryuki pra sempre!

 

 


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