sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Lion-Maru: O rugido da vingança! (Ato 3)


Era o décimo quinto dia desde que Shimaru deixara para trás o último vilarejo que ainda ousava chamar a si mesmo de livre.. A lembrança daquele lugar ainda o acompanhava: o cheiro de arroz queimado no ar, o choro contido de uma mulher atrás de portas fechadas, o silêncio pesado demais para ser natural. Desde então, a paisagem parecia repetir a mesma ferida.

O campo onde agora se encontrava não era diferente, apenas mais honesto.

O vento soprava denso, carregando poeira, sangue seco e o odor metálico da terra violada. A grama estava esmagada em grandes círculos irregulares, como se algo tivesse rolado, lutado, sido arrastado. O solo estava aberto em sulcos profundos, marcas de força bruta sem cuidado ou propósito além da dominação, e corpos… Muitos corpos espalhados pelo derredor… .

O cavalo branco de Shimaru estacou, suas orelhas se moveram antes mesmo que o relincho surgisse... Baixo, grave, contido... Não era pânico, era reconhecimento do perigo, o animal sentia vibrações que ainda não tinham nome, e, Shimaru também sentiu. Não com os ouvidos, nem com os olhos, mas com o peso súbito no ar, com a certeza instintiva de que algo observava...

Então… a terra respondeu em um estrondo ao longe, um som grave que ecoou do outro lado do campo, um misto de fungar, respiração pesada e algo próximo a um rosnado. A vegetação se abriu com violência, arbustos foram rasgados, galhos partidos como ossos secos, e a criatura emergiu.

Era alta demais para ser chamada de homem, larga demais para ser ignorada. Ombros maciços sustentavam um tronco deformado pela força excessiva, presas curvas escapavam da boca num sorriso torto, molhado de saliva espessa, a pele, grossa e escura, lembrava couro queimado, marcada por cortes recentes, sinais de batalhas vencidas, não temidas.

Um javali humanoide era como se poderia descrever, cada passo fazia o chão tremer levemente, cada respiração vinha acompanhada de vapor quente, fétido, carregado de ódio e prazer contido. Os olhos pequenos, profundos, brilhavam com algo pior que fúria: era certeza de superioridade.

A criatura cravou os cascos no chão, abrindo rachaduras na terra, e inclinou a cabeça, como quem avalia uma presa, e quando falou, a voz parecia rasgar a própria garganta para existir: — Shimaru…

O nome soou errado na boca da criatura, sujo, quase como demonizado… — Sou um comandante de Mantor, um monstro humano e meu nome é Kurokiba! Fui agraciado com a honra de deter teu avanço. O senhor Mantor viu tudo o que tu fez, cada vila, cada estrada, cada corpo que deixa para trás.

Ele deu um passo à frente, farejando o ar. — Não entendo… — continuou, com um riso grave. — Por que lutar contra nós… quando já carrega um monstro dentro de si e poderia dominar o mundo?

Shimaru desmontou, o som das botas tocando o chão foi suave, quase respeitoso para com o solo castigado, um contraste absoluto com o cenário ao redor. Ele afagou o pescoço do cavalo por um instante, transmitindo calma, e só então ajustou o grip da espada, e seus olhos se ergueram, friamente atentos, imóveis como pedra antiga.

Palavras são desnecessárias… — disse, a voz baixa, sem raiva, havia apenas decisão... Ele puxou a lâmina alguns centímetros, o aço sussurrando… — …quando se está diante de assassinos. Nada mais foi dito, o vento cessou, e o campo pareceu prender a respiração.

O Javali atacou primeiro, não houve aviso, não houve postura, apenas impacto. O chão explodiu sob seus cascos quando a criatura avançou como uma avalanche de carne e ódio, o ar foi rasgado pelo deslocamento brutal do corpo monstruoso, e Shimaru mal teve tempo de reagir. O cheiro quente e acre do hálito da criatura o atingiu antes mesmo do golpe.

Shimaru girou o corpo, desviando por instinto, a lâmina que era de seu irmão cortou o ar, encontrou carne, mas não avançou. O aço vibrou, recusado por músculos densos como pedra viva, ele recuou no mesmo movimento, os pés deslizando na terra solta.

O Javali respondeu com o antebraço. O impacto veio como um tronco em movimento, Shimaru sentiu o ar escapar dos pulmões antes de ser lançado para trás, e então, o mundo parecia virar uma mescla de poeira e céu! Ele rolou, ele bateu com o ombro, ele sentiu algo estalar, mas levantou-se antes que o corpo pudesse decidir ficar ao chão, e o Javali investiu de novo.

Shimaru tentou manter técnica onde não havia espaço para ela. Cortes precisos, ângulos corretos, economia de movimento, tudo inútil, cada golpe que acertava era absorvido, engolido por aquela massa grotesca de força bruta. Em resposta, o monstro atacava sem hesitar, cabeçadas, pisões, braços que desciam como martelos, o terceiro impacto o lançou ao chão, o quarto quase não lhe deu tempo de respirar.

Shimaru cuspiu sangue, o gosto metálico se espalhou pela boca, o braço esquerdo tremia, os dedos falhando em fechar completamente, a respiração vinha pesada, irregular, queimando o peito a cada puxada de ar, e o inimigo percebeu tudo isso...


Com desdém explícito, o Javali parou, riu, um som grave, sujo, vibrando no fundo do tórax deformado. — É só isso? — zombou, aproximando-se com passos lentos. — Acha que estamos em Tsukigase? Acha que enfrentar um general de Mantor, um monstro humano formado e completo é o mesmo que enfrentar uma larva ainda cheia de fraquezas humanas? Contra um general, contra Mantor… sem o monstro em tu, tu é frágil, tu é nada.

Shimaru forçou-se a ficar de pé, avançou uma última vez, um corte limpo, direto ao torso, mas o Javali girou o corpo e atingiu Shimaru em cheio, e desta vez o mundo parecia se desfazer… O chão veio rápido demais, a visão escureceu nas bordas, por um instante, não houve dor, apenas ausência de consciência, e silêncio.

Súbito, um rugido. Não ecoou no campo, não veio do céu, veio de dentro, e como se o tempo congelasse enquanto ele ajoelhou-se, apoiando-se na espada fincada na terra, e seus dedos afundaram no solo úmido, mesmo sentindo a textura áspera, real, presente, Shimaru se indagava… O orgulho deveria ser deixado de lado? Sem a fera… morreria ali? Ele havia prometido ao irmão, vencer o Mantor do Diabo...

Os olhos se fecharam, e ele se lembrou… A vila de Kanezawa. O sol estava alto naquele dia, diferente de Mizuhara, onde ele fora sombra, diferente de Arahama, onde ele fora silêncio, em Kanezawa, ele entrou sob luz plena.

A vila cheirava a arroz úmido e medo antigo. Sacos de grãos estavam empilhados como tributo, cestos vazios jaziam espalhados, crianças observavam por frestas de madeira. mulheres seguravam os próprios pulsos para impedir que as mãos tremessem.

O símbolo de Mantor — um círculo quebrado por linhas descendentes — estava pintado no portão principal. Shimaru desmontou, não correu, não ocultou o rosto, caminhou pelo pátio central como se estivesse entrando em um templo.

Os primeiros rastejantes surgiram entre os celeiros — homens de carne distorcida, veias escurecidas sob a pele, olhos fundos como poços, empunhavam lâminas curvas, impregnadas de um brilho oleoso. — É ele… — murmurou um deles.

Shimaru não respondeu, a katana do irmão deslizou para fora da bainha com um som limpo, mas a kodachi permaneceu inerte… embora ele a sentisse. O Leão agitava-se dentro de sua respiração: “Liberte-me.

Ele sentiu, não como voz, mas como impulso. Então a realidade do mundo tentou atingi-lo, o primeiro ataque veio lateral, rápido, Shimaru girou o quadril, desviou por centímetros e cortou de baixo para cima. A lâmina abriu o abdômen do inimigo, o sangue que jorrou não era vermelho, era negro, espesso, quase fumegante. Caiu no chão como tinta derramada.

Os outros avançaram em conjunto, Shimaru avançou também, não havia fúria em seus olhos, havia decisão. Ele não se movia como um homem pressionado, movia-se como alguém que já havia decidido o fim. Um rastejante saltou sobre ele, Shimaru o atravessou no ar; outro tentou flanquear; a lâmina girou em arco preciso e separou a mão do punho. Um terceiro hesitou, e essa hesitação foi sua sentença.

Sangue negro marcava o chão claro do pátio como pinceladas violentas, as crianças assistiam pelas frestas, elas não viam um demônio, viam um homem, ofegante, concentrado, humano. 

O comandante da tropa surgiu por fim, descendo as escadas do posto avançado, armadura parcial, olhos alterados pela conversão ao culto, não era uma besta completa — ainda restava traço de humanidade em seu rosto. — Você não entende… — disse ele. — Mantor nos dará salvação.

Shimaru sentiu o Leão pressionar contra seu peito, uma força imensa, pedindo para romper, ele poderia terminar aquilo em um instante, mas não o fez, apertou os dedos no cabo da katana, e avançou. 

O duelo foi direto, metal contra metal, o comandante era treinado, disciplinado, forte. Seus golpes tinham técnica, sua lâmina raspou o ombro de Shimaru, outra quase alcançou seu pescoço, o Leão novamente rugiu dentro dele: “Agora.”

Shimaru ignorou, respirou, controlou. Venceu com um corte diagonal perfeito que atravessou a defesa e abriu o tórax do comandante do ombro ao flanco, o sangue negro escorreu pela armadura quebrada, e então silêncio.

Ele permaneceu imóvel, o Leão ainda pulsava, querendo sair, mas ele manteve "a porta" fechada. Quando as portas das casas começaram a se abrir, as pessoas não correram até ele, elas apenas o olharam, não com adoração, com esperança cautelosa. Uma menina segurava um punhado de arroz nas mãos trêmulas, um velho ajoelhou-se, não em reverência, mas em exaustão. Shimaru sentiu algo naquele momento que não era triunfo, era responsabilidade.

Ele percebeu que não precisou libertar a fera para vencer, mas também percebeu outra coisa... Ele não venceu porque menosprezou ou inferiorizou o Leão, ele venceu porque o controlou e não aceitou que outro fizesse o que ele tinha de fazer, quando ainda o podia fazer. O poder não o arrastava, ele escolhia quando usá-lo.

Ao deixar Kanezawa, tocou a kodachi, ela estava quente, não revoltosa, mas definitivamente, em espera.

A memória então se dissolveu, o campo de batalha voltou, Kurokiba investiu novamente, presas rasgando o ar, e em um ímpeto poderoso, Shimaru se ergueu, bloqueou o ataque, foi empurrado para trás, a força bruta do javali era esmagadora, enquanto tentando resistir, seu corpo humano tremia, seus braços ardiam, e ele compreendeu enfim...

Em Kanezawa, o inimigo ainda era homem, aqui, não mais. Kurokiba extrapolava o poder dos homens comuns, com toda a certeza, ele não deixaria nada para trás... Sua carne grotesca, o sangue escuro que já escorria de um corte no ombro, o hálito quente, tudo era entrega absoluta ao poder. 

Shimaru cuspiu o sangue da própria boca, e determinou, mais para si mesmo que para qualquer outro: “Eu não sou como ele.” O jovem samurai entendeu, o Leão não era sua fuga, era sua escolha, ele não o suprimira por pureza, ele o preparara. Cada vila, cada duelo, cada decisão sob o sol, ele não era um receptáculo, era um condutor.

Kurokiba ergueu os braços maciços para um golpe final, Shimaru fechou os olhos por um único instante, respirou e então aceitou… “Não por orgulho. Não por desespero. Mas porque é necessário.

Seus dedos tocaram a kodachi, e desta vez… ELE "abriu a porta". Pela primeira vez desde a união, Shimaru não resistiu, ele tomou a frente, e a resposta veio como uma maré. Fúria, júbilo, poder contido por tempo demais, o vento explodiu ao redor de Shimaru, a kodachi saltou da cintura sozinha, arrancando o ar ao se erguer e flutuar diante dele, vibrando como algo vivo. Shimaru abriu os olhos no instante exato e a agarrou em pleno ar.

O toque foi diferente, a lâmina respondeu, quase num sussurro, com a voz rouca de sangue e poeira, ele pronunciou: — Shishihenge. E a kodachi brilhou.

Runas antigas se acenderam ao longo da lâmina, linhas douradas pulsando com energia arcana, o aço se alongou, se redesenhou diante dos olhos atônitos do Javali, tornando-se uma katana plena, larga, imponente, carregada de símbolos que não pertenciam a língua alguma ainda viva.

O céu rugiu, um relâmpago desceu como um decreto divino, a energia atingiu Shimaru em cheio, o corpo do samurai se arqueou, não em dor, mas em metamorfose. 

Ossos se reestruturaram, músculos se expandiram com precisão cruel, a pele foi tomada por traços dourados e sombrios, a juba emergiu como fogo vivo, a armadura samurai brotou de dentro para fora, placas místicas se encaixando com som de metal ancestral.

Quando a luz se dissipou…Ele estava de pé, maior, mais pesado, mais real. Os olhos brilhavam como ouro em brasa, a voz que saiu de sua garganta não era mais apenas humana, era profunda, grave, quase bestial: — Lion-Maru… KENZAN!

O Javali recuou pela primeira vez. O cheiro no ar mudou, o medo misturou-se ao ódio, a criatura sentiu o peso da diferença antes mesmo do próximo movimento. Aquilo… não era um homem, era algo que o observava de cima. Lion-Maru avançou.

Ele não correu, ele caçou. Cada passo fazia o solo afundar levemente sob o peso do corpo transformado, o ar vibrava ao redor dele, carregado de eletricidade residual do relâmpago que ainda parecia pulsar sob a armadura, os olhos dourados fixaram-se no Javali como predadores fixam presas que já não têm rota de fuga.

A espada ergueu-se, o primeiro golpe não visava matar. A lâmina riscou o ar com um zumbido grave e atingiu o ombro da criatura, rasgando couro e carne com facilidade brutal, o impacto fez o Javali girar sobre si mesmo, o corpo pesado sendo lançado alguns metros antes de cair de joelhos.

Ele se levantou rugindo, a dor transformada em fúria, avançou com tudo, cascos esmagaram a terra. Os braços vieram em um arco violento, tentando repetir o golpe que havia lançado Shimaru ao chão minutos antes, o impacto encontrou a lâmina de Lion-Maru, e foi detido.

Não com esforço, com autoridade, o choque fez o campo tremer, uma onda de poeira se espalhou, Kurokiba sentiu os ossos do braço vibrarem até o limite, uma dor profunda e nova, diferente de tudo que já experimentado se instaurou em seu corpo, e então, Lion-Maru girou o corpo e respondeu com o punho.

O golpe atingiu o peito da criatura como um aríete, o ar escapou dos pulmões do monstro em um grunhido sufocado enquanto ele era arremessado para trás, abrindo um sulco na terra até colidir com uma rocha semienterrada. O Javali levantou-se cambaleante, tentou mudar de estratégia.

Baixou a cabeça e investiu em linha reta, presas à frente, apostando na massa e no impulso; Lion-Maru não recuou, no último instante, saltou por cima do ataque, a sombra cobrindo a criatura por um breve segundo, a lâmina descendo nas costas, não profunda, mas o suficiente.

O Javali urrou, caiu em quatro patas ao chão, as mãos cravadas na terra, tentou se erguer outra vez, o orgulho lutando contra o corpo que começava a falhar: — Tu… Tu não entende… — rosnou, a voz agora quebrada. — Mantor prometeu que ninguém poderia...

LionMaru avançou cortando a narrativa do monstro humano, um corte horizontal arrancou o ar diante do rosto do monstro, forçando-o a recuar às cegas; outro golpe atingiu a perna, fazendo o joelho ceder, e Kurokiba caiu pesado, o impacto levantando poeira ao redor.

Agora, eo monstro humano respirava com dificuldade, o medo finalmente atravessava a couraça de ódio. Tentou atacar mais uma vez, um golpe desesperado, largo, sem técnica, exatamente como antes Shimaru fizera. Lion-Maru segurou o braço da criatura com uma mão só.

A diferença era humilhante, a katana subiu lentamente, o Javali olhou para cima, os olhos arregalados, a compreensão tardia se formando, dando lugar a uma nova certeza, a da derrota... — Senhor Mantor… — sussurrou, a voz falhando. — Do Diabo… —

Lion-Maru não respondeu, um giro controlado, o golpe final desceu como um julgamento antigo, preciso, definitivo. A criatura caiu, o corpo pesado afundou na terra que antes havia dominado, a poeira assentou-se lentamente, o rugido cessou, a fúria… silenciou.

Lion-Maru permaneceu imóvel por um instante, depois, embainhou a espada. O brilho dourado ao redor de seu corpo começou a se apagar, as runas ao longo da lâmina silenciaram uma a uma, como brasas sendo cobertas pela noite. A armadura samurai perdeu densidade, desfazendo-se em partículas de luz que se dispersaram no ar frio.

O corpo alto e imponente encolheu lentamente, a juba se retraiu, tornando-se apenas cabelos escuros presos diante do vento, os olhos, antes como ouro incandescente, voltaram a refletir apenas a lua pálida, assim como o peso diminuiu. A respiração tornou-se humana outra vez.

Quando o último vestígio do Leão se dissipou, apenas Shimaru permanecia ali, de pé, a espada agora comum em sua cintura, o olhar cansado, porém firme, carregando o silêncio de tudo o que fora feito. O campo voltou a respirar, e o Japão, por um breve momento… também.

O silêncio que se seguiu foi quebrado por passos cautelosos. Das ruínas próximas, figuras humanas começaram a surgir... Primeiro sombras, depois rostos, homens e mulheres magros demais, crianças com os olhos fundos, velhos apoiando-se uns nos outros, ninguém comemorava, aproximavam-se como quem ainda teme acordar de um pesadelo.

Lion-Maru permaneceu imóvel.

Um deles, um homem de costas curvadas e mãos feridas, ajoelhou-se na terra ainda quente. — Ele nos mantinha vivos… só o bastante para trabalhar — disse, a voz rouca. — Quem caía… apanhava. Quem não se levantava… não via o próximo dia. Outros confirmaram em murmúrios quebrados, olhares baixos e mandíbulas cerradas.

Uma mulher deu um passo à frente, os olhos cheios de algo que não era mais choro. — À noite… — começou, hesitou, engoliu em seco e prosseguiu... — Ele acendia uma fogueira, mandava todos assistirem. Os mortos… ele se alimentava deles. Diante de nós. Dizia que era isso que acontecia com quem não servia.

O ar pareceu pesar. Shimaru escutou tudo em silêncio, nenhum músculo se moveu, nenhum rugido, nenhuma reação visível e, quando falou, sua voz já não carregava o eco bestial da transformação, mas ainda tinha o peso que nenhum grito alcançaria.

Isso nunca mais se repetirá. Uma pausa curta. — Eu prometo. E virou-se.

O brilho dourado começou a se apagar enquanto caminhava, Shimaru novamente estava onde antes estivera o Leão, cansado, marcado, mas inteiro... No entanto, seu olhar ergueu-se para o horizonte, para a montanha, e um murmúrio percorreu os aldeões.

Espere! — gritou alguém. — Essa direção…

É a montanha de Mantor! Tremeu uma senhora de muitos verões já registrados em seus traços...

Ninguém volta de lá! Dizia outro morador do local, ainda muito assustado...

Shimaru não respondeu, levou dois dedos aos lábios e assoviou. O som cortou o ar, instantes depois, o cavalo branco surgia entre as sombras, firme, altivo, como se jamais tivesse duvidado daquele chamado, permitindo que Shimaru o montasse com um único movimento.

Alguns aldeões deram um passo atrás ao perceber o destino que ele escolhera, Mas Dan Shimaru não olhou para trás... Homem e montaria seguiram juntos, subindo o caminho que levava direto ao coração do inimigo... Não havia pressa. Não havia hesitação. Apenas determinação.

Continua...

2 comentários:

  1. Não por orgulho. Não por desespero. Mas porque é necessário.”...

    Essa frase é a síntese do capítulo.

    Shimaruu só usa o poder de Lion-Maru, quando não há alternativa.

    Modo econômico.

    Essa linha narrativa é genial, pois mostra que Shimaru não é um hospedeiro passivo.

    Há um conflito claro com a entidade bestial.

    Pra mim, é o toque Lanthys na mitologia do Lion-Maru, trazendo uma nova nuance; não só ao herói protagonista, mas para o modo como um heroi se comporta quando tem poder.


    Eu amei!

    Maravilhoso!

    Repito: esse é o Lion-Maru que eu queria ver!

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  2. Lion-Maru ou, Lion Man é , ppr natureza, forjado à batalhas ferozes.

    Isso estará presente em todo o episódio .

    É chover no molhado dizer que você escreve as cenas de modo cinematográfico.

    Não me atentarei mais a isso, nas próximas análises.

    No entanto, o que que quero destacar é como você tem desenvolvido o Shimaru.

    Um homem que lutava por justiça e, em memória do irmão.

    Não luta pra se aparecer , tipo : "sou poderoso, sou o cara".

    Isso que eu denomino de "luta em modo econômico " é a grande sacada da narrativa, pois a tendência é que a fera bestial qie concede o poder a Shimaru, entrará em conflito com ele.

    O neu interesse é como você vai conduzir essa questão.

    Ou seja, meu foco é a alma do personagem.

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Lion-Maru: O rugido da vingança! (Ato 3)

Era o décimo quinto dia desde que Shimaru deixara para trás o último vilarejo que ainda ousava chamar a si mesmo de livre.. A lembrança daqu...